Primado de Pedro Parte II: Jesus chamou a Pedro, e não sua confissão, de Pedra


Primado de Pedro – Parte I: Onde Jesus chamou a Pedro de Papa?

De acordo com a Sagrada Escritura, Pedro foi o  líder dos Apóstolos e seu ofício foi divinamente delegado por Jesus, Filho de Deus. A Sagrada Tradição atesta que seu ministério foi concluído em Roma, cidade onde era bispo e foi morto como mártir da fé para a Glória de Cristo. Entretanto, muitos cristãos contestam o primado de Pedro com inúmeros argumentos, que como demonstrarei abaixo, podem ser facilmente refutados.

Se o evangelho em grego usou-se da palavra “Petros” e não “Petra” é porque ao contrário do aramaico, em grego antigo não é possível atribuir um nome feminino adequado a uma pessoa do sexo masculino (seria como chamar um homem em Português, de “Pedrina” ao invés de Pedro). Este fato tem sido reconhecido por muitos estudiosos, incluindo protestantes, entre os quais podemos citar D. A Carson, R.T. França, Oscar Cullmann, Ridderbos Herman, Craig Blomberg, William F. Albright, C.S. Mann, Craig S. Keener, Francis Wright Beare, Eduard Schweizer, Ivor H. Jones, M. Eugene Boring, Thomas G. Long, Richard B. Gardner e outros.

Mas talvez o que torna a objeção protestante mais improvável, ou seja,   o argumento de que a confissão de Pedro ou o próprio Crito, seria  a ‘rocha’ sobre a qual Jesus fundou Sua Igreja, é o fato de que há evidências suficientes para crermos que Cristo disse aquelas palavras em Mateus 16:18 não em grego, mas em aramaico (uma língua ou dialeto do hebraico usado por Jesus e seus discípulos). Prova disso é que em João 1:42, São João nos diz que o nome dado a Pedro foi Cefas (em aramaico) e não Petros (em grego):

“E levou-o a Jesus. Jesus olhou para ele, “Tu és Simão, filho de Jonas, tu serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).”

Cefas (em grego = Κηφᾶς ou Kephas) ​​é uma transliteração da palavra aramaica Kepha (rocha). Pedro é conhecido em toda as cartas de Paulo repetidamente por este nome, portanto realmente não faz sentido alegar que esse não fosse que o nome dado a ele por Jesus.

“Refiro-me ao fato de que entre vós se usa esta linguagem: Eu sou discípulo de Paulo; eu, de Apolo; eu, de Cefas; eu, de Cristo….” [1 Corintios 1,12]

“… Paulo, Apolo, Cefas, o mundo, a vida, a morte, o presente e o futuro. Tudo é vosso! ” [1 Corintios 3,22 ]

“Acaso não temos nós direito de deixar que nos acompanhe uma mulher irmã, a exemplo dos outros apóstolos e dos irmãos do Senhor e de Cefas [1 Corintios 9,5]

“… apareceu a Cefas, e em seguida aos Doze. “[1 Corintios 15,5]

“… Três anos depois subi a Jerusalém para conhecer Cefas, e fiquei com ele quinze dias.” [Gálatas 1,18]

“… Tiago, Cefas e João, que são considerados as colunas… [Gálatas 2,9]

“Quando, porém, Cefas veio a Antioquia, resisti-lhe francamente, porque era censurável.” [Gálatas 2,11]

“Quando vi que o seu procedimento não era segundo a verdade do Evangelho, disse a Cefas, em presença de todos: Se tu, que és judeu, vives como os gentios, e não como os judeus, com que direito obrigas os pagãos convertidos a viver como os judeus? “[Gálatas 2,14 ]

Então, se Jesus chamou Pedro de “Kephas” (Cefas) deve ter dito “Tu és Kephas e sobre esta Kephas edificarei a minha igreja”, onde Pedro figura, sem dúvida, como a rocha sobre a qual está construída a Igreja.

Note-se que Kephas significa “Rocha” em aramaico e para se referir a uma simples pedra há outra palavra “evna”. Se Cristo desse a Pedro o nome de “pequena pedra ou seixo”  o teria chamado de “evna” e não “Kephas”.

Mas isso não é prova o suficiente apenas para crermos que Cristo falava aos seus discípulos em aramaico Mateus 16:18, mas também  que o evangelho  de Mateus foi escrito nesse idioma e depois traduzido para o Grego, exatamente como aconteceu com a Setuaginta, a Biblia judia, originalmente escrita em Hebraico e depois traduzida para o Grego. 

Talvez o mais impressionante seja o testemunho unânime da Igreja primitiva sobre a origem deste Evangelho. O mais antigo que temos em mãos é o de São Papias, discípulo do apóstolo João (De acordo com Santo Irineu de Lyon). Seu testemunho foi coletado por Eusébio em História Eclesiástica:

“Esta é a referência de Papias Marcos. Mateus tinha isto a nos dizer: compilou os dizeres [logia de Cristo] em hebraico e traduziu-os cada  um do melhor modo que podiam “[31]

Segundo o  historiador protestante Paul L. Meier,  quando Papias disse hebraico, provavelmente designava  aramaico, e o Novo Testamento.

Outra testemunha quase tão antiga quanto a de Santo Irineu de Lyon (um discípulo de São Policarpo, que era um discípulo de João e companheiro de Papias):

“Mateus (pregava) para os hebreus em sua própria língua, também escreveu o Evangelho quando Pedro e Paulo evangelizavam e fundavam a Igreja. Uma vez que eles morreram, Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro, também nos transmitiu por escrito a pregação de Pedro. Lucas, também um seguidor de Paulo, escreveu em um livro “O Evangelho pregado” [Ireneo de Lyon, Contra as heresias 3.3.]

Orígenes também dá testemunho disso, como afirma Eusebio:

“Aprendi pela tradição que os quatro Evangelhos são inquestionáveis na Igreja de Deus. O primeiro a ser escrito foi Mateus, que era cobrador de impostos, mas depois se tornou um apóstolo de Jesus Cristo, e publicado em hebraico para crentes judeus … “[Orígenes, citado por Eusebio em Historia Eclesiástica. Tomado de Eusebio, Historia da Iglesia, Paul L. Meier, pág. 226]

Eusébio e os outros atestaram o mesmo:

“Mateus pregou aos judeus primeiro, e quando eles planejavam ir a outros, escreveu seu Evangelho em sua língua nativa para aqueles que deixaria, preenchendo o vazio deixado escrito em sua partida” [ Eusebio, Historia da Iglesia, Paul L. Meier, pág. 113.]

Santo Atanásio em sua sinopse da Sagrada Escritura diz a mesma coisa:

“O Evangelho de Mateus foi escrito por Mateus em dialeto hebraico (aramaico), publicado em Jerusalém, e Tiago, o irmão do Senhor fez uma tradução” [Fonte: Cornelius A. Palide, The Great Commentary upon the Holy Scriptura, trans. Thomas W. Mossman, (London: John Hodges, 1893), p.xxxvii.]

São João Crisóstomo, em sua homilia sobre Mateus escreve:

“De Mateus é novamente dito, que quando  aqueles que entro os judeus haviam crido e vinham a ele, ao ter que partir , lhes deixava por escrito as mesmas coisas que ele lhe tinha falado verbalmente, ele também compôs seu Evangelho na língua dos hebreus” [ Fonte: Homilies of St. John Chrysostom of the Gospel According to St. Matthew, in Philips Schaff, ed., Nicene and Post-Nicene Fathers-Chrysostom, vol. 10,(n.p.:Christian Literature Pub. Co. 1888; rep. Peabody, MA: Hendrickson, 1994), 3]

Epifânio de Salamina, em Panarion escreve:

“Eles tinham o completo evangelho de Mateus em hebraico. Porque não há nenhuma dúvida de que ainda seja preservado por eles em hebraico,  tal como originalmente escrito “[Epiphanius, Bishop of Salamis: Selected Passages, (New York: Oxford, 1990), 93]

Mas se isso não bastasse, São Jerônimo atesta que ele pessoalmente viu o Evangelho de Mateus escrito em hebraico, que ele transcreveu sua própria cópia [The Great Commentary upon the Holy Scriptures, trans. Thomas W. Mossman, (London: John Hodges, 1893), p. Xxxvii].

San Agostinho repete a mesma:

“Das quatro [Evangelhos] é verdade, só Matthew é conhecido por ter escrito em hebraico, o resto em grego” [The Harmony of the Gospels, 1:1:4, in Philips Shaff, ed., Nicene nd Post-Nicene Fathers-Augustin, vol. 6, (n.p.: Christian Literature Pub. Co., 1888; rep. Peabody, MA: Hebdrickson, 1994,78)]

Estas são apenas algumas das muitas testemunhas, e poderíamos acrescentar São Cirilo de Jerusalém, Gregório Nazianzeno, e todos os escritores eclesiásticos da Idade Média que repetiram que Mateus escreveu em dialeto hebraico (aramaico).

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Sobre Hellen

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7 respostas para Primado de Pedro Parte II: Jesus chamou a Pedro, e não sua confissão, de Pedra

  1. JAIME disse:

    O Primado de São Pedro foi incontestável antes de nascerem as seitas protestantes

    VEJAM

    Jesus Cristo fundou uma Igreja monárquica, conferindo a S. Pedro o Primado de jurisdição sobre toda a Igreja.

    Argumento escriturístico.

    O Primado de S. Pedro deduz-se das palavras da promessa e das palavras da colação do primado.

    Palavras da promessa. As palavras com que Jesus Cristo prometeu a S. Pedro o primado de jurisdição foram conferidas em Cesaréia de Filipo. Jesus interrogara os discípulos para que dissessem que opiniões corriam a seu respeito. S. Pedro em seu próprio nome, por inspiração espontânea, confessou que “Jesus era o Cristo, o Filho de Deus vivo”.

    Foi então que o Salvador lhe dirigiu as célebres palavras: “Bem-aventurado és tu, Simão, filho de João, porque não foram a carne nem o sangue que to revelaram, mas sim meu Pai que está nos céus. Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra eu edificarei a minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do reino dos céus, e tudo o que ligares na terra será ligado nos céus, e tudo o que desligardes na terra será desligado nos céus” (Mat. XVI, 17-19).

    Ponhamos em relevo três pontos deste texto, que provam a nossa tese:

    Jesus muda o nome de Simão em Pedro. Ora, segundo o uso bíblico, a mudança de nome é sinal de um benefício. Quando Deus quis estabelecer uma aliança com Abraão e constituí-lo pai dos crentes mudou-lhe o nome de Abram em Abraão (Gen. XVII, 4s).

    No nosso caso, o novo nome dado por Jesus a Simão, simboliza a missão que Jesus quer lhe confiar. Para o futuro Simão chamar-se-á Pedro, porque há de ser a pedra, ou a rocha sobre a qual Jesus quer fundar a sua Igreja. O trocadilho, que tem toda a sua força na língua aramaica, na qual o nome “Kepha” dado por Jesus á Pedro é masculino e significa rocha, pedra, desaparece em grego e em latim, porque nessas línguas Pedro se diz Petros ou Petrus, e rocha, petra.

    Pedro será, com respeito à sociedade cristã, à Igreja de Cristo, o que é a rocha com respeito ao edifício: fundamento sólido que assegurará a estabilidade de todo o edifício, rochedo inabalável, que desafiará os séculos, e sobre o qual se virão quebrar as portas do inferno, ou por outras palavras, os assaltos e o poder do demônio.

    Finalmente as chaves do reino dos céus foram confiadas a S. Pedro. A entrega das chaves é um privilégio insigne e especial que confere um poder absoluto. Compara-se o reino dos céus a uma casa. Ora, só poderá entrar em casa quem tem as chaves em seu poder, e aqueles a quem ele quiser abrir a porta. Pedro é constituído único intendente da casa cristã, único introdutor do reino de Deus. É inútil insistir mais. A promessa de Cristo é tão clara que não pode haver dúvida acerca da sua significação. Só a Pedro se muda o nome, só ele é chamado fundamento da futura Igreja, só a ele serão entregues as chaves; se as palavras têm algum sentido, só podem significar o primado de Pedro.

    Objetam os adversários, segundo sempre a mesma tática, que a passagem da questão não é autêntica e que foi interpolada quando a Igreja tinha já completado a sua evolução e adquirido a forma católica. A prova está em que só Mateus refere as palavras de Nosso Senhor.

    Resposta. A objeção fundada no silêncio de S. Marcos e de S. Lucas não tem valor algum. A dificuldade teria alguma força se os adversários conseguissem provar que a narração dessa passagem era exigida pelo assunto que tratavam. Ora, não conseguem fazer essa demonstração; logo, o silêncio dos dois sinóticos deve atribuir-se a motivos literários, que não admitiam a entrada do texto nas suas narrativas.

    Palavras da colação. Duas passagens do Evangelho nos atestam que Jesus conferiu efetivamente a Pedro o poder supremo que lhe tinha prometido.

    Missão, confiada a Pedro, de confirmar os seus irmãos. Algum tempo antes da Paixão, Jesus anunciou aos apóstolos a sua falta próxima. Quando predisse a de Pedro declarou que tinha orado especialmente por ele: “Simão, Simão, eis que Satanás vos pediu com insistência para vos joeirar como trigo; mas eu roguei por ti, para que não desfaleça a tua fé; e tu, uma vez convertido, confirma os teus irmãos” (Luc. XXII, 31s). Quando os Apóstolos, depois de sucumbir à tentação, se erguerem de sua queda, purificados das fraquezas do passado pela prova, como o crivo que aparta a palha do grão, é Simão que tem a missão de os confirmar. Essa missão supõe evidentemente o primado de jurisdição.

    S. Pedro é nomeado o pastor das ovelhas de Cristo. A cena passa-se após a Ressurreição. Eis como se refere S. João (João XXI, 15-17): Três vezes perguntou Jesus a Pedro se o amava e três vezes Pedro fez protestos de amor e dedicação inabalável. Então o Salvador, sabendo que estava na véspera de deixar os seus discípulos, confia a Pedro a guarda do seu rebanho, isto é, confia-lhe e cuidado de toda a cristandade, dos cordeiros e das ovelhas. “Apascenta os meus cordeiros”, repete duas vezes; e à terceira: “apascenta as minhas ovelhas”.

    Ora, conforme o uso corrente nas línguas orientais, a palavra “apascentar” significa governar. Apascentar os cordeiros e as ovelhas é, portanto, governar com autoridade soberana a Igreja de Cristo; é ser o chefe supremo; é ter o primado.

    Argumento histórico. Se encararmos a questão somente sob o aspecto histórico, temos duas teses opostas ntre si: a racionalista e a católica.

    Tese racionalista. Segundo os racionalistas, o texto “tu és Pedro e sobre esta Pedra edificarei a minha Igreja” “só teve o sentido e o alcance dogmático, que os teólogos papistas atribuíram no século III, quando os Bispos de Roma dele se tiveram necessidade de fundar as suas pretenções então nascentes” (Sabatier, op. cit., p. 209).

    O Primado de S. Pedro nunca foi reconhecido pelos outros apóstolos, mormente por S. Paulo, que nem sempre nomeia Pedro em primeiro lugar (I Cor. I, 12; III, 22; Gal. II, 9), nem receia “resistir-lhe abertamente” (Gal. II, 11).

    Tese católica. Nos Atos dos Apóstolos encontra o historiador católico numerosos testemunhos para provar que S. Pedro exerceu o primado desde os primeiros dias da Igreja nascente.

    Depois da Ascensão, S. Pedro propõe a eleição de um discípulo para ocupar o lugar de Judas e completar o colégio dos Doze (At. I, 15-22).

    É ele o primeiro que prega o Evangelho aos judeus no dia de Pentecostes (At. II, 14; III, 16).

    É S. Pedro que, inspirado por Deus recebe na Igreja os primeiros gentios (At. X, 1).

    Visita as igrejas (At. IX, 32).

    No Concílio de Jerusalém põe termo à longa discussão que ali se trava, decidindo que não se deve impor a circuncisão aos pagãos convertidos, e ninguém ousou opor-se à sua decisão (At. XV, 7-12). Se S. Tiago fala, depois de S. Pedro ter emitido o seu parecer, não foi para discutir a sua opinião, mas unicamente porque, sendo Bispo de Igreja de Jerusalém, julgou que se deviam impor aos gentios algumas prescrições da lei mosaica, cuja infração podia escandalizar os cristãos de origem judaica, que constituíam a maior parte do seu rebanho. Pedia S. Tiago que os gentios se abstivessem:

    Dos alimentos oferecidos aos ídolos;

    Da impureza, que os pagãos não consideravam como falta grave;

    Das carnes sufocadas;

    Do sangue, cujo uso estava interdito aos judeus (At. XVII, 20).

    No parecer de S. Tiago essas prescrições evitariam o escândalo dos fracos e serviriam para aplanar dificuldades entre os cristãos de diversas proveniências.

    Objetam alguns que S. Paulo nunca reconheceu o primado de S. Pedro. Como se explica neste caso que, três anos depois da conversão, foi a Jerusalém expressamente para o visitar? (Gal. I, 18s). Porque não foi antes a S. Tiago (que era o Bispo de Jerusalém) a aos outros? Não será esta uma prova evidente de que o reconhecia como chefe dos Apóstolos?

    Porque é que S. Paulo, replicam, não nomeiam Pedro sempre em primeiro lugar? A razão é simples. S. Paulo nunca faz menção de todo o colégio apostólico, e apenas fala incidentalmente de alguns. As vezes, como sucede na sua Epístola aos Coríntios (I Cor. I, 12), nomeia-os em gradação ascendente, pondo o nome de Cristo depois do nome de S. Pedro.

