A lição de fé de uma devota de Maria Santíssima


O texto abaixo é baseado num fato verídico que aconteceu em João Pessoa, na Paraíba. Foi testemunhado por José Alves Souto, de Brasília, em julho de 1996. O Blog o reproduz para edificar a fé daqueles que professam a fé Católica.

Havia uma senhora muito simples que vendia verduras na vizinhança. Certo dia, tia Joana, conhecida por toda vizinhança, foi vender suas verduras na casa de um protestante, onde perdeu seu terço no jardim. Passados alguns dias, Joana voltou novamente àquela casa.

O protestante veio logo zombar, e dizia para ela: – “Você perdeu o seu deus?”

Ela humildemente, respondeu: – “Eu, perder o meu Deus? Nunca!”

Ele, então, pegou o terço e disse: – “Não é este o seu deus?”

Ela humildemente, respondeu: – “Ah! Graças à Deus o senhor encontrou o meu terço. Muito obrigada.”

Ele disse: – “Por que você não troca este cordão com estas sementinhas pela bíblia?”

Ela disse: – “Porque a bíblia não sei ler, e com o terço eu medito sobre toda a palavra de Deus e guardo-a no coração”.

Ele disse: – “Medita a palavra de Deus? Como assim, poderia me dizer?”.

Respondeu, tia Joana, pegando o terço: – “Posso sim. Quando eu pego na cruz, lembro-me que o Filho de Deus deu todo o seu Sangue, pregado numa cruz para salvar a humanidade. Esta primeira conta grossa me lembra que há um só Deus onipotente. Estas três contas pequenas me lembram das três pessoas da santíssima trindade: Pai, Filho e Espírito Santo. Esta conta grossa me faz lembrar a oração que o Senhor mesmo nos ensinou, que é o Pai nosso. O terço tem cinco mistérios que me lembram das cinco chagas do nosso Senhor Jesus Cristo cravado na cruz, e cada mistério tem dez Ave-Marias, que me fazem lembrar os dez mandamentos que o Senhor mesmo escreveu na tábua de Moisés. O Rosário de nossa Senhora tem quinze mistérios, que são: os cinco gozosos, os cinco dolorosos e os cinco gloriosos.

De manhã, quando me levanto para iniciar a luta do dia eu rezo os gozosos, lembro-me do humilde lar de Maria de nazaré. No meio dia, no meu cansaço e na fadiga do trabalho eu rezo os mistérios doloros, que me fazem lembrar da dura caminhada de Jesus para o calvário. Quando chega o fim do dia, com as lutas todas vencidas, eu rezo os mistérios gloriosos, que me fazem lembrar que jesus venceu a morte para dar a salvação à toda humanidade.

E agora, me diga onde está a idolatria?”

Ele, depois de ouvir tudo isso, disse: – “Eu não sabia disso. Ensina-me, tia Joana, a rezar o terço!”

Salve maria!

A Igreja Católica jamais ensinou que devemos ‘adorar’ à Maria Santíssima


O texto abaixo foi expandido e adaptado do comentário do leitor Alves Da Cunha, enviado ao blog Ecclesia Militans em 14 de Setembro de 2014. O blog agradece à todos nossos leitores por sua valiosa participação neste espaço.
Virgem Maria Assunta aos Céus

Virgem Maria Assunta aos Céus

O católico de fato tem em seu intimo: 1. Maria não salva . 2 Maria não é deusa. 3 O maior nome nos céus e na Terra é o nome de Jesus, o Senhor. 4 Maria não pode salvar e nunca poderia. 5 A devoção mariana não tem o propósito de promover adoração à Maria . 6 Pedir a intercessão de Maria não é diferente de pedir oração à um irmão ou pastor.

Contudo, não podemos nos esquecer que a mais significativa mulher na bíblia, a que foi realmente grande, foi Maria. Não porque mereceu sê-lo, mas porque pela vontade de Deus foi escolhida, antes mesmo de nascer, para ser a mãe de Jesus. O sangue de Jesus que os evangélicos tanto clamam, vem de Maria, lembrem-se disso … Entretanto, só cristo salva. Só Ele é digno de louvor, honra e gloria, poder e adoração. Todo o poder foi dado a Ele para todo sempre.  Que fique claro  aos irmãos protestantes, que Cristo é o nosso Deus; o filho de Jeová, o Deus de israel, de quem vem a salvação, Portanto, essa igreja de ‘idólatras’, viva há 2000 anos ou mais, ainda está de pé pela Graça de Deus. Todas as ramificações cristãs protestantes, que vieram depois do período de Lutero, ou que são filhos de uma igreja igualmente nascida depois da invenção da impressa escrita, deveriam agradecer à Santa Igreja Católica por ter guardado e preservado, por séculos e séculos, a bíblia da qual hoje desfrutam, a qual até mesmo modificaram. Deveriam agradecer aos ‘idólatras’ católicos, à ‘igreja prostituta’, à ‘torre de babel’, àquela mesma de onde vem o ante cristo. Agradeçam, porque se não fosse por ela nem bíblia existia. Isso é fato, basta estudar a história . Os adversos à Igreja exaltam a Lutero, mas não são capazes de justificar ou explicar, quando questionados, por que não são Luteranos. Curioso isso, não é ? O que mais nos espanta, à nós católicos, é que alegam ter um poder que o próprio Senhor nosso Deus não nos concedeu: de serem juízes. Pois afirmam que todos os católicos são idólatras, que irão para o inferno, etc. Sendo assim, resta-nos perguntar. Se o julgamento de cada católico já foi passado por vós, então pra que o julgamento do trono branco ? Não tem sentido, pois o próprio senhor quando estava na terra não julgou ninguém, nem prostituta, nem cobradores de impostos, nem saldados romanos, nem traidores, nem tampouco o judeus que O perseguiram. Simplesmente pregou o amor e a conversão, anunciou o Reino de Deus e o a revelação do Pai para humanidade. No entanto, foi crucificado, e nem assim julgou seus crucificadores! Parabéns, vocês são extraordinários mesmo! Não se sabia do poder que o nosso Deus lhes concedeu. Que incrível ……

