Lutero: A verdadeira história


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Lutero foi um dos maiores responsáveis pela grande ruptura da Igreja. Antes do seu infame protesto a Unidade Cristã era uma realidade muito mais pragmática e visível do que a que vivemos nos dias de hoje. Contudo, seu erro não resume sua trajetória. Sim, Lutero causou grande dano à Igreja de Cristo e as sequelas de sua conduta rebelde se faz sentir há pelo menos 500. Por outro lado é preciso saber que Lutero, como qualquer mortal, não estava acima do erro. Até mesmo o cristão mais bem-intencionado é passível de equívoco. Lutero tinha uma personalidade escrupulosa. Ou seja, temia ser uma pessoa tão pecadora a ponto de crer-se incapaz de obter a santidade à qual somos tomos chamados a viver, segundo o Santo evangelho. E por esse motivo Lutero agonizava por temor de perder sua salvação. Apesar de teólogo, parecia não conhecer (senão que intelectualmente, mas não no coração) o verdadeiro sentido da graça, pela qual todos somos salvos. Equivocadamente acreditava que o valor das boas-obras consiste na salvação da alma e não na sua santificação.
Porém, apesar de seus temores, Lutero vivia uma autêntica religiosidade. Teve uma experiência pessoal de Deus, um autêntico sentido do pecado e da própria nulidade, a qual vencia por uma entrega total a Cristo e uma confiança cega nele e em sua redenção. Possuía um sentido trágico da miséria humana, um grande apego à oração e uma imensa confiança na graça. A tudo isso, unia um grande amor pelos pobres. Lutero tinha sido feito para inflamar as massas populares e convencer e agitar os ouvintes.
O dom de comando, nele, se unia a uma irradiação interior e grande sensibilidade pelos outros. Era dotado de caráter forte, unilateral, impulsivo e de forte subjetivismo. Autêntica e profunda era sua religiosidade, mas com tendência ao autoritarismo e violência. Mesmo reconhecendo nele toda a seriedade religiosa, faltou-lhe uma autêntica humildade, a capacidade de ouvir os outros e a Igreja. Lutero saiu da Igreja após séria luta e sem ter intenção de fazê-lo.
Tornou-se reformador na luta contra uma interpretação do catolicismo que de fato era cheia de deficiências. Deixou a Igreja para descobrir aquilo que é o centro da própria Igreja: o primado da graça. A Reforma foi provocada pelos católicos, pois Lutero era católico, monge sério e sincero, que nunca quis deixar de ser católico. Séculos de aversão a Roma, envolvida na política internacional, mergulhada no Humanismo, a decadência da própria vida católica alemã, fizeram com que boa parte da população alemã visse na pregação de Martinho Lutero o renascer do verdadeiro Cristianismo.
DADOS BIOGRÁFICOS DO REFORMADOR ALEMÃO
Martinho Lutero (Martin Luther) nasceu em 1483 em Eisleben, de pais camponeses. Vencendo as limitações econômicas da família, entre 1501-1505 estudou na Universidade de Erfurt. Em 18 de julho de 1505, após muitas dúvidas e reflexões, entrou no Convento dos Eremitas Agostinianos de Erfurt, onde foi ordenado padre em 1507. Lutero, em 1512, é superior do Convento Agostiniano de Wittenberg, doutor em teologia e em exegese bíblica, lecionando sobre as Cartas Paulinas aos Gálatas e aos Romanos.
Lutero, por uma formação religiosa deficiente, onde contava muito o peso e o medo da condenação eterna, sofria o pavor do inferno, era escrupuloso. Alcançou a paz interior entre 1512-1513, na famosa Experiência da Torre (Turmerlebnis): após muita oração, Deus lhe permitiu descobrir que a salvação é dada ao homem somente pela fé em Cristo, como puro dom, e não como recompensa pelas obras (Rm 1,17). Sentiu paz interior e nunca mais a perdeu, mesmo no ardor do combate reformador.
A PREGAÇÃO DAS INDULGÊNCIAS E O INÍCIO DA REFORMA
O príncipe Alberto de Brandenburgo, arcebispo de Magdeburgo e de Halberstadt, estava necessitando de grande soma financeira, pois, não satisfeito com as duas dioceses, queria uma terceira, a poderosa e rica Mogúncia (Mainz). Para adquirir o direito, o papa Leão X facultou-lhe a venda das Indulgências, pois também precisava de dinheiro para a construção da Basílica de São Pedro. A Indulgência, na doutrina da Igreja, é a remissão das penas devidas pelos pecados já perdoados e podem ser alcançadas pela oração dos fiéis.