    Mas, dizem os racionalistas, não devemos esquecer-nos do conflito de Antioquia, no qual S. Paulo resistiu aberta e publicamente a S. Pedro. Para que os adversários não julguem que procuramos fugir das dificuldades, referiremos aqui o caso com as próprias palavras de Paulo (Gal. II, 11-14): “Quando Cefas veio a Antioquia, eu resisti-lhe abertamente, porque era repreensível. Com efeito, antes de chegarem os que tinham estado com Tiago, ele comia com os gentios: mas depois que eles chegaram, subtraía-se e separava-se dos gentios, temendo ofender os que eram circuncidados. E os outros judeus consentiram na sua simulação. Mas quando eu vi que eles não andavam retamente conforme a verdade do Evangelho, disse a Cefas diante de todos: Se tu, sendo judeu, vives como os gentios e não como os judeus, porque obrigas tu os gentios a viver como judeus?”

    Como se vê nessa passagem, o conflito originou-se da famosa questão, levantada pelos judaizantes, a saber, e a lei judaica era obrigatória e se era preciso passar pela circuncisão para entrar na Igreja cristã. Ora, os dois apóstolos – fixemos bem este ponto – estiveram sempre de acordo, defendendo ambos a negativa; portanto, nunca houve conflito entre eles no terreno dogmático. O litígio consistia em que S. Pedro, para não provocar as recriminações dos judaizantes, absteve-se de comer com os gentios que se tinham convertido sem passar pelo judaísmo.

    Esta maneira de proceder podia ser diversamente interpretada.

    Podia ser uma simples medida de prudência justificada pelo fim que se queria obter. Sendo um, apóstolo dos circuncidados e outro dos incircuncisos, não é para admirar que os dois apóstolos tenham adotado posturas diferentes nesta questão disciplinar. Não se conta porventura nos Atos dos Apóstolos que o próprio S. Paulo, numa circunstância idêntica, procedeu do mesmo modo, circuncidando Timóteo por causa dos judeus que havia naquelas regiões (Lístria e Icônio), apesar das suas convicções serem diversas? (At. XVI, 3).

    Também se podia tomar o procedimento de S. Pedro por covardia ou hipocrisia: deste modo o julgou S. Paulo. Pensou que para evitar as funestas conseqüências do procedimento de S. Pedro, devia repreendê-lo. É um caso de correção fraterna dada por um inferior, e na qual este parece ter faltado na moderação e deferência devidas a um superior hierárquico, deixando levar-se por um zelo indiscreto.

    Se S. Paulo, objetamos nós, dava tanta importância ao procedimento de S. Pedro, não será porque a sua influência nas Igrejas era maior e mais incontestável? Logo, podemos concluir que o conflito de Antioquia, longe de ser um argumento contra o primado da Pedro, é testemunho em seu favor.

    Segunda parte: O primado dos sucessores de Pedro

    O primado conferido por Jesus a S. Pedro será acaso um dom pessoal, uma espécie de carisma, ou um poder transmissível a seus sucessores? Neste segundo caso, quais são os sucessores de S. Pedro? Responderemos a essas perguntas mostrando:

    Que o primado de Pedro é um poder permanente, e;

    Que os sucessores de S. Pedro são os Bispos de Roma.

    Tese I – O primado de S. Pedro é transmissível

    Esta proposição prova-se com dois argumentos: um escriturístico e outro histórico.

    Argumento escriturístico. Do texto de S. Mateus (XVI, 17-19) já citado para provar o primado deduz-se que Pedro foi escolhido para fundamento da Igreja e que recebeu as chaves do reino dos céus. Ora, como o fundamento deve durar enquanto durar o edifício, e Jesus prometeu que havia de estar com a Igreja até o fim do mundo (Mat. XXVIII, 20), segue-se que o primado, princípio e fundamento do edifício, deve durar para sempre e, por conseguinte, deve poder transmitir-se aos seus sucessores. Além disso, a autoridade do primado há de ser tanto mais necessária quanto mais se desenvolver a Igreja e mais estender os seus ramos ao longe: quanto maior é o exercito tanto mais necessidade tem de um chefe supremo.

    Argumento histórico. Se o primado foi transmitido aos sucessores de Pedro, a história deve dar nisso testemunho. Esta questão confunde-se com a tese seguinte, no qual veremos quem são os sucessores de S. Pedro.

    Tese II – Os sucessores de S. Pedro no primado são os Bispos de Roma

    Para o provarmos temos que demonstrar:

    Que Pedro esteve em Roma e que foi o primeiro Bispo desta Igreja;

    Que a primazia dos Bispos de Roma, seus sucessores, foi sempre reconhecida por toda a Igreja. É uma questão histórica.

    A permanência e a morte de S. Pedro em Roma. Estado da questão.

    Trata-se de investigar se S. Pedro esteve na capital do Império romano e se aí fundou uma comunidade cristã. Não é necessário provar que permaneceu durante muito tempo em Roma, nem que a sua permanência foi contínua. Alguns católicos, como Barónio, sustentaram que o pontificado de S. Pedro em Roma começou no ano 42 e durou 25 anos. Parece-nos exagerado; contudo esta opinião funda-se em vários testemunhos de valor:

    No catálogo liberiano, que contém a cronologia dos papas como era recebida na Igreja romana;

    No testemunho de Lactâncio; e

    No do historiador Eusébio.

    Destes testemunhos podemos deduzir que era tradição geral e constante no século IV que S. Pedro veio a Roma e governou a Igreja durante 25 anos. E como é quase certo que o catálogo liberiano deriva do catálogo de Hipólito e que Eusébio se serviu dos catálogos anteriores e especialmente da lista de S. Ireneu, segue-se que os testemunhos precedentes representem uma tradição muito anterior a sua época.

    Notemos que os defensores da tese dos 25 anos de episcopado de S. Pedro em Roma não sustentam que ele nunca tivesse se ausentado daquela cidade. Com efeito, os Atos dizem-nos que Pedro esteve em Jerusalém pelas festas da Páscoa no ano 44 e presidiu ao Concílio na mesma cidade no ano 50. O governo de uma igreja não requer a permanência contínua do seu chefe, sobretudo nos tempos primitivos da Igreja.

    A forma da Igreja primitiva não era semelhante à atual, porque os apóstolos eram missionários, que se lembravam das palavras do seu Mestre: “Ide, ensinai todas as gentes”. Diante dum campo tão vasto, seria para estranhar encontrá-los presos a uma residência fixa. Estavam ora num lugar, ora noutro, conforme a sementeira prometia maior messe.

    Os críticos racionalistas e protestantes negaram a permanência e a morte de S. Pedro em Roma, porque na negação destes dois fatos julgavam encontrar um argumento de valor contra o primado do Papa. Mas os seus argumentos eram de tão pouca força que o próprio Renan, em apêndice ao seu livro “Antéchrist” (1873), deu “como provável a permanência de S. Pedro na capital do Império”.

    Os críticos atuais não têm dificuldade de admitir a tese católica. Citemos algumas das linhas de Harnack (“Cronologia”): “O martírio de S. Pedro em Roma foi antigamente combatido pelos preconceitos tendenciosos dos protestantes… Mas foi um erro que todo investigador, que não queira ser cego, pode verificar”. “Hoje em dia”, diz o mesmo crítico num discurso (1907) pronunciado na Universidade de Berlim, “sabemos que esta vinda (de S. Pedro a Roma) é um fato incontestável e que o começo da primazia romana remonta ao século II”.

    Como a tese católica, que afirma que S. Pedro veio a Roma onde fundou uma Igreja e sofreu o martírio, não é contestada pelos nossos adversários (embora haja ainda muitas pessoas teimosas), bastará mencionar rapidamente os principais testemunhos em que se baseia.

    Apresentamo-los por ordem regressiva e de século em século:

    No começo do século III, temos o testemunho do sacerdote romano Caio e de Tertuliano. Caio dizia, escrevendo contra Proclo: “Posso mostrar-te o túmulo dos Apóstolos. Ou venhas ao Vaticano os passes pela via ostiense, poderás ver os sepulcros dos fundadores da nossa Igreja”. Esse testemunho, que é do ano 200 mais ou menos, prova que neste tempo os túmulos do Vaticano e da via de Óstia guardavam as relíquias de S. Pedro e de S. Paulo, fundadores da Igreja de Roma e martirizados no tempo de Nero. Tertuliano nesta mesma época, disputando contra os gnósticos, menciona o martírio que, sob o reinado de Nero, S. Pedro e S. Paulo sofreram em Roma, o primeiro numa cruz e o segundo à espada do algoz.

    Nos fins do século II. S. Ireneu escrevia nas Gálias: “Foram os Apóstolos Pedro e Paulo que evangelizaram a Igreja Romana… por isso, é a mais antiga de todas e a mais conhecida, por conservar a tradição dos apóstolos; por esse motivo, as demais igrejas devem voltar-se para ela e reconhecer-lhe a superioridade”. Dionísio de Corinto escrevia em 170 aos Romanos: “Vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos ensinaram a doutrina evangélica; partindo depois juntos para a Itália, transmitiram-nos os mesmos ensinamentos, pois padeceram o martírio ao mesmo tempo”.

    Entre os padres apostólicos citemos os testemunhos de S. Inácio e do papa S. Clemente. S. Inácio fora condenado às feras e enviado a Roma para ali sofrer o último suplício. Conhecendo os esforços da Igreja de Roma para o salvar, escreveu-lhe que não se opusesse à sua morte, a adjurou-a nestes termos: “Não vo-lo ordeno como Pedro e Paulo; eles eram apóstolos e eu sou apenas um condenado”. “Estas palavras”, diz Mons. Duchesne, “não dizem expressamente que S. Pedro veio a Roma. Mas supondo que tivesse vindo, S. Inácio não teria falado de outra forma; e no caso contrário a frase não teria sentido”. S. Clemente, na Carta aos Coríntios, escrita entre os anos 95 e 98, põe em relevo os padecimentos dos dois apóstolos Pedro e Paulo, dizendo que “são entre nós o mais belo exemplo”. S. Clemente, que é romano e envia sua carta na qualidade de Bispo de Roma, insiste na circunstância, que os atos de heroísmo por ele descritos foram vistos com os seus próprios olhos e que o martírio de S. Pedro e S. Paulo foram um grande exemplo “entre nós”, isto é, em Roma.

    Dos tempos apostólicos temos o testemunho do próprio S. Pedro, que escrevendo aos fiéis da Ásia, data de Babilônia a sua primeira epístola (I Pedro, V, 13). Ora, por “Babilônia”, diz Renan, “S. Pedro quer sem dúvida significar a cidade de Roma. Por esse nome era designada a capital do Império entre as cristandades primitivas”.

    Objetam os protestantes contra a tese católica que S. Lucas nos Atos dos Apóstolos, S. Paulo na sua Epístola aos Romanos e Flávio Josefo, que narra a perseguição de Nero, não fazem menção de S. Pedro.

    Resposta. O argumento fundado no silêncio não tem valor algum, a não ser que se prova que o fato passado em silêncio devia ser tratado ou mencionado pelo historiador. Ora:

    Pelo que diz respeito a S. Lucas, a objeção não tem fundamento algum, porque os Atos dos Apóstolos só descrevem os começos da Igreja Cristã nos doze primeiros capítulos; e do capítulo X em diante só falam dos Atos de Paulo. Além disso, os Atos não são de modo algum completos, pois não falam também do conflito de Antioquia.

    Não nos deve causar admiração que S. Paulo não mencione S. Pedro na Epístola aos Romanos, pois em nenhuma das outras epístolas costuma saudar os bispos da cristandade ou igreja a que se dirige. Quando fala aos Efésios também não fala de Timóteo que era o seu bispo.

    Josefo declara expressamente que passava em silêncio a maior parte dos crimes de Nero. Omite a crucificação de S. Pedro, mas também não fala do incêndio de Roma nem da morte de Sêneca.

    Conclusão. O fato da vinda de S. Pedro a Roma e do martírio nesta cidade não tem contra si objeção alguma de peso; e em seu favor temos números e bem fundados testemunhos, que de geração em geração nos levam aos tempos apostólicos.

    Poderíamos também acrescentar que os fatos são confirmados pelos monumentos que nos atestam a presença do Príncipe dos Apóstolos em Roma. Tais são as duas cadeiras de S. Pedro, uma das quais se conserva no Vaticano, as pinturas e as inscrições das catacumbas, que datam do século II, onde o seu nome é mencionado, e sobretudo as escavações feitas debaixo da Basílica de S. Pedro. Dada a configuração do terreno e outras dificuldades técnicas era inexplicável que os cristãos levantassem ali a basílica primitiva, se não quisessem coloca-la precisamente no local do martírio de S. Pedro. Mas não é preciso insistir, porque a tese católica não tem atualmente contra si crítico algum de valor.

    Os Bispos de Roma tiveram sempre a primazia. – É uma questão de direito. Se S. Pedro é o primeiro Bispo de Roma, o primado de Pedro devia transmitir-se aos seus sucessores na sua Sé. Investiguemos a questão de fato e vejamos o eu diz a história.

    Essa tese é da maior importância, porque, se os documentos históricos demonstrassem eu no princípio o primado dos Bispos de Roma não foi reconhecido, a questão de direito ficaria profundamente abalada. Não é, pois, para estranhar, que os racionalistas, protestantes e modernistas se tenham empenhado em provar historicamente que o primado dos Bispos de Roma não existia nos primeiros tempos.

    Tese racionalista. A tese racionalista expõe-se em poucas palavras. Segundo a sua teoria, ao começo todos os bispos eram iguais em autoridade e não havia distinção entre eles. Pouco a pouco foram-se arrogando um poder maior ou menor conforme a importância da cidade em que tinham a sede. Ora, como Roma era a capital do Império romano, os seus Bispos foram considerados como chefes da Igreja universal.

    A esta razão de maior peso juntam-se outras circunstâncias favoráveis, tais como a ambição dos Bispos de Roma, a sua prudência no julgamento das causas submetidas ao seu arbítrio e os serviços por eles prestados na queda do Império.

    O primado do Bispo de Roma começa somente nos fins do século II, quando o papa Vitor, para pôr fim à controvérsia da celebração da festa pascal, “publicou em 194 um edito imperioso que expulsava da comunhão católica e declarava heréticas todas as Igrejas da Ásia e do outras partes, que não seguissem na Páscoa o costume romano” (Sabatier op. cit., p. 193.).

    A tese católica. Os historiadores católicos defendem que o primado do Bispo de Roma foi sempre reconhecido em toda a Igreja. Nos princípios do século IV a primazia é um fato incontestado.

    Todos reconhecem que nesta época os Bispos de Roma falam e procedem com plena consciência em sue primado. O papa Silvestre envia os seus legados para presidirem o concílio de Nicéia (325) e Júlio I declara que as causas dos Bispos devem ser julgadas em Roma. O papa Libério, a quem o imperador Constâncio pediu que condenassem Atanásio – prova que lhe reconhecia o direito – recusa-se a fazê-lo.

    Do mesmo modo, os Padres são unânimes em admitir o primado do Bispo de Roma. S. Optato de Mileto, argumentando contra os donatistas, segundo os quais a Igreja era constituída só pelos justos e a santidade era o distintivo essencial da Igreja, responde que a unidade é também nota essencial e que é absolutamente indispensável permanecer em comunhão com a Cátedra de Pedro. S. Ambrósio considera a Igreja de Roma como o centro e cabeça de todo o universo católico. Os bispos orientais S. Atanásio, S. Gregório de Nazianzo e S. João Crisóstomo falam do bispo de Roma como do chefe da Igreja universal.

    Como o primado de Pedro é universalmente reconhecido no século IV, podemos limitar a nossa investigação aos séculos precedentes. Ora, nos três primeiros séculos, a existência do primado romano é testemunhada pelos escritos dos Padres, pelos concílios e pelo costume que havia de apelar para o Bispo de Roma a fim de dirimir as questões.

    Examinemos, em primeiro lugar, os testemunhos dos Padres da Igreja.

    No século III, Orígenes escrevia ao papa Fabião, a dar conta da sua fé. Tertuliano, antes de cair na heresia, admitia o primado de S. Pedro. Depois de se fazer montanista, mete-o a ridículo, prova de que lhe reconhecia a existência.

    No fim do século II S. Ireneu estabelece como critério das tradições apostólicas a conformidade da doutrina com a Igreja romana, que deve servir de regra de fé, por causa do primado que herdou de S. Pedro. S. Policarpo, discípulo de S. João, e Abécio visitam o Bispo de Roma e consultam-no acerca de assuntos da fé a da disciplina. Os próprios hereges Marcião e os montanista querem que sua doutrina seja aprovada pela Sé Apostólica, No princípio do século II, S. Inácio escreve aos romanos que a Igreja de Roma preside as demais.

    No século I. Em 96, o Bispo de Roma, Clemente, escrevendo aos Coríntios, para chamar à ordem os que injustamente tinham demitido os presbíteros, declaram-lhes que serão réus de falta grave se não lhe obedecerem. O procedimento de Clemente de Roma tem maior importância se considerarmos que nesta época ainda vivia o Apóstolo João que não deixaria de intervir se o Bispo de Roma estivesse no mesmo plano dos outros bispos.

    O primado dos Bispos de Roma foi reconhecido pelos concílios. Não podemos aduzir testemunhos anteriores ao século IV, visto que o primeiro concílio só se realizou em 325, em Nicéia.