Portanto, sejamos cientes de uma coisa, que o verdadeiro ensinamento do nosso Senhor foi e sempre será o amor. Porque através do amor nossos corações são tocados, e ai sim podemos mudar para melhor, à nos e aos outros,  pela influência do bom exemplo e pela graça que nossa conduta cristã nos ganhará diante de Deus. Porém, só se ama quando realmente se conhece. Assim, irmãos católicos, conheçam a santa Igreja!

Contudo, é fácil refutar o argumento de que Maria fora uma mulher como outra qualquer, e assim, os inúmeros títulos a ela atribuídos sejam indevidos. Como é possível afirmar que a mulher que carregou Jesus no ventre, que cuidou dele, participou de sua vida, o próprio Deus encarnado, tenha sido ‘apenas uma «mulher qualquer»? Daí a sugerir que honrar a mãe do Salvador seja o mesmo que adorá-la, não compete ao católico. Como afirmado acimo, nenhum Católico de fato, instruído na fé, jamais adora à Maria, porque só existe um único Deus: Jesus. Para o Católico, Maria tem um papel de importância, sem dúvida nenhuma e mereça ser lembrada sempre. Agora, por alguma ignorância ou falta de informação aconselham e incitam que se quebre as imagem dentro de uma catedral católica ou no meio der uma procissão! Com efeito, feliz a religião que lembra da mãe do Senhor. Que fique claro, o católico fiel ao ensinamento da Igreja não adora à Maria, mas a respeita. Se ao assumirem uma postura de oração, ajoelha-se diante de uma image, não se prostram para adorar, mas num gesto de humilhação e súplica diante de Deus. Não sou juiz com a biblia de baixo do braço devo ama-los como cristo amou e se desdenham a veneração prestada à Maria pelos católicos, muito melhor proveito fariam se ao invés criticassem a teologia da prosperidade onde o deus mamon, o deus dinheiro é também cultuado e adorado. Onde o dizimo é uma forma de barganha com Deus, pois quanto maior ele é, maior é a graça recebida. Onde o dinheiro é capaz de mover o poder de Deus, onde o evangelho reverbera os anseios capitalista , como se Cristo pregasse uma vida de conforto, carros novos e muito dinheiro, essas sim, formas de idolatria condenadas pela bíblia (cf Col 3,5). O blog Ecclessia Militans, de acordo com a doutrina católica, afirma que idolatria trata-se de tudo aquilo que se nega ou aspira ocupar o lugar devido à Deus na vida do Cristão. Isso também constitui idolatria. O Cristão é chamado a viver o evangelho, a revestir-se de Cristo, imitando-o em todos os aspectos de sua vida. Devemos tentar seguir a cristo e ser um sinal de Deus na vida  daqueles que nos cercam, ao invés de sermos juízes do apocalipse.

Maria no catecismo da igreja católica


Tendo em vista a grande quantidade de mal-entendidos e dúvidas acerca dos verdadeiros ensinamentos Católicos concernentes à Virgem Maria, o blog reproduz abaixo alguns dos parágrafos mais didáticos do Catecismo Católico, especialmente devotados à Maria. Esperamos que leitores, ambos católicos de outras tradiçoes religiosas, que por aqui passarem possam esclarecer algumas de suas dúvidas com o auxílio das linhas abaixo.