No clima do final da Idade Média, essa doutrina tinha-se corrompido e neurotizado, a ponto de se achar possível “comprar” a salvação mediante pagamento. Dizia-se: “Mal o dinheiro tilinta no cofre, uma alma respinga do purgatório”. Um horror para as almas sensíveis, como a de Lutero! Em 1515, o dominicano Johann Tetzel iniciou a pregação das Indulgências em Juterborg, com grande sucesso nas massas católicas, ansiosas por adquirirem a sua salvação e a de seus queridos. Lutero tomou contato com esse negócio e resolveu solicitar uma discussão com os teólogos e doutores.
Assim, em 31 de outubro de 1517 enviou a bispos e teólogos suas 95 Teses sobre as Indulgências, redigidas em latim (não é certo que as tenha afixado na capela do Castelo de Wittenberg). As Teses logo se espalharam pelo país, criando um clima amplamente favorável à insurreição religiosa. Surge grande movimentação popular, mas o papa Leão X não se preocupou, pois não queria desagradar ao príncipe eleitor Frederico da Saxônia, amigo de Lutero. Em 1518, em vão, o cardeal Caetano tentou convencer Lutero em Augsburg.
Em 1519, há uma discussão entre o teólogo católico J. Eck e o amigo de Lutero, Karlstadt, em Leipzig. Os dois lados consideraram-se vencedores, pois os dois campos não tinham mais um ponto de partida comum. Houve teólogos, humanistas e artistas que desejavam permanecer na fé católica, mas viam no movimento luterano um modo de renovar a fé cristã e os costumes eclesiásticos.
ROMPE-SE A COMUNHÃO ENTRE
ROMA E PARTE DA IGREJA ALEMÃ
O ano de 1520 marcou o ponto culminante da impossibilidade de um retorno à unidade eclesial. Lutero, influenciado pelos amigos humanistas, assume uma linguagem sempre mais radical e se erige em herói da revolta nacional alemã contra Roma. A linguagem religiosa mistura-se com o nacionalismo alemão e a atração sobre as massas torna-se quase irresistível. São do período os três escritos programáticos da Reforma: “À nobreza cristã da nação alemã”, “O cativeiro babilônico” e “A liberdade cristã”, nas quais expõe o novo ideal de vida de um cristão: livre de todas as coisas terrenas, mas servo de todos na caridade.
Ali iniciou a tradução da Bíblia para o alemão, partindo do texto original e cotejado com a Vulgata e a tradução de Erasmo. Uma grande obra, terminada em 1534 e que uniu mais ainda o povo alemão nos ideais da Reforma. Em 1522, organizou a “Missa alemã” e o novo culto da comunidade, com imenso sucesso popular: o culto é na língua alemã e os hinos seguem o espírito musical alemão. Lutero era também poeta e compositor e ele próprio compôs alguns hinos. Não havendo acordo, em 15 de junho de 1520 sai a bula papal “Exsurge Domine”, condenando como heréticas 41 Teses luteranas, que Lutero queima em praça pública. Em 3 de janeiro de 1521, é proclamada a excomunhão e, em 25 de maio, por ordem do imperador Carlos V, frei Martinho Lutero foi banido do Império. Para fugir do processo inquisitorial, nos anos 1521-1522 se refugiou no castelo de Wartburg, com o falso nome de Junker Jörg, onde procurou examinar sua consciência e sua vida, ver se não tinha ido longe demais. Sentiu-se em paz para continuar.
UM PONTO SEM RETORNO
No seu “exílio” em Wartburg, Lutero lançou um livro contra os votos religiosos, que conquistou para a causa luterana um grande número de monges e monjas. A Igreja parecia estar a caminho da autodestruição: muitos padres começaram a casar-se, os monges e monjas, primeiramente os agostinianos de Wittenberg (que depois dissolveram a Ordem), abandonaram os conventos. Em 1525, Martinho Lutero casou-se com a exmonja Catarina Bora. A debandada nos conventos foi o sinal mais claro e doloroso da decadência de mosteiros e conventos, onde muitos se encontravam constrangidos.
A Missa privada foi suprimida, a comunhão ministrada sob as duas espécies, as imagens afastadas do culto. No meio tempo surgiu um movimento radical, o dos anabatistas: julgando nulo o batismo das crianças, rebatizavam os adultos. A situação se agravava a cada dia. Cidades inteiras aderiram à Reforma e alguns príncipes o fizeram por interesse, pois os bens de mosteiros e conventos passariam para as suas mãos. A convulsão social fez com que muitos intelectuais, príncipes e teólogos passassem a se opor a Lutero e, retornando à Igreja católica, lutar por sua reforma, mas permanecendo nela.
Os papas do período não parecem ter-se dado conta da gravidade da situação. Alguns viram a necessidade de uma reforma na “cabeça e nos membros”, da convocação de um Concílio Ecumênico, mas isso esbarrava no desejo de se conservarem todos os privilégios eclesiásticos. A Cúria romana queria uma reforma, mas sem nada perder.