    No concílio de Éfeso (431) S. Cirilo de Alexandria, que era o primeiro entre os patriarcas do Oriente, pediu ao Bispo de Roma que sentenciasse e definisse contra a heresia nestoriana.

    Os Padres do concílio de Calcedônia (451), quase todos orientais, dirigiram uma carta ao papa S. Leão a solicitar a confirmação de seus decretos. Este respondeu-lhes com uma carta célebre na qual condenava os erros de Eutiques, e, ao mesmo, enviou legados para que em seu nome presidissem ao concílio. O concílio encerrou-se com essa fórmula: “Assim falou o concílio pela boca de Leão”.

    Os concílios de Constantinopla, – o terceiro celebrado em 680, o oitavo em 869, – o concílio de Florença em 1439, composto de Bispos gregos e latinos, proclamaram sucessivamente o primado do sucessor de Pedro e afirmaram que Jesus Cristo lhe deu, na pessoa de S. Pedro, “plano poder de apascentar, dirigir e governar toda a sua Igreja”.

    O primado dos Bispos de Roma é também testemunhado pelo fato de intervirem em diversas Igrejas para dirimir as questões. Não falando de Clemente de Roma, que pelos fins do século I escreveu à Igreja de Corinto para a trazer ao bom caminho, vemos mais tarde os Bispos orientais, entre outros S. Atanásio e S. João Crisóstomo, apelar para o Bispo de Roma na defesa dos seus direitos.

    Objetam os protestantes:

    Os que tinham o nome de bispos, na realidade eram apenas presidentes do presbyterium;

    Em todo caso, a sua autoridade não era universalmente reconhecida, pois S. Cipriano e os bispos da África resistiram ao decreto do papa S. Estevão que proibia a reiteração do batismo conferido pelos herejes.

    Resposta.

    Para provar que os Bispos eram somente simples presidentes do presbyterium, alegam que a primeira Carta de Clemente de Roma, as cartas de S. Inácio aos Romanos e o Pastor de Hermas não falam dum bispo monárquico de Roma. Ora, já dissemos que o silêncio dum escritor acerca de um fato, não prova necessariamente contra a sua existência. Em 170, Dionísio de Corinto envia uma resposta à Igreja de Roma e não ao seu bispo Sotero, e contudo Harnack, que faz a objeção, admite que Sotero era Bispo monárquico. Pouco importa, portanto, que a primeira carta de S. Clemente de Roma aos Coríntios não tenha a sua assinatura e seja enviada em nome da Igreja de Roma: não há dúvida que o seu autor seja um personagem único, o papa S. Clemente. Ainda que a carta de S. Inácio aos Romanos (107) e o Pastor de Hermas não mencionem o Bispo de Roma, não se deve daí concluir que não existia, pois também não falam dos presbíteros e dos diáconos de Roma, e a sua existência não é impugnada.

    É certo que S. Cipriano, julgando que a reiteração do batismo era sobretudo uma questão disciplinar, resistiu ao decreto do papa Estevão. Mas a resistência de um homem, ainda que muito santo e de muita boa-fé, à autoridade superior, não destrói nem enfraquece essa autoridade. Grandes bispos como Bossuet, aderiram a proposições condenadas, reconhecendo contudo o primado do Soberano Pontífice.

    Conclusão. A primazia dos Bispos de Roma deduz-se de dois fatos:

    De S. Pedro ter sido Bispo de Roma; e

    De o primado ter sido sempre universalmente reconhecido pela Igreja.

    Portanto, não é verdade que a autoridade suprema dos papas deva a sua origem à ambição dos Bispos de Roma e à abdicação de outros. Se, como pretendem os adversários, os bispos tivessem sido iguais ao princípio por direito divino, ter-se-ia dado num momento da história uma transformação completa na fé e na disciplina de toda a Igreja.

    Ora, tal acontecimento não se poderia dar sem se terem provocado dissenções e reclamações inúmeras da parte de outros bispos, lesados nos seus privilégios. Como a história não apresenta sinal algum dessa agitação, e só houve discussões sobre pontos secundários, como a celebração da festa da Páscoa e a questão da reiteração do batismo, segue-se que o primado do Bispo de Roma nunca foi impugnado e que a Igreja universal sempre lhe reconheceu não só o primado de honra, mas também o de jurisdição.

    § 4º – Jesus deu a sua Igreja o privilégio da infalibilidade

    Vimos que Jesus Cristo fundou uma Igreja hierárquica, conferindo aos apóstolos e aos bispos seus sucessores, os poderes de ensinar, de santificar e de governar. Demonstraremos neste parágrafo que Jesus ligou ao poder de ensinar o privilégio da infalibilidade. Trataremos:

    Do conceito de infalibilidade;

    Das provas da sua existência;

    Daqueles a quem foi concedido o privilégio.

    Conceito de infalibilidade. Que deve entender-se por infalibilidade? A infalibilidade concedida por Jesus Cristo à sua Igreja é a preservação de todo erro doutrinal, garantida pela assistência especial do Espírito Santo. Não é simples inerrância de fato, mas de direito. É impossibilidade tal, que toda a doutrina, proposta por esse magistério infalível, deve ser crida como verdadeira, pois como tal é proposta.

    Portanto, não se deve confundir a infalibilidade:

    Com a inspiração, que consiste no impulso divino, que leva os escritores sagrados a escreverem tudo o que Deus quer, e só o que Deus quer;

    Nem com a revelação, que supõe a manifestação duma verdade antes ignorada.

    O privilégio da infalibilidade não faz com que a Igreja descubra verdades novas; garante-lhe somente que, devido à assistência divina, não pode errar nem, por conseguinte, induzir no erro, no que respeita a questões de fé ou moral.

    Falso conceito de infalibilidade. O conceito modernista de infalibilidade funda-se na idéia falsa que os modernistas têm da revelação e, portanto, é também falso e deve rejeitar-se. Segundo o sistema modernista, a revelação opera-se na alma de cada indivíduo, pois “consiste na consciência que o homem forma das suas relações com Deus”. Por conseqüência, a infalibilidade da Igreja docente consistiria em interpretar o sentir coletivo dos fiéis e “sancionar as opiniões comuns da Igreja discente”. Este estranho conceito de infalibilidade foi condenado no decreto Lamentabili.

    Existência da infalibilidade.

    Adversários. A existência da infalibilidade da Igreja foi negada:

    Pelos racionalistas e protestantes liberais. É lógico, uma vez que admitam que Jesus Cristo tenha pensado em fundar uma Igreja;

    Pelos protestantes ortodoxos; porque, admitindo eles que todos os membros da Igreja são iguais, é natural que a interpretação da doutrina católica esteja sujeita à razão individual (teoria do livre exame).

    Provas. A infalibilidade da Igreja funda-se em dois argumentos:

    um a priori, ou de razão; e

    outro a posteriori ou histórico.

    Argumento de razão. Antes de expormos este argumento, é conveniente o lugar que ocupa na nossa demonstração, para que não haja equívocos acerca do fim que prosseguimos. Afirmamos – depois diremos porquê – que se Jesus Cristo quis conservar as verdades reveladas na sua integridade, teve de confia-las a uma autoridade viva e infalível e não somente depositá-las, como letra morta, num livro, porto que inspirado.

    A isso objetam os protestantes que apoiamos a nossa tese num argumento a priori e que todas as nossas provas se reduzem a afirmar que uma coisa é, porque assim deve ser. Ora, “nas questões de fato, prosseguem eles, a prova de fato, se não é a única legítima, ao menos é a única decisiva. Se da conveniência, da utilidade e da necessidade pressuposta duma concessão divina, se pudesse concluir a sua realidade, aonde chegaríamos nós?” (Jalaguier, “De l´Église”).

    É certo que da conveniência de uma coisa nem sempre se pode concluir a sua existência. Poderíamos, por exemplo, perguntar-nos porque motivo foram os homens abandonados por Deus nos seus erros durante tantos séculos; porque tardou tanto a Redenção; porque não lhe deu Jesus Cristo tanto esplendor que impelisse os homens a aceita-la. Portanto, a questão é principalmente histórica e sob esse aspecto será tratada.

    Antes, porém, temos o direito de perguntar se a tese católica, que defenda a instituição de um magistério vivo e infalível para nos ensinar as verdades contidas na Escritura e na Tradição, não está mais bem fundada que a teoria protestante, que admite a infalibilidade da Escritura como regra única de fé. Deve-se dizer que regra de fé é o meio prático de conhecer a doutrina de Jesus Cristo.

    Demonstraremos, portanto – sem prescindir do argumento histórico – que a regra de fé dos protestantes é insuficiente para o conhecimento e conservação das verdades reveladas, e que a regra de fé Igreja católica possui todas as condições requeridas.

    A regra de fé protestante é insuficiente. Não é necessária, nem foi instituída uma autoridade viva, dizem os protestantes, para conhecermos as verdades ensinadas por Jesus Cristo. A única regra de fé é a Sagrada Escritura. Por conseguinte, cada fiel pode ler e interpretar a Escritura conforme as luzes da sua consciência e haurir os dogmas e preceitos conducentes à sua edificação.

    Não é difícil provar que esta regra de fé absolutamente insuficiente.

    Primeiramente, como poderemos saber quais são os livros inspirados se não há uma autoridade que não garanta a sua inspiração, ou se não há ninguém para nos assegurar que o texto que possuímos não foi interpolado pelos copistas? Já dizia S. Agostinho que não acreditaria nos Evangelhos se não cresse antes na Igreja.

    Como resolveremos as dificuldades? Pelo livre exame e aplicando as regras críticas e da exegese, respondem os luteranos e calvinistas. Por meio da história e da tradição, dizem os anglicanos. Pela inspiração particular, pela iluminação do Espírito Santo que ilumina a consciência de cada indivíduo, afirmam os anabatistas, os “quakers”, os metodistas e as seitas místicas. Esta variedade de respostas bastaria para fazer um juízo claro da teoria protestante. Seja qual for a solução adotada, é evidente que obteremos tantas interpretações quanto indivíduos “quot capita tot sensus”. Se não aceitarmos outra guia, senão a razão individual ou a inspiração do Espírito Santo, cairemos na anarquia intelectual ou no iluminismo.

    Quando muito, os que estudarem a Bíblia adquirirão, até certo ponto, uma espécie de verdade subjetiva. Mas como conhecerão as verdades os que não são instruídos, nem tem vagar para ler e compreender a Escritura? E como poderiam obtê-la antigamente aqueles que não tinham meios para adquirir a Bíblia, antes da invenção da imprensa, quando os manuscritos eram tão raros e custosos?

    Mais: no começo do cristianismo não existia o Novo Testamento e Jesus Cristo não deixou escrito. Disse aos seus apóstolos: “ide, ensinai a todas as gentes”, e não lhes recomendou que escrevessem a sua doutrina; por isso os apóstolos nunca tiveram a pretensão de expor ex-professo por escrito os ensinamentos de Jesus. Ordinariamente os seus escritos eram cartas de circunstância, destinadas a lembras alguns pontos da sua catequese. Queiram dizer-nos os protestantes qual era a regra de fé antes da existência desses escritos.

    A regra de fé católica, pelo contrário, é meio seguro de conhecermos a doutrina integral de Cristo. Como é fácil de ver, não contém nenhum dos inconvenientes co sistema protestante. É certo que o catolicismo admite a infalibilidade da Sagrada Escritura; mas, além dessa fonte de revelação, admite outra mais importante e anterior à Escritura, que é a Tradição. É esta, sobretudo – e nisto consiste a diferença essencial que existe entre a teoria protestante e a teoria católica, – que ensina que Jesus constituiu uma autoridade viva, um magistério infalível que, com a assistência do Espírito Santo, recebeu a missão de determinar quais os livros inspirados, de interpreta-los autenticamente, de haurir nesta fonte, como na da Tradição, a verdadeira doutrina de Jesus, para depois a expor aos sábios e ignorantes.

    Até mesmo alguns protestantes reconhecem que há entre os dois sistemas, considerados unicamente à luz da razão, certa vantagem a favor do catolicismo. “O sistema católico”, diz Sabatier, “colocou a infalibilidade divina numa instituição social, admiravelmente organizada, com um chefe supremo, o Papa. O sistema protestante colocou a infalibilidade num livro. Ora, sob qualquer aspecto que se considere os dois sistemas, as vantagens estão indubitavelmente do lado do catolicismo” (Sabatier, op. cit., p. 306). Não pretendíamos demonstrar outra coisa com o argumento a priori; alcançamos, portanto, o nosso intento.

    Argumento histórico. Somos chegados ao campo positivo da história. O que Jesus Cristo devia fazer, tê-lo-á feito? Terá instituído uma autoridade viva e infalível encarregada de guardar e ensinar a sua doutrina?

    O primeiro ponto ficou anteriormente demonstrado: Jesus Cristo instituiu uma Igreja hierárquica e chefes a quem concedeu o poder de ensinar. Resta agora examinar o segundo ponto, no qual provaremos que o poder de ensinar, como foi conferido por Jesus Cristo, comporta o privilégio da infalibilidade.

    Esta segunda proposição apóia-se nos textos da Escritura, no modo de proceder dos Apóstolos e na crença da antiguidade cristã:

    Nos textos da Escritura. A Pedro, em especial, prometeu Jesus Cristo que “as portas do inferno não prevalecerão contra ela” (Igreja) (Mat. XVI, 18); e a todos os Apóstolos prometeu, por duas vezes, enviar-lhes o Espírito da verdade (João XIV, 16; XV, 26) e ficar com eles até o fim do mundo (Mat. XXVIII, 20). Essas promessas significam claramente que a Igreja é indefectível; que os Apóstolos e seus sucessores não poderão errar quando ensinarem a doutrina de Jesus; porque a assistência de Cristo não pode ser em vão, nem o erro estar onde se encontra o Espírito da verdade;

    No modo de proceder dos Apóstolos. Do seu ensino se depreende que tinham consciência de ser assistidos pelo Espírito Santo. O decreto do concílio de Jerusalém termina com essas palavras; “Assim pareceu ao Espírito Santo e a nós” (At. XV, 28). Os Apóstolos pregam a doutrina evangélica “não como palavra de homens, mas como palavra de Deus, que na verdade o é” (I Tes. II, 13), a que é necessário dar pleno assentimento (II Cor. X, 5) e cujo depósito convém guardar cuidadosamente (I Tim. VI, 20). Além disso, confirmam a verdade de sua doutrina os muitos milagres (At, II, 43; III, 1-8; V, 15; IX, 34): prova evidente de que eram intérpretes infalíveis de doutrina de Cristo, de outro modo Deus não a confirmaria com o seu poder;

    Na crença da antiguidade cristã. Concedem os nossos adversários que a crença num magistério vivo e infalível já existia no século III. Basta portanto aduzir testemunhos anteriores:

    Na primeira metade do século III, Orígenes, aos herejes que alegam as Escrituras, responde que é necessário atender à tradição eclesiástica e crer no que foi transmitido pela secessão de Igreja de Deus. Tertuliano, no tratado “Da prescrição”, opõe aos herejes o argumento da prescrição e afirma que a regra de fé é a doutrina que a Igreja recebeu dos Apóstolos. É necessário não nos enganarmos a respeito do sentido da palavra prescrição que usa Tertuliano. Em direito moderno, quando se trata da propriedade, invoca-se a posse de longa duração, como um título que dirime qualquer reivindicação: é a prescrição longi temporis. Ora, não propriamente nesta sentido que a emprega Tertuliano, para se desembaraçar dos herejes e negar-lhes as suas pretenções. Mostra que o seu direito de propriedade deriva de um legado recebido em forma devida, que é o legitimo herdeiro dos Apóstolos. É, portanto, o argumento da tradição que Tertuliano a modo de questão preliminar, permitindo-lhe rejeitar qualquer discussão com os que não possuem essa tradição e formulam novas asserções esforçando-se ao mesmo tempo por justifica-las com as Escrituras e com a razão: é a prescrição de inovação. O argumento de prescrição reduz-se pois a isso: Não podemos discutir convosco (herejes); porque toda doutrina nova, pelo fato de ser nova, isto é, de não ser conforme com a regra de fé transmitida pelos Apóstolos, está condenada de antemão e antes de qualquer exame.

    Nos fins do século II, S. Ireneu, na carta a Florino e no livro Contra as heresias, apresenta a Tradição apostólica como a são doutrina, como uma tradição que não é meramente humana. Donde se segue que não há motivo para discutir com os herejes e que estão condenados pelo fato de discordarem da Tradição. É o mesmo argumento que retomará mais tarde Tertuliano, dando-lhe uma forma mais erudita e jurídica.

    Pelo ano 160, Hegesipo apresenta, como critério da fé ortodoxa, a conformidade com a doutrina dos Apóstolos transmitida por meio dos Bispos. Na primeira metade do século II, Policarpo e Papias apresentam a doutrina dos Apóstolos como a única verdadeira, como uma regra segura de fé. Nos princípios do mesmo século, temos o testemunho de S. Inácio. Afirma esse santo eu a Igreja é infalível e que a incorporação nela é necessária para se salvar.

    Conclusão. Das duas provas da razão e da história se depreende que o poder doutrinal, conferido por Jesus Cristo à Igreja docente, traz consigo o privilégio da infalibilidade, isto é, que a Igreja não pode errar quando expõe a doutrina de Cristo.