1       CULTO DE MARIA NO ANO LITÚRGICO

  • § 1172 “Ao celebrar o ciclo anual dos mistérios de Cristo, a santa Igreja venera com particular amor a bem-aventurada mãe de Deus, Maria, que por um vínculo indissolúvel está unida à obra salvífica de seu Filho; em Maria a Igreja admira e exalta o mais excelente fruto da redenção e a contempla com alegria como puríssima imagem do que ela própria anseia e espera ser em sua totalidade.”
  • § 1370 À oferenda de Cristo unem-se não somente os membros que estão ainda na terra, mas também os que já estão na glória do céu: é em comunhão com a santíssima Virgem Maria e fazendo memória dela, assim como de todos os santos e santas, que a Igreja oferece o Sacrifício Eucarístico. Na Eucaristia, a Igreja, com Maria, está como que ao pé da cruz, unida à oferta e à intercessão de Cristo.
  • § 487 O que a fé católica crê acerca de Maria funda-se no que ela crê acerca de Cristo, mas o que a fé ensina sobre Maria ilumina, por sua vez, sua fé em Cristo.
  • § 2042 O primeiro mandamento da Igreja (“Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho”) ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias.

2       FÉ EM DE MARIA FUNDADA NA FÉ EM CRISTO

§ 487     O que a fé católica crê acerca de Maria funda-se no que ela crê acerca de Cristo, mas o que a fé ensina sobre Maria ilumina, por sua vez, sua fé em Cristo.

3       FESTIVIDADES LITÚRGICAS DE MARIA

§ 2042   O primeiro mandamento da Igreja (“Participar da missa inteira nos domingos e outras festas de guarda e abster-se de ocupações de trabalho”) ordena aos fiéis que santifiquem o dia em que se comemora a ressurreição do Senhor e as festas litúrgicas em honra dos mistérios do Senhor, da santíssima Virgem Maria e dos santos, em primeiro lugar participando da celebração eucarística, em que se reúne a comunidade cristã, e se abstendo de trabalhos e negócios que possam impedir tal santificação desses dias.

              O segundo mandamento (“Confessar-se ao menos uma vez por ano”) assegura a preparação para a Eucaristia pela recepção do sacramento da Reconciliação, que continua a obra de conversão e perdão do Batismo.

              O terceiro mandamento (“Receber o sacramento da Eucaristia ao menos pela Páscoa da ressurreição”) garante um mínimo na recepção do Corpo e do Sangue do Senhor em ligação com as festas pascais, origem e centro da Liturgia Cristã.

  • § 2177 A celebração dominical do Dia e da Eucaristia do Senhor está no coração da vida da Igreja. “O domingo, dia em que por tradição apostólica se celebra o Mistério Pascal, deve ser guardado em toda a Igreja como dia de festa de preceito por excelência.”

              “Devem ser guardados igualmente o dia do Natal de Nosso Senhor Jesus Cristo, da Epifania, da Ascensão e do Santíssimo Corpo e Sangue de Cristo, de Santa Maria, Mãe de Deus, de sua Imaculada Conceição e Assunção, de São José, dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo e, por fim, de Todos os Santos.”

4       ORAÇÃO A MARIA

  • § 2675 A partir dessa cooperação singular de Maria com a ação do Espírito Santo, as Igrejas desenvolveram a oração à santa Mãe de Deus, centrando-a na Pessoa de Cristo manifestada em seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas que exprimem essa oração, alternam-se geralmente dois movimentos: um “exalta” o Senhor pelas “grandes coisas” que fez para sua humilde serva e, por meio dela, por todos os seres humanos; o outro confia à Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos de Deus, pois ela conhece agora humanidade que nela é desposada pelo Filho de Deus.
  • § 2676 Esse duplo movimento da oração a Maria encontrou uma expressão privilegiada na oração da Ave-Maria:

Ave, Maria (alegra-te, Maria).” A saudação do anjo Gabriel abre a oração da Ave-Maria. E o próprio Deus que, por intermédio de seu anjo, saúda Maria. Nossa oração ousa retomar a saudação de Maria com o olhar que Deus lançou sobre sua humilde serva, alegrando-nos com a mesma alegria que Deus encontra nela.

“Cheia de graça, o Senhor é convosco.” As duas palavras de saudação do anjo se esclarecem mutuamente. Maria é cheia de graça porque o Senhor está com ela. A graça com que ela é cumulada é a presença daquele que é a fonte de toda graça. “Alegra-te, filha de Jerusalém… o Senhor está no meio de ti” (Sf 3,14.17a). Maria, em quem vem habitar o próprio Senhor, é em pessoa a filha de Sião, a Arca da Aliança, o lugar onde reside a glória do Senhor: ela é “a morada de Deus entre os homens” (Ap 21,3). “Cheia de graça”, e toda dedicada àquele que nela vem habitar e que ela vai dar ao mundo.

“Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus.” Depois da saudação do anjo, tornamos nossa a palavra de Isabel. “Repleta do Espírito Santo” (Lc 1,41), Isabel é a primeira na longa série das gerações que declaram Maria bem-aventurada’: “Feliz aquela que creu…” (Lc 1,45): Maria é “bendita entre as mulheres” porque acreditou na realização da palavra do Senhor. Abraão, por sua fé, se tomou uma bênção para “todas as nações da terra” (Gn 12,3). Por sua fé, Maria se tomou a mãe dos que crêem, porque, graças a ela, todas as nações da terra recebem Aquele que é a própria bênção de Deus: “Bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus”.