 

Por  Pe. José A. Besen com introdução do Blog Ecclesia Militan. 

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Sobre Hellen

Católica militante, expatriada, mãe e arquiteta e estudante de Direito. Quando há tempo, engajada na "missão" de defender a fé católica e evangelizar aos irmãos católicos, especialmente aqueles afastados da Santa Fé . I am an expat architect, law student and Catholic mommy who's taken on blogging. I've doing this for a few years now and I'm totally hooked up. All for the Glory of God!
Esse post foi publicado em Apologética Católica, Autoridade Eclesial, Reforma Protestante - Doutrinas e marcado . Guardar link permanente.

5 respostas para Lutero: A verdadeira história

  1. alex disse:

    Nao leio textos sem notas de bibliografias.

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  2. cronipoesias disse:

    *

    Frente à imperturbável
    Teresa de Ávila “tudo
    passa e Deus não muda”?

    “Não mintam jamais,
    mas nem sempre é caridosa
    a inteira verdade”?

    – FLASh

    http://www.basilicasantateresinha.org.br/basilica/portal-das-rosas/escritos/
    https://g.co/kgs/AHDcMZ
    https://padrepauloricardo.org/episodios/como-me-relacionar-com-o-meu-anjo-da-guarda

    *

    Agridoces versos
    inspirados nos sábios
    conselhos do neurocientista
    Bruno Pitanga, formando singelo

    Poema
    de haicais,

    EXTASIADA PRECE?

    – Fernando L A Soares (FLASh)

    Ocupados corpo
    e mente com coisas boas
    tornam cruz mais leve?

    Baixando a poeira,
    com a cabeça fria enfim,
    dá alguém passo em falso?

    Suaves vibrações
    bondosa palavra ecoando
    feito bumerangue?

    Trinado de pássaros
    e frescor do meio ambiente
    ofertando a alfombra?

    Cultivado amor
    à virtude o animalesco
    instinto suplanta?

    Teu sexto sentido
    e o anjo da guarda não são
    divinos escudos?

    Santa paciência
    no purgatório resgata
    apenadas almas?

    O mais lindo encanto
    de uma princesa não é
    a simplicidade?

    Desprendido ser
    às pessoas e nações
    concórdia inspirando?

    O amor de Francisco
    à mãe natureza traz
    paraiso de volta?

    Ao mundo transformas
    com bravatas ou cumprindo
    pequenos deveres?

    Andarilho exemplo
    de virtude fartas almas
    não arrasta ao céu?

    Espontânea prece
    da alma sábia mergulhando
    na celeste abóboda?

    Voz ecoa em Fátima –
    “Por fim meu Imaculado
    Coração triunfará.”

    – FLASh

    http://pitangabruno.blogspot.com.br/2016/04/pra-viver-melhor.html?m=1

    *

    Em tempo,

    Podando à sábia recomendação do Bruno Pitanga de rezar também aos santos, triste alma evangélica?

    – FLASh

    https://igrejamilitante.wordpress.com/2011/05/10/se-o-santos-estao-mortos-por-que-rezar-a-eles-uma-visao-catolica-de-eclesiastes-9/

    *

    Fernando Lopes de Almeida Soares
    (FLASh) IFP/RJ 2477412
    Rua Joanésia, 316 ap 301 Serra
    30240-030 Belo Horizonte, MG
    poetafernandosoares@gmail.com
    facebook.com/cronipoeta
    cronipoesias.blogspot.com
    @twiflashes
    WhatsApp etc 319 9882 5505 Oi?

    .

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  3. amaral disse:

    Os protestante não falam a verdadeira face de Lutero, leia seus próprios livros e de seus companheiros, vai descobrir quem foi Lutero.