    Sujeito da infalibilidade. Jesus Cristo dotou a sua Igreja com o privilégio da infalibilidade. Mas a quem concedeu este privilégio? Indubitavelmente àqueles que receberam o poder de ensinar, isto é, aos Apóstolos todos, e dum modo especial, a Pedro, poder e privilégio que transmitiram depois aos seus sucessores.

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  2. Edmilson disse:

    AMIGOS ISSO É FANTÁSTICO COMO PODE A CEITA PROTESTANTE CONTESTAR ISSO É UMA PIADA ELES FALAM CONTRA OS PAPAS E OS ANALFABETOS HEREGES NÃO SABEM QUE DENTRO DA BÍBLIA TEM 3 PAPAS DE NOME SÃO PEDRO SÃO LINO E SÃO CLEMENTE ROMANO E MAIS SÃO PAULO CITA SÃO LINO NAS SAUDAÇÕES FINAIS E AINDA CITA SÃO CLEMENTE ROMANO EM FILIPENSES E OUTRA O QUARTO PAPA DA IGREJA CATÓLICA ESSE MESMO SÃO CLEMENTE ROMANO FOI ESCRITOR TEM 2 CARTAS EM CORINTIOS NA BÍBLIA E UMA CARTA IMENSA ONDE FALA DOS BISPOS E MAS NESSA MESMA CARTA ELE DIZ QUE SÃO PEDRO FOI O PRIMEIRO BISPO DE ROMA SE OS HEREGES PROTESTANTES MANDAR MANDAM ELES ESTUDAREM A PATRÍSTICA E VERÃO A VERDADE COM FONTE HISTÓRICA DOCUMENTADA TESTEMUNHAS OCULARES COMPROVADO PELA GEOLOGIA ARQUEOLOGIA ETC…

    ESSA LISTA AQUI EM BAIXO É DE ESCRITORES BISPOS E DE PADRES DA IGREJA QUE FORAM ESCRITORES FILOSOFO E MAIS ELES SÃO MUITO ANTES DE CONSTANTINO TER NASCIDO

    Metódio de Olimpo (sec.III) padre da igreja

    São Serapião de Antioquia era Patriarca de Antioquia (191-211)

    São Firmiliano (feleceu no ano 268 da era cristã)

    São Gregorio Taumaturgo (faleceu no ano 268 da era cristã)

    São Cornélio (faleceu no ano 253 da era cristã)

    São Dionísio (faleceu no ano 268 da era cristã)

    Novaciano (faleceu no ano 257 da era cristã)

    São Panteno De Alexandria feleceu no ano 200 da era cristã)

    o Clemente de Roma (nasceu no ano 30 e faleceu no ano 102 da era cristã),

    Santo Inácio de Antioquia (nasceu no ano 35 e faleceu no ano 110 da era cristã)

    Aristides de Atenas falecido no ano 130 da era cristã) foi um dos primeiros apologistas cristãos; obra conhecida Apologia de Aristides.

    São Policarpo (nasceu em 69 e faleceu no ano 156 da era cristã)

    Hermas (faleceu no ano 160 da era cristã)

    Didaquè (ou Doutrina dos Doze Apóstolos) é como um antigo catecismo, redigido entre os anos 90 e 100, na Síria, na Palestina ou em Antioquia. Traz no título o nome dos doze Apóstolos. Os Padres da Igreja mencionaram-na muitas vezes em suas obras.

    São Justino (nasceu no ano 100 e faleceu no ano 165 da era cristã)

    Santo Hipólito de Roma (nasceu em 160 e faleceu no ano 235 da era cristã)

    Melitão de Sardes (falecido no ano 177 da era cristã)

    Atenágoras (falecido no ano 180 da era cristã)

    São Teófilo de Antioquia (nasceu no ano 120 e faleceu no ano 180 da era cristã)

    Santo Ireneu de Lyon(nascido no ano 130 e faleceu no ano 202 da era cristã)

    São Clemente de Alexandria (falecido no ano 215 da era cristã)

    Orígenes (nasceu no ano 184 e faleceu no ano 254 da era cristã)

    Tertuliano de Cartago (nasceu no ano 160 e faleceu no ano 220 da era cristã)

    São Cipriano (faleceu no ano 258 da era cristã)

    Zeferino falecido no ano 217 da era cristã)

    Urbano nascido no ano 175 e faleceu no ano 230 da era cristã)

    PAPÍAS nasceu no ano 60 e faleceu no ano 130 da era cristã )

    Abercius San Abercius
    Bispo de Hierapolis falecido no ano 167 da era cristã

    MARCO MINUCIO FELIX
    (nasceu no ano 150 e faleceu no ano 215 da era cristã)

    TACIANO (nasceu no ano 120 e faleceu no ano 180 da era cristã)

    São Dionísio Bispo de Corinto,faleceu ano 171 da era cristã)

    Amônio de Alexandria foi um filósofo cristão que viveu no século III dC.

    Teófilo de Cesareia faleceu no ano 195 da era cristã.) foi- bispo de Cesareia

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    • EDMILSON disse:

      São Pedro realmente foi bispo de Roma! Isso é mais do que comprovado pela arqueologia e pela geografia. Sem contar ainda com milhares de milhares de referências de escritores de dentro e de fora da igreja como de abundantes testemunhos Primitivos.

      São Pedro é a Rocha de Mateus 16, 18, vou analisar 3 fontes: Idiomática e Bíblica (juntas) e Patrística na Parte II.

      E vou da um aviso aos neófitos protestantes. Se quiserem se meter a refutar esta matéria, o faça no mesmo nível dela, com argumentações, em grego, aramaico,e bíblicas todas em harmonia entre si.

      Então vamos lá.

      IDIOMÁTICA E BÍBLICA

      Em Aramaico temos duas palavras para designar materiais rochosos:
      1º Evna = Pedra
      2º Kepha כף (ou cefas, transliterado para o grego) = Rocha
      Em Grego, assim como o aramaico, temos também 2 palavras:
      1º Lithos (λίθος), = Pedra pequena
      2º Petra (πέτρᾳ ) = Rocha maciça, Pedra Grande (que é o equivalente de Kepha)

      A Bíblia nos diz que Jesus deu um nome novo a um pescador que se chamava Simão e este nome foi “KEPHA” (Aramaico) e transliterado como “cefas”, e também “Petrus” (Grego) como podemos ver em João 1, 42:
      “Levou-o a Jesus, e Jesus, fixando nele o olhar, disse: Tu és Simão, filho de Jonas, serás chamado Cefas (que quer dizer Pedro).” (Negrito meu)
      Em aramaico não temos gênero, mas em grego sim, por isso a palavra Petra que é o equivalente a KEPHA (cefas) foi masculinizada para dar nome a um homem, Petrus, mas o significado permaneceu o mesmo (Rocha ou pedra grande) como é atestado nos seguintes Léxicos protestantes:
      CONCORDÂNCIA STRONG
      4074 πετρος Petros Pedro = “uma rocha ou uma pedra”
      1) um dos doze discípulos de Jesus
      FRIBERG, ANALYTICAL GREEK LEXICON
      “Πέτρος, ου, ὁ Pedro, nome próprio masculino dado como um título descritivo para Simão, um dos apóstolos (MK 3.16), o significado do nome, a pedra, é provavelmente o equivalente grego de uma palavra aramaica transliterada como Κηφᾶς (João 1,42 )”
      THAYER, GREEK LEXICON OF NT
      “Πέτρος, Πέτρου, ὁ – um nome próprio apelativo, o que significa “uma pedra”, “uma rocha,” “rochedo “”.

      Agora em português a diferença entre Pedro e Pedra não permite acentuar a força do original aramaico e grego que é a mesma palavra que designa a materialidade da rocha.

      A CONCORDÂNCIA STRONG, que é tão utilizada pelos protestantes brasileiros, diz que Cefas ou Kepha é Rocha, leiam:
      “03710 כף (keph)
      Procedente de 3721, grego 2786 κηφας (cefas); DITAT – 1017; n m
      1) rocha, cavidade duma rocha”

      Agora os próprios protestantes em seus léxicos confirmam que o nome de Pedro Significa “ROCHA” ou “PEDRA”.
      Veja aqui algumas passagens com o nome de “Cefas”.
      1Co 1:12 Quero dizer com isto, que cada um de vós diz: Eu sou de Paulo, e eu de Apolo, e eu de Cefas, e eu de Cristo.
      1Co 3:22 Seja Paulo, seja Apolo, seja Cefas, seja o mundo, seja a vida, seja a morte, seja o presente, seja o futuro; tudo é vosso,
      1Co 9:5 Não temos nós direito de levar conosco uma esposa crente, como também os demais apóstolos, e os irmãos do Senhor, e Cefas?
      1Co 15:5 E que foi visto por Cefas, e depois pelos doze.
      Gal 2:9 E conhecendo Tiago, Cefas e João, que eram considerados como as colunas, a graça que me havia sido dada, deram-nos as destras, em comunhão comigo e com Barnabé, para que nós fôssemos aos gentios, e eles à circuncisão;

      Agora vou refutando Algumas objeções dos que dizem que:
      1 º O significado do nome de Petrus é Pedregulho.

      Não existe nenhum prova para isto, até por que no NT Petrus só é designado para Pedro. E para nada mais.
      2º O significado do nome Petrus é pequena pedra para arremessar.
      Isso não existe no grego Koiné. No Grego Koiné usa-se a palavra “lithos” para significar “uma pedrinha ou uma pedra para arremessar” como podemos constatar no caso da mulher adúltera (João 8, 7) ou de Jesus (João 8, 59).
      João 8, 7 Ὡς δὲ ἐπέμενον ἐρωτῶντες αὐτόν, ἀνακύψας εἶπεν πρὸς αὐτούς, Ὁ ἀναμάρτητος ὑμῶν, πρῶτον ἐπ᾽ αὐτὴν τὸν λίθον βαλέτω.
      Tradução: “Como insistissem na pergunta, Jesus se levantou e lhes disse: Aquele que dentre vós estiver sem pecado seja o primeiro que lhe atire pedra.”
      John 8:59 Ἦραν οὖν λίθους ἵνα βάλωσιν ἐπ᾽ αὐτόν• Ἰησοῦς δὲ ἐκρύβη, καὶ ἐξῆλθεν ἐκ τοῦ ἱεροῦ, διελθὼν διὰ μέσου αὐτῶν•
      Tradução: “Então pegaram em pedras para lhe atirarem; mas Jesus ocultou-se, e saiu do templo, passando pelo meio deles, e assim se retirou.”
      Pedra de arremesso nunca foi nem será Petrus.

      E para azar e confusão na cabeça dos protestantes que sustentam esta mesma idéia Jesus em 1 Pedro 2,4 é chamado de “Lithos” a mesma palavra em gênero, número, grau e declinação que foi usada para a Pedra de arremesso da adúltera e das pedras jogadas em Jesus.

      1 Pd 2:4 “πρὸς ὃν προσερχόμενοι λίθον ζῶντα ὑπὸ ἀνθρώπων μὲν ἀποδεδοκιμασμένον παρὰ δὲ θεῷ ἐκλεκτὸν ἔντιμον..”
      Tradução “Chegando-vos para ele, a pedra que vive, rejeitada, sim, pelos homens, mas para com Deus eleita e preciosa…”
      Seria também Jesus uma pequena pedrinha de arremesso? E não a grande Rocha da Salvação?

      É Gostaria de ver algum protestante respondendo isto!
      O significado do nome Petrus é pequena pedra igual as demais como citado em sua epístola.

      Protestantes aprendam que não existem bases ou sustentações para afirmar que “Petrus” significa “pedra pequena” porque para isto a Bíblia utiliza outra palavra (lithos ou lithon) como foi mostrado.

      E vejam:
      Pd 2:5 καὶ αὐτοὶ ὡς λίθοι ζῶντες οἰκοδομεῖσθε οἶκος πνευματικός, ἱεράτευμα ἅγιον, ἀνενέγκαι πνευματικὰς θυσίας εὐπροσδέκτους τῷ θεῷ διὰ Ἰησοῦ χριστοῦ.
      Tradução: Vós também, como pedras vivas, sois edificados casa espiritual e sacerdócio santo, para oferecer sacrifícios espirituais agradáveis a Deus por Jesus Cristo.
      Ou seja, a palavra “Lithos” que é usada para Jesus em 1 Pd 2, 4 se referindo a Jesus é novamente utilizada em grau e gênero para os demais Cristãos em 1 Pd 2, 5.

      O engraçado disso tudo é que ainda aparecem alguns protestante nesses sites vindo dizer que a rocha ou Pedra só pode ser utilizada para Jesus.
      Em outras passagens Jesus também é chamado de PETRA, assim como Pedro. Mas isso não tira a magnitude de Jesus como rocha da Salvação, nem da função de Pedro como Rocha da Unidade da Igreja.

      agora vamos a linda passagem do evangelho de Mateus que é o foco desta matéria.
      Em Mateus 16, 18 lemos:
      “Também eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”
      Em Grego:
      “κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος, καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ οἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν καὶ πύλαι ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς.”
      Vejamos em aramaico este trecho em negrito na Bíblia Peshita (Tradução do grego para o aramaico do século V)

      (lê se da direita pra esquerda)

      Veja que não há diferença entre a rocha (em aramaico) e o nome de Pedro (em aramaico).
      Agora analisaremos duas palavras em especial.
      Voltemos ao grego de Mateus 16, 18:
      “κἀγὼ δέ σοι λέγω ὅτι σὺ εἶ Πέτρος, καὶ ἐπὶ ταύτῃ τῇ πέτρᾳ οἰκοδομήσω μου τὴν ἐκκλησίαν καὶ πύλαι ᾅδου οὐ κατισχύσουσιν αὐτῆς.”
      Note as duas palavras em vermelho que são ταύτῃ τῇ que quase todas as traduções (católicas e protestantes) traduzem simplesmente por “esta”.

      Agora vamos fazer uma analise:
      ταύτῃ (tauth) é o dativo feminino de οὗτος (outós) e sua tradução simples é “esta”. E serve para dar ênfase a algo previamente mencionado.
      τῇ (th) é também o dativo feminino e ὁ (o) e é o artigo da frase ou seja sua tradução é “a”.
      Estas duas palavras juntas ταύτῃ + τῇ, tem o sentido ou tradução de “esta mesma”, “esta própria”.
      Então juntando o nome de Pedro que foi previamente confirmado como ROCHA, e PETRA que também foi confirmada como ROCHA, pelos léxicos protestantes, podemos traduzir Mateus 18, 16 da seguinte forma:
      “TU ÉS ROCHA E SOBRE ESTA MESMA ROCHA, EU EDIFICAREI A MINHA IGREJA.”

      Agora a pergunta que todo protestante faria ao ver isto “então por que as traduções católicas não traduzem assim?”

      A Resposta : Por que por que o artigo, no grego, depois de um pronome demonstrativo não precisa ser traduzido já é sub-entendido, então se traduz somente o “esta” na maioria das vezes, mas o sentido continua o mesmo.
      Além disso São Jerônimo traduziu para o Latim da seguinte forma “HANC PETRAM” ou seja “Esta mesma Rocha“.
      HANC no latim tem o sentido próprio de “esta mesma”, “esta própria” assim como ταύτῃ + τῇ no grego. São Jerônimo, como falava fluentemente o grego Koiné, sabia muito bem o sentido real da passagem, quando ele trauziu a vulgata o grego Koiné ainda era “Vivo”.
      E agora para o desespero de protestantes que apesar de tudo o que aqui foi demonstrado até agora ainda estejam duvidando

      vou usar a própria bíblia João Almeida para provar que ταύτῃ + τῇ , tem o sentido e também tradução de “esta mesma”, apesar da maioria das passagens que contém estas duas palavras os tradutores não traduzam assim, por que já está implícito. Vou pegar aqui 1 passagem que a própria João Almeida confirma o que eu estou dizendo.
      Antes que algum protestante venha com conversinha de versão da bíblia João Almeida, estou utilizando aqui 4 versões da mesma que traduzem a passagem do mesmo jeito em todas.
      Vejamos em Atos 27, 23:
      Grego:
      Atos 27, 23 παρέστη γάρ μοι ταύτῃ τῇ νυκτὶ τοῦ θεοῦ, οὗ εἰμι [ἐγώ] ᾧ καὶ λατρεύω, ἄγγελος
      João Almeida
      Atos 27, 23 Porque esta mesma noite o anjo de Deus, de quem eu sou, e a quem sirvo, esteve comigo.

      Podem conferir ai no grego e em suas bíblias.
      Ai vai vim um protestante me dizer que viu em sua bíblia as palavras “esta mesma” e no grego não estavam escritas como ταύτῃ τῇ.

      Como eu já disse ταύτῃ e τῇ estão no dativo, declinadas, ou seja conjugadas. No português só temos conjugação para verbos na maioria das vezes, mas no grego não, acontece também com pronomes e substantivos, as palavras “esta mesma” podem ser encontradas também desta forma ταύτην τὴν, onde ταύτην equivale a ταύτῃ e τὴν equivale a τῇ.

      Onde não há nenhuma diferença entre as mesmas, apenas a declinação.
      Portanto podemos dizer com clareza a quem quiser ouvir, PEDRO É A ROCHA.

      “TU ÉS ROCHA E SOBRE ESTA MESMA ROCHA, EU EDIFICAREI A MINHA IGREJA.”