  • § 2677 “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós…” Com Isabel também nós nos admiramos: “Donde me vem que a mãe de meu Senhor me visite?” (Lc 1,43). Porque nos dá Jesus, seu filho, Maria é Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos lhe confiar todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós como rezou por si mesma: “Faça-se em mim segundo a tua palavra” (Lc 1,38). Confiando-nos à sua oração, abandonamo-nos com ela à vontade de Deus: “Seja feita a vossa vontade”.

“Rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte.” Pedindo a Maria que reze por nós, reconhecemo-nos como pobres pecadores e nos dirigimos à “Mãe de misericórdia”, à Toda Santa. Entregamo-nos a ela “agora”, no hoje de nossas vidas. E nossa confiança aumenta para desde já entregar em suas mãos “a hora de nossa morte”. Que ela esteja então presente, como na morte na Cruz de seu Filho, e que na hora de nossa passagem ela nos acolha como nossa Mãe, para nos conduzir a seu Filho, Jesus, no Paraíso.

  • § 2678 A piedade medieval do Ocidente desenvolveu a oração do Rosário como alternativa popular à Oração das Horas. No Oriente, a forma litânica da oração “Acatisto” e da Paráclise ficou mais próxima do ofício coral nas Igrejas bizantinas, ao passo que as tradições armênia, copta e siríaca preferiram os hinos e os cânticos populares à Mãe de Deus. Mas na Ave-Maria, nos “theotokia”, nos hinos de Sto. Efrém ou de S. Gregório de Narek, a tradição da oração é fundamentalmente a mesma.
  • § 2679 Maria é a Orante perfeita, figura da Igreja. Quando rezamos a ela, aderimos com ela ao plano do Pai, que envia seu Filho para salvar todos os homens. Como o discípulo bem-amado, acolhemos em nossa casa a Mãe de Jesus, que se tornou a mãe de todos os vivos. Podemos rezar com ela e a ela. A oração da Igreja é acompanhada pela oração de Maria, que lhe está unida na esperança.
  • § 2146 O segundo mandamento proíbe o abuso do nome de Deus, isto é, todo uso inconveniente do nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os santos.
  • § 971 “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48): “A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão“. A Santíssima Virgem “é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de ‘Mãe de Deus’, sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (…) Este culto (…) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente”; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração Mariana, tal como o Santo Rosário, “resumo de todo o Evangelho“.

5       RESPEITO AO NOME DE MARIA

  • § 2146 O segundo mandamento proíbe o abuso do nome de Deus, isto é, todo uso inconveniente do nome de Deus, de Jesus Cristo, da Virgem Maria e de todos os santos.

6       VENERAÇÃO E NÃO ADORAÇÃO

  • § 971 “Todas as gerações me chamarão bem-aventurada” (Lc 1,48): “A piedade da Igreja para com a Santíssima Virgem é intrínseca ao culto cristão“. A Santíssima Virgem “é legitimamente honrada com um culto especial pela Igreja. Com efeito desde remotíssimos tempos, a bem-aventurada Virgem é venerada sob o título de ‘Mãe de Deus’, sob cuja proteção os fiéis se refugiam suplicantes em todos os seus perigos e necessidades (…) Este culto (…) embora inteiramente singular, difere essencialmente do culto de adoração que se presta ao Verbo encanado e igualmente ao Pai e ao Espírito Santo, mas o favorece poderosamente”; este culto encontra sua expressão nas festas litúrgicas dedicadas à Mãe de Deus e na oração Mariana, tal como o Santo Rosário, “resumo de todo o Evangelho“.

 

 

Santo Agostinho – Imagens e relíquias Sagradas


O artigo abaixo é uma colaboração do leitor Edmilson

Santo Agostinho refere-se várias vezes à imagens de nosso Senhor e os santos nas igrejas, e argumenta de vário modos, por exemplo, em sua obra Contra Fausto trata sobre a cena da história de Abraão, pintada em diversos lugares:

“Pois Abraão sacrificar seu filho por conta própria é uma loucura chocante. Seu feito sob o comando de Deus prova-o fiel e submisso. Isto é tão altamente proclamado pela própria voz da verdade, que Fausto, vasculhando ansiosamente por alguma falha, e reduzindo a última a acusações caluniosas, não tem a ousadia de atacar esta ação. É quase impossível que ele possa ter esquecido desta ação tão famosa, que se repete com a mente de si mesmo, sem qualquer estudo ou reflexão, e é de fato repetido por tantas línguas, e retratratado em tantos lugares, que ninguém pode fingir fechar os olhos ou os ouvidos a ela.” (Contra Fausto XXII, 73)

Fala que Jesus, Pedro e Paulo eram pintados em honra a sua memória:

“Cum enim vellent tale aliquid fingere Christum scripsisse ad discipulos suos, cogitaverunt ad quos potissimum scribere potuisse facile crederetur, tamquam ad illos, qui ei familiarius adhaesissent, quibus illud quasi secretum digne committeretur, et occurrit eis Petrus et Paulus, credo quod pluribus locis simul eos cum illo pictos viderent, quia merita Petri et Paulietiam propter eumdem passionis diem celebrius sollemniter Roma commendat.”(De Consensu Evangelistarum libri quatuor – Liber Primus, 10)

Fala sobre a Honra aos relicários dos Mártires:

“Mas, no entanto, nós não construir templos, e ordenamos sacerdotes, ritos e sacrifícios para estes mesmos mártires, porque não são os nossos deuses, mas o seu Deus é o nosso Deus. Certamente honrarmos seus relicários, como os memoriais dos santos homens de Deus que se esforçaram para a verdade, mesmo até morte de seus corpos, para que a verdadeira religião pudesse ser conhecida, e as religiões falsas e fictícias expostas.” (Cidade de Deus, livro VIII, capítulo 27)

Dos milagres que as relíquias dos mártires fazem:

“Quando o bispo Projectus estava trazendo as relíquias do glorioso mártir Estevão às águas do Tibilis, uma grande multidão de pessoas veio para encontrá-lo no santuário. Havia uma mulher cega que suplicou que  fosse levada ao bispo que estava carregando as relíquias. Ele deu a ela as flores que ele estava carregando. Ela as levou, aplicou-as a seus olhos, e imediatamente viu.” (Cidade de Deus, Livro XXII).

E da celebração da memória dos mártires e do auxílio de sua oração:

“Um povo cristão celebra unidos em solenidade religiosa o memorial dos mártires, tanto para encorajar e serem imitados quanto para que possamos participar de seus méritos e sermos auxiliados pelas suas orações. Mas é tal que os nossos altares não estão definidos para qualquer um dos mártires – mas apenas em sua memória – e sim ao próprio Deus, o Deus dos mártires.” (Agostinho, Contra Fausto o maniqueísta).

A verdade sobre Idolatria, Imagens e os Santos


Devido a grande demanda a cerca da questão dos Santos e suas imagens, o blog pretende abordar, embora de modo conciso, uma outra face da acusação de idolatria feita à Igreja Católica, ainda não abordada em outros textos do site.  Grande parte desta controvérsia parece resultar de um problema básico:  a não distinção entro o catolicismo real e  a caricatura do catolicismo difundida nos círculos não católicos.

Assim, introduzo o tema com as seguintes informações:

1- A Igreja NÃO proíbe a veneração dos Santos, nem tampouco condena o uso de estátuas, imagens sacras, mosaicos, vitrais, etc. É importante que se esclareça, entretanto, que no Catolicismo os ícones litúrgicos são apenas memoriais ao original que eles representam, bem como, elementos ou instrumentos de evangelização, uma vez que inspiram a piedade e podem incitar a imitação do bom exemplo dos servos de Deus.

2- A Igreja Católica ensina a Doutrina da Comunhão dos Santos. A comunhão dos Santos é a doutrina que define que o Corpo de Cristo é UM único e indivisível Corpo. Este Corpo Místico está ligado à Cabeça, que é Cristo, Quem, por sua vez, Vive e Reina no Céu.  Cristo é a Vida, a Ressurreição, sendo assim não tem  ligados à Si nenhum membro morto, e sim membros  viventes, mesmo que vivos em Espírito.

180- Quais são os principais pecados contra a religião?

Os principais pecados contra a religião são a adoração de falsos deuses ou ídolos e a doação a qualquer criatura que seja a honra que pertence a Deus somente.

187  – Rezamos às relíquias ou imagens?

Nós não oramos à relíquias e imagens. Estas não podem ver, ouvir, nem nos ajudar. (Catecismo da Doutrina Cristã, Papa  São Pio X)

Antes de prosseguir, proponho uma breve explicação aceita por muitos teólogos, alguns inclusive, protestantes, sobre o termo morte. A expressão “morte” e suas derivadas, principalmente no Novo Testamento, é frequentemente usada no sentido não literal, ou seja,   conota o significado de morte espiritual e tem cunho escatológico (Leia Mais Aqui). Assim, quando Jesus falava da morte somática ( ou morte física), referia-Se a ela de modo analógico como sono, adormecer, descanso, etc… Aqui é relevante lembrar que Jesus sempre pregava seus ensinamentos sob a perspectiva escatológica, de modo que seu foco estava nos eventos do mundo vindouro, do Reino de Deus, das coisas do Céu e nunca das preocupações mundanas ou da carne. Contudo, isso não implica que Ele não fizesse uso da linguagem comum entre aqueles à quem falava, para transmitir seus ensinamentos e doutrinas. Não pretendo me estender muito no tema da linguagem escatológica da Bíblia, mas uma ilustração clássica deste aspecto é o diálogo entre Jesus e seus apóstolos sobre a morte somática ou a morte física de Lázaro. Lázaro, enquanto um judeu que confessava fé em Jesus Cristo era, efetivamente, um cristão. Jesus, em sua divina sabedoria, sabia claramente que Lázaro fora salvo pela graça de sua própria fé. Por isso não Se referiu à morte somática de Lázaro pelo termo morte – que como dito, na linguagem escatológica significa a condenação perpétua, ou a morte espiritual –  ao invés disso, Jesus disse apenas que Lázaro ‘dormia’.  Alguns podem se perguntar, por que Jesus disse que Lázaro dormia quando, de fato, estava morto? Parece razoável concluir que Jesus referiu-se à morte de Lázaro como sono porque pretendia  fazer uma clara distinção entre a “morte do corpo” e a “morte da alma” (  por “morte da alma” entenda-se aqui a condenação eterna ou não salvação, pois a Bíblia ensina que a alma é eterna). No mesmo capítulo Jesus esclarece isso à Marta, irmã de Lázaro.