    Martinho Lutero foi anti-semita:[14] [15] [16]

    “A Alemanha deve ficar livre de judeus, aos quais após serem expulsos, devem ser despojados de todo dinheiro e jóias, prata e ouro, e que fossem incendiadas suas sinagogas e escolas, suas casas derrubadas e destruídas (…), postos sob um telheiro ou estábulo como os ciganos (…), na miséria e no cativeiro assim que estes vermes venenosos se lamentassem de nós e se queixassem incessantemente a Deus”. – “Sobre os judeus e suas mentiras” de Martinho Lutero.[17] [18] [19] [20]

    O historiador Robert Michael escreve que Lutero estava preocupado com a questão judaica toda a sua vida, apesar de dedicar apenas uma pequena parte de seu trabalho para ela.[21] [22] [23] Seus principais trabalhos sobre os judeus são Von den Juden und Ihren lügen (“Sobre os judeus e suas mentiras”), e Vom Schem Hamphoras und vom Geschlecht Christi (“Em Nome da Santa linhagem de Cristo”) – reimpressas cinco vezes dentro de sua vida – ambas escritas em 1543, três anos antes de sua morte.[23] Nesses trabalhos Lutero afirmou que os judeus já não eram o povo eleito, mas o “povo do diabo”.[23] A sinagoga era como “uma prostituta incorrigível e uma devassa maléfica” e os judeus estavam “cheios das fezes do demónio,… nas quais se rebolam como porcos”[22] Lutero aconselhou as pessoas a incendiarem as sinagogas, destruindo os livros judaicos, proibir os rabinos de pregar, e apreender os bens e dinheiro dos Judeus e também expulsá-los ou fazê-los trabalhar forçosamente.[20] Lutero também parecia aconselhar seus assassinatos,[24] escrevendo “É nossa a culpa em não matar eles.”[25]
    A campanha contra os judeus de Lutero foi bem sucedida na Saxónia, Brandemburgo, e Silésia. Josel de Rosheim (1480-1554), que tentou ajudar os judeus na Saxónia, escreveu em seu livro de memórias a situação de intolerância foi causada por “(…) esse sacerdote cujo nome é Martinho Lutero – (…) seu corpo e alma vinculada até no inferno!! – que escreveu e publicou muitos livros heréticos no qual disse que quem ajudasse judeus seriam condenados à perdição.”[26] Josel teria pedido a cidade de Estrasburgo para proibir a venda das obras antijudaicas de Lutero; porém seu pedido foi-lhe negado quando um pastor luterano de Hochfelden argumentou em um sermão que os seus paroquianos deviam assassinar judeus. O anti-semitismo de Lutero persistiu após a sua morte, ao longo de todo o ano 1580, motins expulsaram judeus de vários estados luteranos alemães.[23] [27]

    A opinião predominante[28] entre os historiadores é que a sua retórica antijudaica contribuiu significativamente para o desenvolvimento do anti-semitismo na Alemanha,[29] [30] [31] [32] [33] e na década de 1930 e 1940 auxiliou na fundamentação do ideal do nazismo de ataques a judeus.[34] O próprio Adolf Hitler em sua autobiografia Mein Kampf considerou Lutero uma das três maiores figuras da Alemanha, juntamente com Frederico, o Grande, e Richard Wagner.[35] Em 5 de outubro de 1933, o Pastor Wilhelm Rehm de Reutlingen declarou publicamente que “Hitler não teria sido possível, sem Martinho Lutero”.[36] Julius Streicher, o editor do jornal Nazista Der Stürmer, argumentou durante sua defesa no julgamento de Nuremberg “que nunca havia dito nada sobre os judeus que Martinho Lutero não tivesse dito 400 anos antes”.[37] Em novembro de 1933, uma manifestação protestante que reuniu um recorde de 20.000 pessoas, aprovou três resoluções:[38]

    Adolf Hitler é a conclusão da Reforma;[38]
    Judeus Batizados devem ser retirados da Igreja;[38]

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  4. Marco Saraceni disse:

    Lutero foi importante para a Igreja Católica, pois fez abrir os nossos olhos com relação aos atos que foram praticados no passado. Que pena que deixou-se influenciar por correntes contrárias e o fez caminhar em direção oposta.
    Um texto bem interessante que nos faz pensar e refletir e ver o quão podemos aprender ainda mais. Parabéns!

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