      E agora só para calar os protestantes de uma vez por todas! Saibas que não existe nenhum historiador ou escritor de dentro ou de fora da igreja dos anos do nascimento da igreja católica ao ano 1350 da era cristã que tenha contestado que São Pedro não foi papa.
      Leigos historiadores protestantes saibas que se São Pedro não estivesse realmente em Roma e morrido em Roma com certeza existiriam milhares de milhares de lendas em vários países do mundo que afirmariam que São Pedro morreu em seu país. E assim permaneceriam essas duvidas até os nossos dias ! Coisa que não existe.
      São Pedro realmente foi o primeiro bispo de Roma ISSO É FATO.

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      • CLAUDIO disse:

        Um honesto teólogo e historiador protestante, Adolph Harnack, escreveu que “negar a estadia em Roma de Pedro é um erro que hoje é claro para qualquer estudioso que não é cego. A morte por martírio de Pedro em Roma já foi impugnado em razão de prejuízo protestante.” [1]

        EDMILSON É TOTAL UNANIMIDADE E REGISTROS QUE COMPROVAM SÃO PEDRO PAPA

        Pedro teve que morrer e ser enterrado em algum lugar, e a TRADIÇÃO CRISTÃ esmagadora está em total acordo, desde os primeiros tempos, que foi realmente em Roma que Pedro morreu. F.J. Foakes-Jackson, em seu livro Pedro: O Príncipe dos Apóstolos, afirma “Daí por diante não há dúvida alguma de que, não só em Roma, mas em toda a igreja cristã, a visita de Pedro à cidade foi um fato concreto, como foi seu martírio juntamente com o de Paulo” (New York, 1927. p. 155.).

        O Historiador Arthur Stapylton Barnes concorda:

        “O ponto forte na prova dos [igreja] pais é a sua unanimidade. É bastante claro que nenhum outro lugar era conhecido por eles como alegando ter sido palco da morte de São Pedro, e o repositório de suas relíquias.” – (São Pedro, em Roma, Londres, 1900. P. 7.)

        A Nova Enciclopédia de ​​Conhecimento Religioso de Schaff-Herzog confirma isso dizendo:

        “Tradição parece manter que Pedro foi a Roma [….] e ali sofreu o martírio sob Nero. Nenhuma outra FONTE descreve o lugar do martírio de Pedro em um lugar diferente de Roma. Parece mais provável, no todo, que Pedro morreu como um mártir em Roma no final do reinado de Nero, em algum momento após a cessação da perseguição geral.” (Artigo: “Pedro”)

        João Inácio Dollinger afirma esta mesma evidência:

        “São Pedro trabalhou em Roma é um fato tão abundantemente comprovado e tão arraigado na história cristã primitiva, que quem trata como uma lenda devia, em coerência tratar de toda a história da Igreja primitiva como lenda também, ou, pelo menos, bastante incerta”(A primeira era do cristianismo e da Igreja, em Londres. 1867. p. 296).

        Palavras fortes.

        Como autor James, afirma Hardy Ropes:

        “A tradição, entretanto, que Pedro veio a Roma, e sofreu o martírio sob Nero (54-68 d.C), ainda na grande perseguição que se seguiu ao incêndio da cidade ou um pouco mais tarde, repousa sobre uma base diferente e mais firme …. É inquestionável que 150 anos após a morte de Pedro essa era a crença comum em Roma que ele havia morrido lá, como tinha Paulo. Os “troféus” dos dois grandes apóstolos podiam ser vistos na Colina do Vaticano e pela Via Ostiense … uma forte tradição local da morte em Roma, de ambos os apóstolos é atestada em um tempo não muito distante do evento.”(A Era Apostólica à Luz da Crítica Moderna. New York. 1908. Pp. 215-216.)

        A crença de que Pedro foi martirizado e viveu em Roma não foi devido à vaidade ou ambição dos cristãos locais, mas foi sempre atestado, por toda a Igreja. Nenhum depoimento até o meio do século 3 realmente precisa ser considerado; por que até este tempo, a Igreja presente em Roma alegou ter o corpo do apóstolo e NINGUÉM contestou o fato.

        É mais do que interessante perceber que não há uma única passagem ou declaração em contrário, em qualquer das obras literárias que se tratam com os fundamentos do cristianismo até mesmo depois da Reforma. Você não acha que é estranho? Você não acha que alguém não teria aproveitado esta reivindicação de Roma, para usá-la como um ponto de discórdia se houvesse alguma dúvida quanto à sua validade? Você não acha que as Igrejas orientais teria chegado a rechaçar esta pretensão, se não fosse verdade? Durante séculos, as igrejas orientais estavam em conflito quase constante com Roma durante a Páscoa, o sábado, e muitas outras questões doutrinárias. Se eles pudessem aproveitar esta reivindicação de Roma que Pedro tinha trabalhado e morrido lá, eles certamente teriam usado isso contra a Igreja de Roma! Mas eles não usaram. POR QUE? Porque não havia absolutamente nenhuma dúvida sobre Roma ter sido o local de episcopado e morte de Pedro!

        Completa, William McBirnie:

        “Nós certamente não temos sequer a menor referência que aponta para qualquer outro local além de Roma, que poderia ser considerado como a cena de sua morte. E em favor de Roma, existem tradições importantes que ele realmente morreu em Roma. No segundo e terceiro séculos, quando certas Igrejas estavam em rivalidade com os de Roma nunca ocorreu que um único deles contestasse a alegação de Roma que era lá o local do martírio de Pedro.” (A Procura aos Doze Apóstolos. Tyndale House Publishers, Inc. Wheaton, Illinois. 1973. P. 64.)

        O Dicionário bíblico de Unger afirma inequivocamente que “a evidência para de seu martírio [de Pedro] lá [em Roma] está completa, enquanto há uma ausência total de qualquer declaração contrária nos escritos dos pais da Igreja” (Terceira Edição, Chicago. 1960. P . 850).

        George Edmundson, em seu livro A Igreja em Roma no século I, dogmaticamente repete a mesma conclusão:

        “Nós não temos sequer o menor vestígio que aponte para qualquer outro lugar que poderia ser considerado como a cena da morte dele [de Pedro] …. É um ponto ainda mais importante que no segundo e terceiro séculos, quando certas igrejas estavam em rivalidade com a de Roma, nunca ocorreu a uma única delas contestar a alegação de que Roma era a cena do martírio de Pedro. Na verdade, até mais pode ser dito; precisamente no leste, como fica claro a partir dos escritos pseudo-Clementinos e as histórias Petrinas, sobretudo aqueles que lidam com o conflito de Pedro com Simão, o mago. A TRADIÇÃO DA RESIDÊNCIA ROMANA DE PEDRO tinha domínio particularmente forte. (Londres. 1913. Pp. 114-115.)[Capslock nossos]

        EVIDÊNCIAS PRIMITIVAS

        Como a verdade é única e imutável, assim como ninguém pode apagar a história, afim de desmentir aqueles que negam a vida do Santo Apóstolo Pedro em Roma, seu episcopado e martírio nesta cidade, vale a pena sempre recordar a memória cristã afim de combater o erro.

        A partir do século I uma obra apócrifa chamada Ascensão de Isaías chegou até nós, e este é provavelmente o primeiro documento mais antigo e que atesta o martírio de Pedro em Roma. Em uma passagem (cap. 4, 2s), lemos a seguinte previsão:

        “… então surgirá Belial, o grande príncipe, o rei deste mundo, que governa desde sua origem, e ele descerá do seu firmamento em forma humana, rei da maldade, assassino de sua mãe, ele mesmo é o rei deste mundo, e ele vai perseguir a planta que os 12 apóstolos do Amado plantaram, um dos 12 será entregue em suas mãos.”

        Esta é uma clara referência ao imperador Nero, que assassinou sua mãe Agripina em 59 d.C, e colocou Pedro a morte em fevereiro de 68 d.C. Ele não pode ter se referido a Paulo, pois este foi decapitado em janeiro de 67 d.C, por Hélio, um dos prefeitos que foram deixados no comando de Roma enquanto Nero estava longe na Grécia entretendo os bajuladores cidadãos desta província.

        A próxima referência, cronológica, é a Epístola de Clemente para Tiago. Embora muitos historiadores tenham colocado esta carta nos últimos dez anos do século primeiro, há algumas objeções a isso. A maior objeção, é claro, é que Tiago não poderia estar vivo nessa data tardia. Todas as indicações são de que Tiago foi assassinado durante a guerra interfaccional que ocorreu em Jerusalém pouco antes da destruição romana da cidade em 70 d.C. Além disso, há uma abundância de material para mostrar que Pedro ordenou Clemente PARA SUBSTITUIR LINO, como superintendente da Igreja Romana, após o martírio deste último em 67 d.C. A lista dos bispos de Roma, nos Padres pré Nicenos mostram que Clemente foi bispo de 68-71 d.C.

        Evidentemente, o seu primeiro ato como bispo foi informar Tiago a respeito da morte de Pedro:

        “Clemente para Tiago, que governa Jerusalém, a santa Igreja dos hebreus, e as igrejas em toda parte excelentemente fundadas pela providência de Deus, com os anciãos e diáconos, e o resto dos irmãos, a paz esteja sempre …. ele próprio [Pedro], em razão de seu imenso amor para com os homens, tendo chegado até Roma, clara e publicamente testemunhando, em oposição ao maligno que resistiu a ele, que há de ser um bom rei sobre todo o mundo, ao salvar os homens por sua doutrina inspirada por Deus, Ele mesmo, pela violência, trocou a presente existência pela vida eterna.” (Epístola de Clemente de Tiago)

        A referência enigmática à morte de Pedro ocorre no livro de João na Bíblia que, a maioria dos estudiosos acreditam que foi escrito na última década do primeiro século. Aqui, nos versículos 18 e 19 do capítulo 21, lemos:

        “‘Eu digo a verdade, quando você era mais jovem que você vestiu a si mesmo e andavas por onde querias; Mas quando fores velho, estenderás as mãos e outro te cingirá e te levará para onde não queres ir’ Jesus disse isto para indicar o tipo de morte com que Pedro iria glorificar a Deus.”

        O estiramento das mãos refere-se a crucificação de Pedro em sua velhice, no entanto, a passagem não indica onde esta a crucificação aconteceria.

        Nos primeiros anos do século II um documento siríaco, chamado A Pregação de Pedro, foi escrito. Sua data é indicada pelo fato de que o gnóstico Heracleon, o utilizou em seus escritos durante o tempo do imperador Adriano (117-138 dC). De acordo com João Inácio Dollinger, A Pregação de Pedro traz “São Pedro e São Paulo juntos em Roma, e divide os discursos e declarações que tiveram lugar lá entre os dois … é notoriamente fundado sob fato universalmente admitido de São Pedro ter trabalhado em Roma.”

        É inconcebível pensar que tal documento (alegando aceitação como um produto genuíno da era apostólica) teria apresentado uma fábula sem fundamento sobre a presença de Pedro em Roma, numa altura em que muitos que tinham visto o apóstolo ainda estavam vivos!

        O documento na sua introdução:

        “No terceiro ano de Cláudio César, Simon Cefas partiu de Antioquia para ir a Roma. E nos lugares em que ele passou, pregou em vários países a palavra de nosso Senhor. E, quando ele quase chegando em Roma, muitos já tinham ouvido falar dele e saíram para encontrá-lo…” (A Pregação de Pedro – Introdução)

        Cláudio começou a reinar no ano 41 d.C, e Pedro, segundo o documento, foi a Roma no terceiro ano do seu reinado, segundo o documento, logo em 44 d.C, exatamente na mesma data prevista por muitos historiadores.

        Por volta do ano 107 d.C. Inácio, um dos pais da igreja primitiva, diz em sua epístola à Igreja romana: “Eu não vos dou ordens como Pedro e Paulo” (Carta aos Romanos 4,3 – 107 d.C)

        Uma referência oblíqua à residência de Pedro em Roma.

        Thomas Lewin, em A Vida e Epístola de São Paulo, menciona que uma obra intitulada Praedicatio Pauli, atribuída ao segundo século, fala sobre uma reunião de Pedro e Paulo em Roma (Vol. 2 London 1874..).

        Os eventos que levaram à morte de Pedro são descritas em pormenores num trabalho chamado de Atos de Pedro, que estava em circulação em Roma, cerca de 85 anos após a morte do apóstolo. Mais uma vez, aqueles que leram este trabalho teriam sido da segunda geração de cristãos, cujos pais se lembrariam dos lugares e personalidades descritas.

        Não há nenhum registro histórico que esta narrativa a respeito da morte e episcopado de Pedro em Roma tivesse sido contestada. Portanto, um fio de verdade deve ser consagrado neste, Atos de Pedro, que ligam os eventos descritos.

        O Dicionário bíblico de Unger atesta a antiga crença universal de que Pedro morreu e foi bispo em Roma:

        “No século II Dionísio de Corinto, na epístola ao Bispo de Roma, relata, como um fato universalmente conhecido e levado em conta para as relações íntimas entre Corinto e Roma, que Pedro e Paulo, ambos, ensinado na Itália, e sofrendo o martírio na mesma época. Em suma, a maioria das igrejas quase conectados a Roma e aquelas mais fora de sua influência, que era forte, mas, irrelevante no oriente, concordam com a afirmação de que Pedro foi um dos fundadores conjuntos da igreja [de Roma], e morreu nesta cidade.”

        O escritor e filósofo Orígenes (185-254) (conhecido como o pai da ciência da Igreja Oriental da crítica bíblica e exegese no início do século III) escreve que, depois de pregar em Pontus e outros lugares para os judeus da Dispersão , Pedro “finalmente veio a Roma, e foi crucificado com a cabeça para baixo.”

        Da mesma forma Irineu, que foi bispo de Lyon, na Gália (por volta de 202) afirma na sua obra, Contra as Heresias, III,1 que “Pedro e Paulo estavam pregando em Roma, e lá que estabeleceram as bases da igreja.” Mais adiante, em Contra as Heresias, III, 2, ele acrescenta: “Indicando que a tradição derivada dos apóstolos, da igreja muito grande, muito antiga e universalmente conhecida, fundada e estabelecida em Roma pelos dois gloriosos apóstolos, Pedro e Paulo.”

        Tertuliano, o eminente pai da igreja menciona, por volta do ano 218, “aqueles a quem Pedro batizou no Tibre” (Sobre Batismo, 4). Em seu trabalho Prescrição contra os hereges (36), ele diz que a igreja de Roma “afirma que Clemente foi ordenado por Pedro.”

        “A Igreja também dos romanos pública – isto é, demonstra por instrumentos públicos e provas – que Clemente foi ordenado por Pedro.“

        “Feliz Igreja, na qual os Apóstolos verteram seu sangue por sua doutrina integral!” – e falando da Igreja Romana,“onde a paixão de Pedro se fez como a paixão do Senhor.“

        “Nero foi o primeiro a banhar no sangue o berço da fé. Pedro então, segundo a promessa de Cristo, foi por outrem cingido quando o suspenderam na Cruz.” (Scorp. c. 15)

        Clemente de Alexandria (+ 220), como citado por Eusébio, acrescenta outro detalhe quando ele menciona a visita de Pedro a Roma para lidar com Simão, o Mago.

        Arnóbio de Sica (307 d.C) Um pouco mais tarde, no século IV, diz: “Na própria Roma … eles se apressaram em abandonar os costumes de seus ancestrais, para juntar-se a verdade cristã, porque eles tinham visto o orgulho de Simão, o Mago , e sua impetuosa carruagem despedaçados pela boca de Pedro” (Adv. Gentes, II. 12).

        Lactâncio da África – que viveu por volta de 310 d.C – conta como os apóstolos, incluindo Paulo “durante 25 anos, e até o início do reinado do imperador Nero … ocuparam-se em lançar as bases da Igreja em todas as Província e Cidades. E enquanto Nero reinava, o apóstolo Pedro chegou a Roma, e … construiu um templo fiel e firme para o Senhor. Quando Nero ouviu essas coisas … ele crucificou Pedro, e matou Paulo” (Handbook of Cronologia bíblica, por Jack Finegan. Princeton, NJ, 1964).

        Hegesipo, que também escreveu no século 4, descreve a luta entre Pedro e Simão Mago – EM ROMA – respeito de um parente do imperador Nero, que foi ressuscitado dentre os mortos, e então como o sedutor (Simão Mago) chegou a um trágico fim. Por causa da morte de Mago (67 d.C) Nero (que o tratou como um favorito) ficou tão enfurecido que ele lançou Pedro na prisão até o seu retorno a Roma.

        O Eusébio (+ 324) observa que Pedro “parece ter pregado através de Pontus, Galácia, Bitínia, Capadócia e Ásia, e finalmente chegando a Roma, foi crucificado de cabeça para baixo, a seu pedido.” Em outros lugares em seus escritos, Eusébio afirma que “Paulo foi sido decapitado em Roma e Pedro ter sido crucificado ….”

        “Depois do martírio de Pedro e Paulo, o primeiro a obter o episcopado na Igreja de Roma foi Lino. Paulo, ao escrever de Roma a Timóteo, cita-o na saudação final da carta [cf. 2Tm 4,21].” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,III,2 – 317 d.C).

        “[…]quanto a Lino, cuja presença junto dele [do Apóstolo Paulo] em Roma foi registrada na 2ª carta a Timóteo [cf. 2Tm 4,21], depois de Pedro foi o primeiro a obter ali o episcopado, conforme mencionamos mais acima.” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,8 – 317 d.C).

        “[…]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,1 – 317 d.C).