*A Escatologia é a parte da teologia que se dedica ao estudo dos quatro derradeiros eventos:  morte, julgamento, Céu e Inferno.

O que ensina o Catolicismo de Fato

Se nada pode nos separar do amor de Deus (Romanos 8, 38-39), os servos de Deus, aqueles creem em Jesus como Salvador, enquanto membros do Corpo de Cristo, estão e unidos à Cabeça e continuam unidos à ela também após sua morte somática (do corpo). É nesse sentido que devemos interpretar Romanos 8, 38-39. Ou seja, nem a morte somática nos separa de Jesus, pois se em vida vivemos Nele,   quando partimos do mundo da carne, continuamos vivos nEle também em Espírito. Nisto acreditavam os  Cristãos primitivos e, por conseguinte, nisto acredita a Igreja Católica.

A – Comunhão dos Santos

Etimologicamente a palavra comunhão, que vem do Latim, define-se como: Com + União –  Portanto, a Doutrina da Comunhão dos Santos nada mais é que afirmação de que o Corpo de Cristo, a Igreja, está unido entre si à Cristo. Sendo assim, o fiel membro do Corpo não deixa de ser parte dele depois da morte. Isso equivale dizer que tudo que se aplica aos seguidores de Cristo na terra também é valido aos que vivem no Céu. Assim, se em vida oramos uns pelos outros,  amamos uns aos outros, etc,  do mesmo modo fazem os Santos no céu. Contudo não oram por si mesmos, porque já alcançaram a vida eterna. Oram, portanto, pela Igreja na Terra que peregrina  à Jerusalém celestial, como  os israelitas no deserto peregrinaram rumo à terra prometida.

Explicada a Comunhão dos Santos, compreendemos  porque os Cristão primitivos reverenciaram a memória daqueles que os antecederam na fé e deram testemunho exemplar na Imitação de Cristo.

Como dito acima, a Bíblia instrui-nos a amarmos uns aos outros ( Cf. João 13,34), a orarmos uns pelos outros ( Cf. Tiago 5,16), e ainda pede-nos que façamos o bem a todos, especialmente aos da família da fé ( Cf. Gálatas 6,10). É neste espírito que a Igreja entende que a oração dos Santos – na terra e no céu – podem e devem ser dirigidas aos Céus em benefícios de outros. Entretanto, para os Católicos, os santos falecidos (mas vivos em Espírito), em nada diferem dos fiéis na terra, exceto pelo fato que aqueles no céu já não mais pecam e vivem na Glória de Deus. Se vivem na Glória suas orações são privilegiadas, pois estão justificados aos olhos de Deus. Ademais, a bíblia nos ensina que as orações dos justos (santos) tem grande eficácia (Tiago 5, 16 ), deste modo é natural que a Comunhão dos Santos pressuponha a intercessão dos membros do Corpo de Cristo também no Céu. Se sem a Santidade ninguém verá a Deus (Cf Hebreus 12, 14), as orações dos santos são, deveras, privilegiadas. Por este motivo os fiéis na terram voltam-se aos Santos no Céu por sua intercessão.

Obviamente, é importante esclarecer que a Comunhão do Santos tampouco o que ensina a Igreja, contradiz a bíblia no que diz respeito à Mediação de Cristo. A mediação da nossa salvação cabe apenas ao único Mediador, que é Cristo, as preces dos Santos, contudo, são como taças cheias de incenso apresentadas diante do trono de Deus (Apocalipse 5,8), e enquanto membros do Corpo – que é indivisível – eles são intercessores junto à Cristo e mediando através dEle.

184 – É proibido dar honra divina ou adoração aos anjos e santos?