        “Sob Cláudio, Fílon em Roma relacionou-se com Pedro, que então pregava aos seus habitantes.” (Eusébio de Cesaréia – HE II,17,1 – 317 d.C)

        “[…]Alexandre recebeu o episcopado em Roma, sendo o quinto na sucessão de Pedro e Paulo” (Eusébio Bispo de Cesaréia – HE,IV,1 – 317 d.C).

        O filósofo Macário Magnes, que provavelmente foi bispo de Magnésia em Caria ou Lídia por volta do ano 400 d.C, diz em um de seus diálogos, como Pedro escapou da prisão sob Herodes, e, em seguida, diz, em referência à missão de Pedro dada por Cristo para “alimentar as minhas ovelhas”, que “está registrado que Pedro alimentou as ovelhas durante vários meses apenas de ser crucificado.” Isso provavelmente significa “vários meses” de atividade em Roma antes de ser preso e condenado à morte. Magnes, em seguida, refere-se a Paulo, juntamente com Pedro: “Este vom companheiro foi dominado em Roma e decapitado … assim como Pedro … foi preso à cruz e crucificado.”

        A história clássica dos papas antigos conhecidos como o Liber Pontificalis (que pode ser datado, na sua forma mais antiga, do século VI) contém uma biografia de Pedro. Nesta biografia afirma-se que o apóstolo foi enterrado perto do lugar onde ele tinha sido crucificado, ou seja, “perto do palácio de Nero, no Vaticano, próximo à região do Triunfo”.

        O bispo Dionísio de Corinto, em extrato de uma de suas cartas aos romanos (170) trata da seguinte forma o martírio de Pedro e Paulo: “Tendo vindo ambos a Corinto, os dois apóstolos Pedro e Paulo nos formaram na doutrina do Evangelho. A seguir, indo para a Itália, eles vos transmitiram os mesmos ensinamentos e, por fim, sofreram o martírio simultaneamente.”(Fragmento conservado na História Eclesiástica de Eusébio, II,25,8.)

        Gaio, presbítero romano, em 199: “Nós aqui em Roma temos algo melhor do que o túmulo de Filipe. Possuímos os troféus dos apóstolos fundadores desta Igreja local. Ide à Via Ostiense e lá encontrareis o troféu de Paulo; ide ao Vaticano e lá vereis o troféu de Pedro.“

        Gaio dirigiu-se nos seguintes termos a um grupo de hereges: “Posso mostrar-vos os troféus (túmulos) dos Apóstolos. Caso queirais ir ao Vaticano ou à Via Ostiense, lá encontrareis os troféus daqueles que fundaram esta Igreja.”(Eusébio, História Eclesiástica, 1125, 7.)

        Ireneu (130 – 202), o Bispo de Lião referiu novamente:

        “Para a maior e mais antiga a mais famosa Igreja, fundada pelos dois mais gloriosos Apóstolos, Pedro e Paulo.”

        E ainda:

        “Os bem-aventurados Apóstolos, portanto, fundando e instituindo a Igreja, entregaram a Lino o cargo de administrá-la como bispo; a este sucedeu Anacleto; pois dele, em terceiro lugar a partir dos Apóstolos, Clemente recebeu o episcopado.“

        “Mateus, achando-se entre os hebreus, escreveu o Evangelho na língua deles, enquanto Pedro e Paulo evangelizavam em Roma e aí fundavam a Igreja.” (L. 3, c. 1, n. 1, v. 4).

        Epifânio (315-403 d.C.), Bispo de Constância: “A sucessão de Bispos em Roma é nesta ordem: Pedro e Paulo, Lino, Cleto, Clemente etc…” (ii. 27 – Sales, St. Francis de, The Catholic Controverse, Tan Books and Publishers Inc., USA, 1989, pp. 280-282.)

        Doroteu de Tiro (+362) “Lino foi Bispo de Roma após o seu primeiro guia, Pedro.“ (In: Syn.)

        Optato de Milevo: “Você não pode negar que sabe que na cidade de Roma a cadeira episcopal foi primeiro investida por Pedro, na qual Pedro, cabeça dos Apóstolos, a ocupou.” (De Sch. Don. )

        Cipriano (+ 258) Bispo de Cartago (norte da África): “A cátedra de Roma é a cátedra de Pedro, a Igreja principal, de onde se origina a unidade sacerdotal.” (Epístola 55, 14.)

        Santo Agostinho (354 – 430): “A Pedro sucedeu Lino.” (Ep. 53, ad. Gen.)

        o venerável Beda (historiador britânico do século VII) menciona esse entendimento UNIVERSAL no seu livro intitulado Um História da Igreja e do povo Inglês:

        “Quando Wilfred tinha recebido ordem do rei para falar, ele disse: “Os nossos costumes de Páscoa são aqueles que temos visto universalmente observados em Roma, onde os Santos Apóstolos Pedro e Paulo viveram, ensinaram, sofreram, e estão enterrados.”

        Também Simeão Metafrastes, que viveu em 900 d.C, é disse, “que Pedro ficou algum tempo na Bitínia; onde tendo pregado a palavra, estabeleceu igrejas, bispos ordenados, padres e diáconos, no ano 12 de Nero [66 d.C] e retornou a Roma.”

        William Cave, em seu livro acadêmico sobre a vida dos doze apóstolos, faz eco ao historiador Onófrio:

        “Onófrio, um homem de grande erudição e eloqüência em todos os assuntos da antiguidade … vai por si mesmo … e … afirma, que ele [Pedro] … tendo passado quase todo o reinado de Nero em várias partes Europa, retornou, no fim do reinado de Nero, a Roma, e morreu ali ….” ( a Vida dos Apóstolos, Oxford 1840).

        OS TEXTOS DO ORIENTE

        Mesmos os antigos textos etíopes traduzidos pelo falecido egiptólogo E.A. Wallis Budge mencionaram a ligação de Pedro com Roma:

        “E aconteceu que, quando o apóstolo divide os países do mundo, entre eles, a cidade de Roma tornou-se a porção de Pedro …. Agora, quando o bem-aventurado Pedro morreu na cidade de Roma, nos dias de Nero o imperador, os apóstolos foram dispersos…”(As Contendas dos Apóstolos, Londres 1901. p. 137).

        Mais adiante, no mesmo volume, encontramos mais confirmações: “E depois que todos os apóstolos terminaram seus trabalhos, e partiram deste mundo. Pedro foi crucificado na cidade de Roma, cortaram a cabeça de Paulo, na mesma cidade, e Marcos foi esfolado vivo na cidade de Alexandria ….” (Página 254).

        Outro documento siríaco, que é um extrato de um livro sobre o rei Abgar e o apóstolo Tadeu, descreve as áreas de responsabilidade atribuídas a cada apóstolo: “Para Simão[Pedro] foi atribuído ROMA, a João, Éfeso, para Tomé a India, e a Tadeu o país dos assírios. E, quando eles foram enviados cada um deles para o distrito que lhe tinha sido atribuído, dedicaram-se a trazer vários países ao discipulado “(os Padres Pré-Nicenos, p. 656).

        E, finalmente, da mesma parte do mundo, um outro antigo documento intitulado O Ensino dos Apóstolos, diz: “E César Nero se despediu crucificando numa cruz Simão Cefas na cidade de Roma”.

        O que eu citei aqui é apenas uma pequena amostra da quantidade volumosa de materiais existentes que mostram claramente que Pedro esteve em Roma e terminou sua longa vida lá. E, como mencionei anteriormente, não há um “i” de informação histórica que refute a alegação de Roma ser o lugar de episcopado e descanso final de Pedro. Que, em si, é notável!

        EVIDENCIAS MODERNAS

        Vamos agora cruzar as fronteiras do tempo e ver o que estudiosos modernos tem a dizer sobre a residência e morte de Pedro em Roma. Têm diminuído ao longo dos séculos a validade da afirmação de Roma? Tem a unanimidade dos primeiros séculos desaparecido e foi pisada pela crítica moderna?

        Engelbert Kirschbaum – um dos quatro arqueólogos que escavaram a área sob o altar de São Pedro em Roma – escreveu, em 1959: “O que sabemos é que Pedro sofreu uma morte por martírio no reinado de Nero e que desde cedo seu túmulo era conhecido por ser sobre o Vaticano perto dos jardins de Nero.” (The Tombs of St. Peter e St. Paul, New York).

        De acordo com George Armstrong (“Opinião” Seção do Los Angeles Times):

        “Após grande incêndio de Nero em 64 d.C, ele construiu uma área suburbana conhecida como Circus Vaticano para carros e corridas de cavalos. A atração adicionada do fim de semana seriam execuções públicas de criminosos ou subversivos. Pedro, um incômodo e estrangeiro, fanático religioso, era um bom candidato para uma crucificação no Circus. Segundo uma antiga tradição foi sepultado perto, logo após tal evento.” (Artigo, Mistério Romano: O caso do Santo de duas cabeças. Mid-1980).

        “Quando o homem chamado Simão Pedro foi brutalmente executado, a 1915 anos atrás, em Roma, faleceu um daquele pequeno grupo de personalidades históricas que merecem ser figurados como monumentais” (The Bones of St. Peter, pelo evangelista John Walsh. Nova york, 1982. p. 1).

        Em 1953, os autores Fulton Oursler e April Oursler Armstrong afirmara que “antes de deixar Puteoli, Paulo tinha ouvido a história completa da silenciosa conquista de Roma por Pedro, começando com os pobres, em seguida, estendendo o batismo de Cristo até mesmo para os homens do tribunal de Nero. Com Marcos ao seu lado, Pedro tinha andado com os olhos arregalados em Roma, até o Trastevere, o centro da vida judaica” (A maior fé Fé já conhecida. New York. p. 31).

        Bo Reicke, uma autoridade na era do Novo Testamento, observa que a cidade de Roma foi um importante centro durante o crescimento do evangelho: “Após o martírio de Tiago em Jerusalém em 62, Roma, o mais importante lugar de parada dos Apóstolos Pedro e Paulo, veio à tona, e mesmo após seu martírio lá … a capital do Império permaneceu no centro das atenções da igreja.” (A Era do Novo Testamento. Fortress Press, Philadelphia 1981 p. 211…).

        Desde a Reforma e o estabelecimento subseqüente de várias igrejas protestantes, tem havido um coro persistente de vozes proclamando como falácia a afirmação de Roma ser o local de residência e morte de Pedro. Um exame sério dessas alegações, no entanto, quase sempre mostra alguma falta de erudição e um viés teológico que geralmente é vingativo por natureza.

        Um exemplo recente de uma voz que se levantou para dizer que Pedro nunca esteve em Roma, é encontrado no livro “Babilônia Religião de Mistério”, de Ralph Woodrow:

        “Não há nenhuma prova, biblicamente falando, que Pedro chegou perto de Roma! O Novo Testamento nos diz que ele foi para Antioquia, Samaria, Jope, Cesaréia, e em outros lugares, mas não a Roma! Esta é uma estranha omissão, especialmente por que Roma era considerada a cidade mais importante do mundo!”

        Realmente estranho! Sr. Woodrow faz uma declaração enfática aqui que Pedro nunca chegou perto de Roma, mas não oferece nenhuma evidência para apoiar isso. Não há nenhuma prova, biblicamente falando, que Pedro não foi a Roma! Por que não pode a frase “outros lugares” incluir Roma? Isso é típico dos argumentos apresentados por uma minoria que simplesmente não conseguem aceitar a presença de Pedro em Roma para tentar desfazê-lo como Papa!

        Estudos sérios e o verdadeiro discernimento, mostram que a passagem do tempo não tem negado a esmagadora evidência de que Pedro realmente foi pra Roma viveu e morrer ali.

        PEDRO VISITOU ROMA MAIS DE UMA VEZ?

        Você notou algo incomum em várias das citações anteriores sobre Pedro? Você percebeu o que Simeão Metafrates e Dean Stanley disseram? Perceba! “… Pedro ficou algum tempo na Bitínia, onde pregou a palavra, fundou igrejas, ordenou bispos, padres e diáconos, no ano 12 de Nero, ele retornou a Roma.” Isso pode possivelmente significar que Pedro estava em Roma, em mais de uma ocasião? Observe o que Dean Stanley diz: “… a visão que São Pedro … (2 Pedro 1:14), teve nesta última visita à Bitínia… Pouco tempo depois Pedro retornou ao Roma, onde mais tarde foi executado.”

        Será isso uma coincidência? A palavra “retornou” certamente implica em uma visita anterior!

        Na História Eclesiástica de Eusébio, lemos: “Sob o reinado de Claudio [41-54 dC] pela providência benigna e graciosa de Deus, Pedro, esse grande e poderoso apóstolo, que por sua coragem assumiu a liderança do resto, e foi conduzido a Roma.” Agora, tanto o latino (Hieronymian) e as traduções siríacas da crônica de Eusébio dizem que Pedro foi para Roma no ano segundo de Cláudio e a Antioquia dois anos depois. Aqui temos uma prova positiva de que Pedro realmente visitou Roma em mais de uma ocasião. Os dois anos mencionados aqui realmente representam o tempo gasto em Roma neste momento, segundo a tradição e a consciência acadêmica.

        De acordo com George Edmundson, em sua obra A Igreja em Roma no século I:

        “Jerônimo escreve o seguinte: “Simão Pedro, príncipe dos apóstolos, depois de o episcopado da igreja de Antioquia e pregando para a dispersão dos da circuncisão, que tinham acreditado no Ponto, Galácia, Capadócia, Ásia e Bitínia, no 2º ano de Cláudio foi para Roma para se opor Simão, o Mago e sentou por 25 anos na cadeira sacerdotal até o último ano de Nero, que é o 14º. “Agora, aqui no meio de uma certa confusão … uma data definida é dada para primeira chegada de Pedro em Roma, e, note-se, é a data de sua fuga da perseguição de Herodes Agripa, e seu desaparecimento da narrativa de Atos.” (Londres. 1913. Pp. 50-51.)

        Jerônimo afirma que no ano 14 do reinado de Nero foi o último de seu reinado, e a história registra que Nero morreu em junho de 68, em seguida, usando o cálculo de Jerome, o 2 º ano de Cláudio deve ter sido 43 d.C. Isto concorda, como o Sr. Edmundson observou, com a data da prisão de Pedro e fuga de Herodes, e concorda com as datas históricas para o reinado de Cláudio.

        Cronologistas concordam que Herodes morreu em 44 d.C, e o livro de Atos mostra que depois da fuga de Pedro, Herodes foi para Cesárea, onde passou algum tempo em negociações com enviados de Tiro e de outras cidades fenícias antes de sua morte. Isso, juntamente com a tradição universal grega que os apóstolos não deixaram a região sírio-palestina até ao fim dos 12 anos de ministério, se encaixa bem com a datação de Eusébio e Jerônimo.

        O historiador Jean Daniélou corrobora com a data da partida de Pedro de Jerusalém:

        “Os Atos nos diz que em 43, após a morte de Tiago, Pedro saiu de Jerusalém “para outro lugar” (Atos 12:17). Ele está perdido de vista, até 49, quando encontramos ele no concílio de Jerusalém. Nenhum texto canônico tem nada a dizer sobre a sua atividade missionária durante este tempo. Mas Eusébio escreve que ele chegou a Roma, cerca de 44, no início do reinado de Cláudio.” (The Christian Centuries, p. 28.)

        No livro, O Drama dos Discípulos Perdidos, autor George F. Jowett afirma que “A primeiro ida de Pedro a Roma foi 12 anos depois da morte de Jesus …” (Página 113).

        Autor John Walsh também corrobora com este período: “Depois de escapar da prisão no ano 43, ele [Pedro] faz uma visita apressada à casa de Marcos, deixa certas instruções e, como Atos breves acaba, ‘Então ele saiu e foi para outro lugar.’”(The Bones of St. Peter, p. 34).

        Os acontecimentos imediatos após a partida de Pedro de Jerusalém são revelados em um antigo texto etíope chamado As Contendas dos Apóstolos:

        “… meu mestre Pedro abraçou os irmãos que viviam na cidade de Jerusalém … então partimos para a fronteira da cidade de Jope, e embarcamos em um navio e navegamos sobre o mar até [que chegamos] no ilha de Chipre, onde ficamos durante um período de 3 a 20 dias, pois assim me [Pedro] disse o Senhor para fazer …. Enquanto eu ainda estava na ilha de Chipre, o anjo de Deus apareceu para mim e disse. .. “Levanta-te, e vá para a cidade de Roma”, por isso parti para lá… cheguei à cidade de Roma e entrei nela.” (E. A. Wallis Budge. Londres 1901. P. 505).

        Hipólito, bispo do Ponto, também confirma primeira visita a Roma por Pedro:

        “Este Simão [Mago] enganando a muitos por suas feitiçarias em Samaria foi repreendido pelos apóstolos e foi colocado sob uma maldição, como foi escrito nos Atos. Mas ele depois de ter abjurado a fé e tentado [estas práticas], e caminhando até Roma caiu com o apóstolo [Pedro], e a ele, enganou a muitos por suas feitiçarias, Pedro o enfrentou várias vezes. (Philos. vi. 15.)

        O historiador Onófrio, como registrado por William Cave, afirma que Pedro “foi primeiro a Roma, de onde volta para o concílio de Jerusalém, ele de lá foi para Antioquia … e de passou quase todo o reinado de Nero, em diversas partes da Europa, retornou, no fim do reinado de Nero, a Roma, e lá morreu …”

        Aqui vemos, mais uma vez, as evidências plenas mostrando que Pedro esteve em Roma duas vezes durante sua vida. William Caverna afirma (algumas páginas antes, em seu livro A Vida dos Apóstolos (p. 200)): “O que aconteceu com Pedro após sua libertação da prisão não é certamente conhecido …. Depois disso [escapar da prisão], ele resolveu seguir viagem para Roma, onde a maioria concorda que ele chegou SOBRE O segundo ano do imperador Cláudio”.

        Outra pista que mostra Pedro foi a Roma, em mais de uma ocasião é feita por George Edmundson: “da primeira visita e pregação de São Pedro em Roma a tradição primitiva proferiu alguns detalhes, uma série, no entanto, de testemunhas afirmam que Marcos acompanhou o Apóstolo ROMA e lá escreveu seu Evangelho “.

        O EVANGELHO DE MARCOS

        Os primeiros escritores como Clemente, Eusébio e Jerônimo afirmam que o evangelho de Marcos foi publicado pela primeira vez em Roma – em uma data muito antiga! No segundo livro de Eusébio da história da Igreja somos informados de como Simão, o Mago escapou de Pedro em Roma, e como Pedro logo depois seguiu “levando com ele a proclamação do evangelho da glória. Para estando em Roma, Pedro aprovou o trabalho do Evangelho de Marcos .” Clemente de Alexandria afirma que Pedro pregou em Roma, e que Marcos escreveu seu Evangelho a pedido de ouvintes de Pedro. (Hipol. Lib. VI. Apud Eusébio H. E. II. 14).

        Papias (70-155 dC), como registrado por Eusébio, diz-nos que Marcos escreveu seu evangelho (baseado em sermões de Pedro), na cidade de Roma.

        William Steuart McBirnie, em seu livro A procura pelos os 12 Apóstolos, registra:

        Enquanto em Roma Marcos deve ter escrito seu evangelho, a pedido de S. Pedro. Os ” Pais Pós-Nicenos” registram a tradição: “Marcos, o discípulo e intérprete de Pedro escreveu um evangelho curto, a pedido dos irmãos em Roma, incorporando o que ouvira Pedro dizer . Quando Pedro soube disso, ele aprovou e publicou-o para as igrejas para serem lidos por sua autoridade, como Clemente, no livro 6 de seu “Hypotyposes” e Papias, bispo de Hierápolis, registra. (New York 1973 Pp 253-254)

        Um estudo cuidadoso do Livro de S. Marcos mostra que foi realmente escrito para um público gentio. Aspas nas palavras em aramaico (seguido de uma tradução delas) e sua explicação de muitos dos costumes judaicos provam isso.

        Mas como podemos ter certeza de Marcos escreveu seu evangelho durante uma visita anterior sw Pedro a Roma? Não é concebível que ele escreveu pouco antes ou depois da morte de Pedro, em 68 d.C? Há um número de maneiras que nós podemos resolver isso!

        Durante 1947, quando os Pergaminhos do Mar Morto foram sendo recuperados das cavernas da encosta adjacente à comunidade de Quram, 19 pedacinhos de papiros (identificados como fragmentos do evangelho de Marcos) foram encontrados. A Datação subseqüente pelo professor José O’Callaghan do Pontifício Instituto Bíblico de Roma, mostrou que esses fragmentos faziam parte de um pergaminho mantido em uma biblioteca de palestinos em 50 d.C. Isto indica que o evangelho de Marcos pode ter estado em circulação dentro de um década e meia depois da morte de cristo. Isso se encaixa perfeitamente com tempo datado da primeira visita a Roma por Pedro e Marcos.

        O historiador protestante Harnack concorda, dizendo “… não pode haver … nenhuma objeção em aceitar a voz da tradição que faz com que o evangelho [de Marcos] tenha sido escrito para o uso de Romanos convertidos por Pedro por volta do ano 45 d.C” (A Igreja em Roma no século I, pp 67-68).

        Nas Crônicas antigas de Mateus de Paris (um monge Inglês e Cronista – sobre os 13 primeiros séculos), encontramos Pedro listado, como tendo chegado a Roma em 41 d.C e da escrita do evangelho de Marcos em 42 d.C. Se corrigirmos as datas aqui, temos 44 d.C para a chegada de Pedro a Roma e 45 para a escrita do evangelho de Marcos. (The Coming of the Saints, por John W. Taylor. London 1969. P. 138).

        Os apêndices de A Igreja de Roma no século I (página 239), mostram uma tabela cronológica dos eventos que revela evangelho de Marcos tendo sido escrito em Roma, em 44-45 d.C. Eles continuam dizendo que Pedro e Marcos deixaram Roma em 45 d.C e chegaram em Jerusalém, na primavera de 46.

        OS OUTROS TRÊS EVANGELHOS

        Outra maneira de determinar se Marcos escreveu seu evangelho durante uma estadia em Roma mais cedo com Pedro, ou na época da morte de Pedro, é verificar quando o evangelho foi escrito em relação aos outros três evangelhos.

        Nos primeiros comentários de Orígenes (185-254 dC) sobre o evangelho segundo Mateus, ele atesta que ele conhece apenas quatro evangelhos – escrito na seguinte ordem:

        “…como tendo aprendido pela tradição sobre os quatro evangelhos, o que por si só são inquestionáveis​​, na Igreja de Deus debaixo do céu, o primeiro que foi escrito foi o segundo Mateus … que o publicou para aqueles que do judaísmo passaram a acreditar, composto na língua hebraica. Em segundo lugar, o de segundo Marcos, que escreveu em conformidade com as instruções de Pedro … e em terceiro lugar e segundo Lucas, que escreveu, para aqueles que dentre os gentios [passaram a acreditar], o evangelho que foi elogiado por Paulo. Depois de todos, o segundo João.”

        Parece que o presente Novo Testamento preserva a ordem em que os quatro evangelhos foram escritos originalmente.

        Assinaturas que aparecem no final do Evangelho de Mateus em numerosos manuscritos (todos sendo mais tarde do que o século X ), dizem que a conta foi escrita sobre o 8º ano após a morte de Cristo. (Ajuda ao Entendimento da bíblia, p. 1971). Isso o colocaria no 38 d.C. Outras fontes afirmam que foi escrito em 41 d.C. Vários especialistas consideram que o evangelho de Mateus apresenta um texto mais primitivo do que Marcos.

        A introdução aos Evangelhos Sinóticos, no Novo Testamento da Bíblia de Jerusalém diz: “Segundo uma tradição datada do século II, São Mateus foi o primeiro a escrever um evangelho e escreveu na língua hebraica. Nosso grego “Evangelho segundo São Mateus” não se identifica com este livro peimeiramente em aramaico, que está perdido, embora haja momentos em que parece representar um texto mais primitivo do que Marcos.”

        O Evangelho de Lucas, de acordo com o Ajuda ao Entendimento da Bíblia “pode ter sido escrito em Cesaréia em algum momento durante o confinamento de Paulo lá por cerca de dois anos (c. 56-58 dC).” O Novo Testamento da Bíblia de Jerusalém observa que “evangelho de São Lucas e os Atos dos Apóstolos são os dois volumes de um único trabalho que hoje poderíamos chamar ‘a história da ascensão do cristianismo.” Os dois livros estão inseparavelmente ligados por seus Prólogos e por seu estilo.”

        O livro de Atos termina com a primeira prisão de Paulo em Roma, os dois volumes pode ser datados de cerca de 59-61 d.C

        Com essa evidência, podemos concluir que o Livro de Marcos deve ter sido escrito entre 38 e 61 d.C, confirmando assim a data de compilação 45 d.C e a presença de Pedro em Roma neste Periodo.

        FÍLON O JUDEU

        Existe ainda uma outra prova intrigante para uma primeira visita de Pedro a Roma.

        No verão de 38 d.C Agripa I visitou Alexandria, no Egito, onde ele aproveitou a oportunidade para desfilar sua “magnificência” ante os judeus da cidade. Este incitou os gregos de Alexandria a um motim e perseguirem os judeus. O conflito inter-racial que se seguiu tornou-se tão ruim que se espalhou para outras partes do Império Romano.

        Gaio Caligula – o imperador louco – exacerbou o problema, exigindo que os judeus alexandrinos adoracem-o como deus. Bo Reicke, em A Era do Novo Testamento, diz: “Agripa queixou-se a Gaio Caligula, assim como uma delegação de judeus de Alexandria liderado pelo filósofo Fílon, cujos livros In Flaccum e De Legatione ad Gaium discutem essa importante luta” (Press Fortress Pensilvânia. , 1981). A delegação, liderada por Fílon, viajou para Roma, em 39 ou 40 d.C, mas não teve sucesso em obter a ajuda de Calígula, que estava praticamente insano por esta altura.

        Quando Claudio subiu ao trono em 41, ele tentou resolver este conflito – ordenando representantes de ambos os grupos étnicos comparecerem perante ele em Roma. A segunda delegação, mais uma vez dirigida por Fílon, fez a viagem a Roma. Quando eles chegaram, Eusébio afirma que Fílon “Disse ter lido diante do Senado inteiro dos romanos sua descrição da impiedade do [Imperador] Caio, que ele intitulou, com certas ironias, refere a suas Virtudes, e suas palavras eram tão admiradas como se pudessem ter um lugar nas bibliotecas.”

        Enquanto Fílon estava em Roma ele se encontrou com Pedro!

        Note o que Willian Cave disse:

        “Aqui [em Roma], dizem-nos, ele [Pedro] se reuniu com Filon o judeu, que recentemente veio em sua segunda embaixada até Roma, em nome de seus compatriotas em Alexandria, e contraíu uma íntima amizade e familiaridade com ele.” (A vida dos Apóstolos. Oxford 1840. Pp. 200-201.)

        Eusébio comenta que “a tradição diz que ele [Filon] chegou a Roma no tempo de Cláudio para falar com Pedro que estava naquele tempo a pregação os de Roma. Isso, de fato, não pode ser improvável uma vez que o tratado a que nos referimos, composto por ele [Filon] muitos anos depois, obviamente, contém as regras da igreja que ainda são observados em nosso próprio tempo” (História Eclesiástica de Eusébio. Harvard University Press, Londres. 1975. p. 145).

        Parece altamente provável que Marcos foi enviado, por Pedro, para evangelizar Alexandria e áreas vizinhas COMO RESULTADO DO contato de Pedro, com Filon! A tradição oriental afirma Marcos foi para Alexandria de Roma, numa data próxima – e, eventualmente, foi martirizado lá.

        Como resultado da segunda viagem de Filo a Roma e dos conselhos de Agripa, Claudio ordenou que o prefeito do Egito observar que os direitos dos judeus não fossem invadidos. Ao mesmo tempo, ele advertiu os judeus de Alexandria a permanecer pacíficamente e proibiu-os para atrair mais compatriotas para a cidade para obter vantagem política. Estas diretivas pavimentou o caminho para o trabalho de Marcos na área e, como esta tradição coptas no Egito relatam”, “Mark levou seu evangelho com ele para Alexandria.”

        E quando foi que Marcos saiu para Alexandria? A História dos Patriarcas menciona explicitamente que a revelação a Pedro e a Marcos (que Marcos deveria ir para Alexandria) veio no ano 15 DEPOIS DA MORTE DE CRISTO – 45 d.C! (The Search For the 12 Apostles, por William Steuart McBirnie. NY 1973. P. 255).

        EVIDÊNCIA ARQUEOLÓGICA

        Uma quantidade considerável de evidências foi descoberto pelas pás dos arqueólogos provando uma antiga crença da residência e morte de Pedro em Roma. Um grande número de sarcófagos cristãos foram descobertos (agora no Museu de Latrão) mostrando cenas de prisão de Pedro por Herodes com sua posterior liberação por um anjo. O historiador francês Das perseguições dos primeiros dois séculos, Paul Allard, aponta que a freqüência com que este assunto foi escolhido tende a provar uma relação estreita entre este evento e a primeira visita de Pedro a Roma.

        “Várias vezes, as figuras de Pedro e Paulo são encontradas em pinturas, ilustrações, copos e tigelas datados do século IV” (Pedro: O Príncipe dos Apóstolos, p. 615).

        Cerca de duas milhas de Roma, na Via Appia, ergue-se a antiga Igreja de São Sebastião. Esta igreja foi originalmente chamada de Basílica dos Apóstolos por causa da tradição que os corpos de Pedro e Paulo estavam escondidos ali (em um cofre) durante a perseguição de Valeriano (253-260 dC). As primeiras tentativas para escavar sob esta Igreja foram feitas em 1892. Os escavadores descobriram uma antiga casa romana, com uma fileira de túmulos em frente – que data do primeiro e segundo séculos. Uma inscrição mostrou este edifício como sendo a casa de Hermes (Romanos 16:14), e cerca de 80 REFERÊNCIAS A Pedro foram descobertas neste local – que remonta a pelo menos o século 3. Isso é prova clara de que, numa data muito antiga o nome de Pedro foi associados a este local.

        Por perto, dois fragmentos de sarcófagos foram descobertos mostrando a figura de Pedro.

        Nas catacumbas de Roma a memória de Pedro está totalmente espalhada. Perdendo apenas em importância para Cristo como um objeto de arte catacumbal, Pedro é retratado nas paredes mofadas de três passagens subterrâneas misteriosas mais de trezentas vezes! Há quase 30 cenas diferentes e incidentes da vida de Pedro – tudo a partir dos evangelhos – representado por baixo da Cidade Imperial (Veja Catacumbas, por Pp Hertling & Kirschbaum 242-244..).

        In an abbreviated form, the apostle’s name was found present, at least 20 times, on the “Graffiti Wall” next to Peter’s grave beneath the high altar of St. Peters in the Vatican. Most often, his initials were arranged as a monogram, which has been found all ALL OVER ROME “scratched in ancient monuments, inked onto old manuscripts, worked subtly into wall mosaics, incised on the margins of public signs, roughly stamped on medals, coins, rings, statuettes, pots and similar household wares, even painted on gaming boards” (The Bones of St. Peter, p. 97).

        Em uma forma abreviada, o nome do apóstolo foi encontrado presente, pelo menos 20 vezes, no “Graffiti Wall” ao lado do túmulo de Pedro embaixo do altar-mor de São Pedro, no Vaticano. Na maioria das vezes, suas iniciais foram arranjadas como um monograma, que foi encontrado por toda a Roma “riscado em monumentos antigos, pintado em manuscritos antigos, trabalhado sutilmente em mosaicos de parede, inciso nas margens de sinais públicos, estampado em medalhas, moedas , anéis, estatuetas, vasos e produtos domésticos similares, até mesmo pintado em placas de jogos” (The Bones of St. Peter, p. 97).

        Nada ocorre no vácuo – evidencias da permanência de Pedro e do martírio em Roma são encontradas em muitos lugares diferentes, se alguém estiver disposto a olhar honestamente.

        A DEMORA DE PAULO

        Você já notou por que que o apóstolo Paulo continuou resistindo em ir visitar do povo de Deus em Roma? POR QUE? Porque ele não gostava de construir sobre fundamento alheio!

        Observe o que Romanos diz:

        “Mas, irmãos, em parte vos escrevi mais ousadamente, como para vos trazer outra vez isto à memória, pela graça que por Deus me foi dada; Que seja ministro de Jesus Cristo para os gentios, ministrando o evangelho de Deus, para que seja agradável a oferta dos gentios, santificada pelo Espírito Santo. De sorte que tenho glória em Jesus Cristo nas coisas que pertencem a Deus.Porque não ousarei dizer coisa alguma, que Cristo por mim não tenha feito, para fazer obedientes os gentios, por palavra e por obras; Pelo poder dos sinais e prodígios, na virtude do Espírito de Deus; de maneira que desde Jerusalém, e arredores, até ao Ilírico, tenho pregado o evangelho de Jesus Cristo. E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio; Antes, como está escrito: Aqueles a quem não foi anunciado, o verão, E os que não ouviram o entenderão. Por isso também muitas vezes tenho sido impedido de ir ter convosco. Mas agora, que não tenho mais demora nestes sítios, e tendo já há muitos anos grande desejo de ir ter convosco, Quando partir para Espanha irei ter convosco; pois espero que de passagem vos verei, e que para lá seja encaminhado por vós, depois de ter gozado um pouco da vossa companhia. Mas agora vou a Jerusalém para ministrar aos santos.” (Romanos 15, 15-25 – Tradução João Almeida)[Grifos nossos]

        Vejam o que ele fala no verso 20 em negrito: “E desta maneira me esforcei por anunciar o evangelho, não onde Cristo foi nomeado, para não edificar sobre fundamento alheio”

        Isso torna tudo bem simples. Roma já havia sido evangelizada antes da escrita do livro de Romanos (57-58 d.C)!

        Veja o que Paulo fala em Efésios 2, 20 :

        “Edificados sobre o fundamento dos apóstolos e dos profetas, de que Jesus Cristo é a principal pedra da esquina;”

        Os apóstolos eram os fundamentos.

        Vemos então que o fundamento sobre o qual Paulo não queria construir era o fundamento de outro apóstolo, e quem foi esse outro apóstolos que evangelizou ROMA? Diante de todas as evidências apresentadas no texto, qual os leitores apontam como sendo o apostolo fundador da Igreja de Roma?

        Obviamente, vemos, que a Fundação sobre a qual Paulo não queria construir era a de Pedro!

        Assim entendemos que as tentativas de deturpar a verdade sobre a qual o protestantismo dá foros de verdade, não passa, isto sim, de lendas escandalosas e pérfidas, havendo VÁRIAS provas do martírio, episcopado e estadia de Pedro em Roma, conforme nos relata a bíblia, a história, a geografia, a arqueologia e a tradição!