Sim, é proibido dar honra divina ou adoração aos anjos e santos, pois isso pertence à Deus somente. (Catecismo da Doutrina Cristã – São Pio X)

B- As Imagens dos Santos

Os Santos da Igreja, como vimos, são aqueles que viveram em consonância com o Evangelho de Cristo e as Leis de Deus, confessando fé em Jesus como Salvador. A Igreja os reverencia por seu testemunho de fé e cultiva a perpetuação de suas memórias de vários modos, pela biografia dos Santos, folhetos de orações, e claro, pelas imagens ou ícones.

Quando um Católico reza – por vezes até mesmo ajoelhado – diante de uma imagem ou ícone sacro, sabe que diante de si encontra-se não um objeto com poderes divinos, forças supernaturais, etc., mas a mera representação de um servo (a) de Deus que, apesar de falecido, vive em Espírito junto do Senhor. Os santos são criaturas e jamais poderiam ser reverenciados da mesma forma que o Criador. Somente à Deus oferecemos orações de adoração. Assim, a oração que dirigimos ao santo é tem duas características

importantes: (i) é  puramente petitória e  suplica pela intercessão do santo a quem se reza e (ii) nunca é feita ao objeto que o representa.

C- Exageros e Abusos

Mais adiante, não é incomum que a piedade católica permita demonstrações mais fervorosas de devoção aos santos, havendo aqueles que, devido à sua fé e devoção  –  a exemplo do que já faziam os primeiros cristãos ( Cf Atos 5,15, – Atos 18, 21 e 19, 12) – desejam tocar nas imagens e objetos dos santos, beijá-los, senti-los, como se tivessem diante de si o verdadeiro santo, e não apenas sua imagem.

A dúvida frequente do não-católico, ou do ex-católico desinformado, é que a expressão externa da devoção ao Santo, pode, dependendo da forma como é feita,  caracterizar o pecado da Idolatria, ou no mínimo representar um abuso ou exagero. A isso deve-se explicar que, no catolicismo o ato de rezar aos santos, com ou sem a demonstração de uma postura corporal idêntica àquela que se adota no culto de adoração à Deus, não implica dizer que o fiel esteja direta ou indiretamente prestando adoração ao santo ou à sua imagem, uma vez que ele sabe e aceita e conhece dois fatos:

1- Que o santo não é um deus, e que seu poder é unicamente intercessório – um poder aliás conferido a todo cristão piedoso – e reconhece ainda que a graça vem de Deus e não do Santo.

2- A imagem do santo é uma representação do santo. Trata-se de um objeto sem poder como outro qualquer.

Entretanto, não é comum que se agradeça tanto ao santo quanto à Deus, por uma graça alcançada. A Deus, agradece pela graça em si, ao santo, pela eficácia de sua intercessão.

O que diz a Igreja sobre as Imagens

AS SANTAS IMAGENS

1159. A imagem sagrada, o «ícone» litúrgico, representa principalmente Cristo. Não pode representar o Deus invisível e incompreensível: foi a Encarnação do Filho de Deus que inaugurou uma nova «economia» das imagens:

«Outrora Deus, que não tem nem corpo nem figura, não podia de modo algum, ser representado por uma imagem. Mas agora, que Ele se fez ver na carne e viveu no meio dos homens, eu posso fazer uma imagem daquilo que vi de Deus […] Contemplamos a glória do Senhor com o rosto descoberto» (Cf CIC – São João Damasceno, De sacris imaginibus oratio 1, 16: PTS 17, 89 e 92 (PG 94, 1245 e 1248).).

1160. A iconografia cristã transpõe para a imagem a mensagem evangélica que a Sagrada Escritura transmite pela palavra. Imagem e palavra esclarecem-se mutuamente:

«Para dizer brevemente a nossa profissão de fé, nós conservamos todas as tradições da Igreja, escritas ou não, que nos foram transmitidas intactas. Uma delas é a representação pictórica das imagens, que está de acordo com a pregação da história evangélica, acreditando que, de verdade e não só de modo aparente, o Deus Verbo Se fez homem, o que é tão útil como proveitoso, pois as coisas que mutuamente se esclarecem têm indubitavelmente uma significação recíproca» (Cf. CIC  II Concílio de Niceia (em 787) Terminus: COD p. 135.).

1161. Todos os sinais da celebração litúrgica fazem referência a Cristo: também as imagens sagradas da Mãe de Deus e dos santos. De facto, elas significam Cristo que nelas é glorificado; manifestam «a nuvem de testemunhas» (Heb 12, 1) que continuam a participar na salvação do mundo e às quais estamos unidos, sobretudo na celebração sacramental. Através dos seus ícones, é o homem «à imagem de Deus», finalmente transfigurado «à sua semelhança» (Cf. Rm 8, 29; 1 Jo 3, 2.), que se revela à nossa fé – como ainda os anjos, também eles recapitulados em Cristo:

«Seguindo a doutrina divinamente inspirada dos nossos santos Padres e a tradição da Igreja Católica, que nós sabemos ser a tradição do Espírito Santo que nela habita, definimos com toda a certeza e cuidado que as veneráveis e santas imagens, bem como as representações da Cruz preciosa e vivificante, pintadas, representadas em mosaico ou de qualquer outra matéria apropriada, devem ser colocadas nas santas igrejas de Deus, sobre as alfaias e vestes sagradas, nos muros e em quadros, nas casas e nos caminhos: e tanto a imagem de nosso Senhor, Deus e Salvador, Jesus Cristo, como a de nossa Senhora, a puríssima e santa Mãe de Deus, a dos santos anjos e de todos os santos e justos» (II Concílio de Niceia, Definitio de sacris imaginibus: DS 600.).