        BIBLIOGRAFIA:

        Dr. Adolph Harnack: “Dogmengeschichte”, 4th ed., p. 486 (c. 1904) cited in B.C. Butler’s The Church and Infallibility pg. 140 (c. 1954)

        KIRBY, Peter. Ascensão de Isaias. Traduzido Por Rafael Rodrigues; Disponível em: Acesso em 13/12/2011

        Irineu de Lion. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 1. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. Disponível em .

        Eusébio de Cesárea. From Nicene and Post-Nicene Fathers, Second Series, Vol. 1. Edited by Philip Schaff and Henry Wace. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1890.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. .

        Clemente Romano. Epistola a Tiago. Traduzido Por Rafael Rodrigues; Disponível em: . Acesso em 13/12/2011

        Pregação de Pedro. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 8. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1886.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. Disponível em .

        Tertuliano. Sobre o Batismo. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 3. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. Disponível em .

        Clemente de Alexandria. Fragmentos. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 2. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1885.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. Disponível em .

        Arnóbio de Sica. From Ante-Nicene Fathers, Vol. 6. Edited by Alexander Roberts, James Donaldson, and A. Cleveland Coxe. (Buffalo, NY: Christian Literature Publishing Co., 1886.) Revised and edited for New Advent by Kevin Knight. Traduzido por Rafael Rodrigues. . Disponível em .

        Todas as Outras obras dos Cristãos Primitivos citadas na matéria podem ser encontradas em

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        • OLIVEIRA disse:

          SÃO PEDRO O NOSSO PRIMEIRO PAPA!

          Contra Proclo
          Caio (séc I)

          I. E eu posso mostrar os troféus dos apóstolos. Se você for para o Vaticano ou para a Via Óstia, encontrará os troféus daqueles que fundaram esta igreja (Preservado em História Eclesiástica 2,25, de Eusébio).
          II. Mas Cerinto, também, através de revelações escritas, como ele nos faria acreditar, por um grande apóstolo, traz ante a nós coisas maravilhosas, que propõe lhe terem sido mostradas por anjos; alegando que depois da ressurreição o reino de Cristo será terreno, e a carne que repousa em Jerusalém será novamente sujeita a desejos e prazeres. E sendo um inimigo das Escrituras de Deus, ao querer enganar os homens, diz que haverá festivais de casamento de mil anos (Idem 3,28).
          III. E depois disso houve quatro profetizas, filhas de Filipe, em Hierápolis na Ásia. Suas tumbas estão lá, bem como a de seu pai (Ibidem 3,31). * * *

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        • CATIA disse:

          1) EVANGELHOS APÓCRIFOS

          O termo “apócrifos” geralmente é usado para indicar os apócrifos veterotestamentários, mas há também apócrifos do Novo Testamento, isto é, livros que em determinadas épocas e regiões, em determinadas comunidades cristãs, foram mais ou menos aceitos como Sagrada Escritura, mas não foram colocados no cânon pela Igreja universal. Geralmente trata-se de escritos demonstravelmente tardios (século III e depois), evidentemente imitações e/ou pretensos suplementos dos escritos canônicos do Novo Testamento. A essa categoria pertencem os evangelhos apócrifos, alguns dos quais continuaram conhecidos em toda a tradição cristã, e até o dia de hoje podem ser adquiridos em traduções modernas.

          O evangelho mais importante dessa categoria é o Proto-evangelho de Tiago. Admite-se geralmente que foi escrito no século II. Descreve o nascimento e a infância de Jesus, mas começa com vários detalhes da juventude da Virgem Maria. É tipicamente uma tentativa de satisfazer à curiosidade popular em torno de coisas não mencionadas nos evangelhos canônicos. A teologia desse “evangelho” é a de um docetismo popular: Jesus tem um Corpo não sujeito às leis do espaço e do tempo. O escrito não tem valor como fonte histórica sobre Jesus.

          Os apócrifos do Novo Testamento têm valor para nosso conhecimento da piedade popular no século II e depois. Alguns deles tiveram no passado uma influência pelo menos tão grande quanto a dos evangelhos canônicos. O evangelho do Pseudo-Mateus, por exemplo, foi muito conhecido na Idade Média. É uma compilação (do início da Idade Média) de textos mais antigos, entre os quais o Proto-evangelho de Tiago. Teoricamente, devia ser possível encontrar nesse tipo de escritos tardios um caminho para chegar às fontes mais antigas. Mas há tantas incertezas que na prática tal programa se mostra inexeqüível. Uma segunda categoria é formada por alguns evangelhos sobre cuja existência informa a literatura cristã antiga, mas dos quais nada ou quase nada foi conservado. Dispomos apenas de alguns textos citados por Santos Padres ou teólogos da Igreja antiga. Devem ser mencionados: o Evangelho dos Egípcios, o Evangelho dos Hebreus e o Evangelho dos Ebionitas. Sem dúvida trata-se de textos bastante antigos. Clemente de Alexandria (falecido por volta de 215) cita o Evangelho dos Egípcios e o Evangelho dos Hebreus. Orígenes (falecido em 254) conheceu possivelmente o Evangelho dos Ebionitas.

          Qual foi o conteúdo desses textos e como devemos avaliá-los? Quem estiver esperando novidades sensacionais ficará decepcionado. Grande parte deles baseia-se evidentemente nos evangelhos canônicos. Acrescentam-se pormenores; o texto é tornado mais impressionante: indício indubitável de adaptação. Às vezes o teor de uma palavra de Jesus é ligeiramente modificado. Uma característica geral que pode ser constatada é a tendência encratista. Precisa-se de muita imaginação para encontrar nessas palavras uma tradição autêntica sobre Jesus.

          Uma terceira categoria de evangelhos apócrifos consta de textos em papiros e pergaminhos descobertos neste último século. Fazendo abstração, por ora, da biblioteca copta de Nag Hammadi (cf. infra), trata-se de um pequeno grupo de escritos dos quais possuímos também apenas alguns fragmentos. Os mais conhecidos são os textos evangélicos do Papiro 2 de Egerton e o Evangelho de Pedro. Ambos os textos foram escritos provavelmente no século II. Egerton 2 conta quatro cenas, três das quais, as primeiras, têm paralelos nos evangelhos canônicos; a quarta está tão danificada que é difícil formar sobre ela uma opinião sensata. Quanto a esses papiros, a maioria dos especialistas julga tratar-se de uma compilação; alguns, porém, defendem ardentemente a tese de que são independentes dos evangelhos canônicos. Estou inclinado a concordar com a maioria, acrescentando que esses fragmentos, ainda que fossem independentes, contribuem pouco ou nada para nosso conhecimento a respeito do Jesus histórico. O Evangelho de Pedro (o fragmento que se conservou) descreve o processo contra Jesus, sua execução e sua ressurreição. Característica é a tendência antijudaica ainda mais forte que nos evangelhos canônicos. Teologicamente, ele está mais próximo de João; em contraste com João, porém, a cristologia é a do docetismo: aquele que sofre e morre é apenas uma aparição do verdadeiro Jesus, que é divino e por isso não pode sofrer e morrer. As opiniões sobre esse texto são as mesmas que sobre o papiro de Egerton. Para mim, é um rewritten gospel, uma adaptação baseada nos evangelhos canônicos.

          Finalmente. temos a grande biblioteca copta, encontrida, pouco depois da Segunda Guerra Mundial, perto de Nag Hammadi, no Egito superior. Além de um texto completo do Evangelho de Tomé, esta coleção contém dois outros evangelhos apócrifos: o Evangelho de Filipe e o Evangelho da Verdade. Esse último não é um evangelho no sentido costumeiro da palavra; é antes uma meditação, uma espécie de sermão sobre a redenção pelo conhecimento (gnosis) de Deus. É atribuído ao gnóstico Valentino, que viveu em meados do século II; por conseguinte, não ajuda em nada a pesquisa sobre o Jesus histórico. O Evangelho de Filipe foi escrito antes de 350; é evidentemente uma compilação de materiais mais antigos. Como sempre, coloca-se ai a questão se seria possível destacar do texto atual as fontes utilizadas. Também no caso do Evangelho de Filipe isso parece muito problemático. O texto causou certo sensacionalisnio porque sugere uma relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena. Coisa semelhante consta no Evangelho de Maria Madalena, não encontrado em Nag Hammadi, mas proveniente de um ambiente semelhante. Alegando esses apócrifos, pessoas não-especializadas no assunto proferiram a suspeita de que a Igreja teria escamoteado valiosos documentos antigos. Sem dúvida, a Igreja estabeleceu seu cânon com base em determinadas suposições dogmáticas, freqüentemente em consciente polêmica contra grupos que invocavam a autoridade de escritos cuja autenticidade reivindicavam. Eu seu julgamento, o historiador terá de ponderar também esse fato. Não é impossível que em semelhantes grupos tradições originais tenham sido transmitidas, embora seja praticamente certo que elas então passaram por adaptações mais ou menos profundas. Porém, ao ler esses escritos, é difícil não chegar à conclusão de que a Igreja, com relação a eles, traçou os limites de seu cânon com razoável objetividade e com certeira avaliação da qualidade.

          Divergem muito entre si as opiniões acerca do valor desses escritos como fontes para a biografia de Jesus. O certo é que nenhum desses evangelhos apócrifos vem diretamente de testemunhas oculares; mas isso vale também para os evangelhos canônicos. Sobre fragmentos pequeninos não se pode dizer muita coisa. Textos de maior envergadura sempre têm uma motivação teológica, não biográfica ou histórica no sentido moderno. Mas também isso vale igualmente para os evangelhos canônicos. O fato de muitos desses escritos apresentarem traços ligeiramente “gnósticos” é para alguns motivo de desconfiança de seu valor como testemunhas, ao passo que outros lhes dão tanto mais crédito, já que para eles o próprio Jesus foi um mestre gnosticizante.

          Onde, então, estão as diferenças? Principalmente nas datações. Os evangelhos canônicos foram escritos antes do fim do século I. Os textos evangélicos apócrifos, porém, na forma em que os possuimos agora, são todos posteriores. Se é que contém material historicamente confiável, teremos de investigar sua origem. Em si, isso não tem nada de extraordinário. Esse tipo de literatura costuma utilizar fontes: raramente uma narrativa sobre Jesus ou uma palavra atribuida teria nascido inteiramente da piedosa fantasia de um autor. Mas o que a fantasia piedosa fez com as fontes não pode ser mais apurado. Aí inevitavelmente a subjetividade do pesquisador vai desempenhar importante papel.

          2. PALAVRAS ATRIBUÍDAS A JESUS POR COPIADORES DE MANUSCRITOS

          São os chamados agrapha, declarações de Jesus ou sobre ele que se encontram em um ou em alguns manuscritos, mas faltam naqueles mais confiáveis, e por isso não constam das edições críticas dos textos dos evangelhos. Podem ser encontradas, naturalmente, no aparato crítico. Esses textos provam que circulavam diversas tradições sobre Jesus que não foram integradas aos quatro evangelhos. Se são historicamente confiáveis, é outra questão.

          O exemplo mais conhecido é provavelmente o texto que se encontra no códex Bezae depois de Lc 6,5: “Naquele dia, (Jesus), vendo alguém trabalhar no sábado, disse-lhe: ‘Homem, bem-aventurado és tu se sabes o que estás fazendo; mas, se não o sabes, és amaldiçoado e um transgressor da Lei'”. Também do “final não-autêntico” de Marcos existem algumas variantes nos manuscritos.

          3. AUTORES CRISTÃOS ANTIGOS

          Também aí encontramos agrapha a provar que, além das canônicas, circulavam ainda outras tradições sobre Jesus. Sabemo-lo igualmente por uma observação de Papias, transmitida por Eusébio: “Quando me encontrava com alguém que fora discípulo dos anciãos, perguntava sempre pelas declarações (“palavras”) dos anciãos: o que dizia André ou Pedro ou Filipe ou Tomé ou Tiago ou João ou Mateus ou um dos demais discípulos do Senhor… Pois partia do princípio de que as coisas escritas nos livros não são tão úteis quanto aquilo que eu podia ouvir de uma voz viva que continuava presente”.

          Papias é uma das testemunhas mais antigas de palavras canônicas de Jesus, mas até no século IV encontramos semelhantes agrapha. Como em outros casos, reconhecer autenticidade é em grande parte questão de gosto. Conforme já observamos, não devemos esquecer nunca que personagens famosos como Jesus muitas vezes são citados como autores de sentenças na realidade formuladas por outros, menos conhecidos.

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        • bira disse:

          Para falar do Catolicismo é necessário conhecê-lo, sob pena de criticar o incritável e espalhar o erro, pondo em risco a própria alma e a alma dos outros. Já fui protestante (pentecostal)… já critiquei muito a doutrina da Igreja sem conhecê-la, isto é, criticava aquilo que eu achava que era doutrina ensinada pela Igreja … Quando resolvi ir à fonte e conhecer o que realmente era pregado (e, assim, deixar de lado o que me diziam), não tive dúvidas de que a Igreja Católica é a Igreja de Cristo. O problema de todo protestante é inverter a história, transformar a Bíblia na mãe da Igreja, quando, na verdade, é justamente o contrário: a Igreja é a mãe da Bíblia; por isso São Paulo claramente declara: “a Igreja é a coluna e o fundamento da Verdade” (1Tim 3,15); onde se encontra na Bíblia que está é a única fonte de autoridade para o cristão, justificando a sola scriptura?? A autoridade está na Igreja: “Se recusar ouvi-los, dize-o à Igreja; e, se também recusar ouvir a Igreja, considera-o como gentio e publicano” (Mt 18,17) e “Quem vos ouve, a mim me ouve; e quem vos rejeita, a mim me rejeita; e quem a mim me rejeita, rejeita aquele que me enviou” (Lc 10,16).

          Então você me perguntaria: mas qual Igreja, já que existem mais de 30 mil denominações cristãs?? Posso responder, sem medo de errar: aquela que existe desde o princípio, conforme narrado no livro do Atos… Certamente não é nenhuma das denominações protestantes, porque apareceram apenas a partir do séc. XVI (por aqui você exclui praticamente todas as denominações hoje existentes em cada esquina…). Quem resta? A Igreja Católica… a sucessão dos bispos de Roma (papas) – fato *histórico* comprovado – liga o papa atual a Pedro. A arqueologia já comprovou também que Pedro morreu em Roma. Por outro lado, Jesus prometeu a assistência infalível na fé à sua Igreja, cf. Jo 16,13 – e não a cada fiel, como prega o protestantismo – de forma que Ele mesmo estará com sua Igreja até a consumação dos tempos, cf. Mt 28,20; se alguma vez a Igreja Católica – a única que historicamente pode ser ligada à Igreja Primitiva – apostatou de seu Senhor, então Jesus não cumpriu suas promessas: não enviou o Espírito Santo (cf. At 2) e não permaneceu com sua Igreja. Dizer que Cristo permaneceu com um pequeno grupo, seleto e fiel, até chegar a época da Reforma Protestante é absurdo por inúmeros motivos:

          Não há nenhum registro histórico comprovando a existência de idéias semelhantes aos dos protestantes (principalmente quanto à sola scriptura), embora não faltem informações sobre centenas e centenas de heresias (muitas ainda pregadas entre os protestantes, como a negação do título de Theotókos para Maria);
          Se Cristo permaneceu exclusivamente com algum grupo cismático, como os ortodoxos e nestorianos, é muitíssimo estranho estes grupos manterem muito mais semelhança com os católicos do que com os protestantes (ex: todos eles guardam os 7 sacramentos);
          Se, porém, Cristo aguardou até a Reforma para trazer sua Igreja de volta aos eixos, então negligenciou a salvação de pelo menos 30 gerações de cristãos, de modo a por em dúvida a inspiração das palavras: “O qual (=Deus) deseja que *todos os homens* sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (1Tim. 2,4), o que seria absurdo…
          Tudo isso, percebe-se, é pura especulação protestante, baseada na livre interpretação da Bíblia (condenada em 2Ped. 1,20), verdadeiro pecado contra o Espírito Santo (cf. Mt 12,32), pois pressupõe que o mesmo e real Espírito Santo possa inspirar duas doutrinas excludentes entre si para cada cristão, depondo contra a unidade cristã pretendida e apontada por Cristo Senhor nosso (cf. Jo 17,22); portanto, todo aquele que pregar contra a unidade da Igreja (e só pode haver uma única Igreja visível, cf. Jo 17,20-21) certamente não obterá a salvação, por ser esta uma obra da carne e não do espírito (cf. Gl 5,6).
          Despeço-me, agradecendo mais uma vez o encaminhamento da “obra” anti-católica – apesar de seus inúmeros erros históricos e doutrinários, que depõem contra o real conhecimento do autor quanto ao assunto tratado – e peço a Deus, todo-poderoso, que o abençoe e ilumine o seu caminho.

          PS – Quanto ao assunto Pedro/pedra, é necessário lembrar que a língua que Jesus falava era o aramaico e não o grego (língua usada por Mateus em seu evangelho); logo, deve-se analisar a expressão de Jesus conforme a língua original: não há diferença entre o vocábulo Pedro e o termo pedra em aramaico; ambos são escritos da mesma forma, sem qualquer variação: kepha. Por isso, não é necessário fazer malabarismos, distorcendo até mesmo a sintaxe grega da expressão, para afirmar que “esta pedra” é o próprio Jesus… o aramaico confirma o que a Igreja Católica prega há 21 séculos, quanto à interpretação da passagem grega de Mt 16,18…

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