1162. «A beleza e a cor das imagens estimulam a minha oração. É uma festa para os meus olhos, e, tal como o espectáculo do campo, impele o meu coração a dar glória a Deus» (São João Damasceno, De sacris imaginibus oratio 1, 47: PTS 17. 151 (PG 94, 1268). A contemplação dos sagrados ícones, unida à meditação da Palavra de Deus e ao canto dos hinos litúrgicos, entra na harmonia dos sinais da celebração, para que o mistério celebrado se imprima na memória do coração e se exprima depois na vida nova dos fiéis.

O Mal entendido

O problema da acusação de idolatria dos protestantes aos católicos está no fato que não possuem um verdadeiro entendimento da Comunhão dos Santos. Com isso, presumem que o culto aos santos seja o mesmo do culto a Deus. Infelizmente, conclui-se a partir da aparência sem o entendimento da essência.

Entretanto, explicado isso, há ainda muitos protestantes que direcionam sua crítica não à verdadeira doutrina católica da Comunhão dos Santos ou do uso da Iconografia litúrgica, mas
à caricatura do catolicismo propagada nos meios não-católicos,  àquilo que aparentemente parece contradizer os fundamentos do cristianismo. A isso deve-se responder que toda crítica ao catolicismo, alías ao que quer que seja, deve ser voltada ao catolicismo de fato ou à coisa de fato, e não ao que cada um entende ser catolicismo. Em outras palavras, se quero avaliar verdadeiramente o que pensa e ensina Platão, devo ler o que Platão escreveu e não o que Freu escreveu sobre Platão. Infelizmente, não é isso o que acontece quando se trata da crítica neo-protestante ao catolicismo.

Fatos Importantes

A Igreja Católica ensina categoricamente que há apenas um único Deus, e  que o culto de adoração presta-se somente à Ele.

 «Não haverá jamais outro Deus, ó Trifão, e nunca houve outro, desde os séculos […], senão Aquele que fez e ordenou o Universo. Não pensamos que o nosso Deus seja diferente do vosso. É o mesmo que fez sair os vossos pais do Egipto, pela sua mão poderosa e braço levantado. Nós não pomos as nossas esperanças em qualquer outro, que não há, mas no mesmo que vós, o Deus de Abraão, Isaac e Jacob» (Cf. CIC – Diálgo de Justino Mártir com o Judeu Trifão).

A Igreja Católica não proíbe a iconografia Sacra pois faz uma distinção importante entre o culto a Deus – Latria – e o culto aos  Santos – dulia e hiperdulia.  Assim, aquele que julga a piedade católica meramente com base naquilo que seus olhos vêem, provavelmente fará um julgamento errôneo da adoração católica.

Para finalizar, apresento abaixo parte dos escritos da Igreja à cerca do tema da Adoração, Idolatria, das Imagens e outros pontos relevantes ao entendimento do tema.

Sobre a Adoração

III. «Não terás outros deuses perante Mim»

2110. O primeiro mandamento proíbe honrar outros deuses, além do único Senhor que Se revelou ao seu povo: e proíbe a superstição e a irreligião. A superstição representa, de certo modo, um excesso perverso de religião; a irreligião é um vício oposto por defeito à virtude da religião.

A SUPERSTIÇÃO

2111. A superstição é um desvio do sentimento religioso e das práticas que ele impõe. Também pode afectar o culto que prestamos ao verdadeiro Deus: por exemplo, quando atribuímos uma importância de algum modo mágica a certas práticas, aliás legítimas ou necessárias. Atribuir só à materialidade das orações ou aos sinais sacramentais a respectiva eficácia, independentemente das disposições interiores que exigem, é cair na superstição (39).

A IDOLATRIA

2112. O primeiro mandamento condena o politeísmo. Exige do homem que não acredite em outros deuses além de Deus, que não venere outras divindades além da única. A Sagrada Escritura está constantemente a lembrar esta rejeição dos «ídolos, ouro e prata, obra das mãos do homem, que «têm boca e não falam, têm olhos e não vêem…». Estes ídolos vãos tornam vão o homem: «sejam como eles os que os fazem e quantos põem neles a sua confiança» (Sl 115, 4-5.8) (40). Deus, pelo contrário, é o «Deus vivo» (Js 3, 10) (41), que faz viver e intervém na história.

2113. A idolatria não diz respeito apenas aos falsos cultos do paganismo. Continua a ser uma tentação constante para a fé. Ela consiste em divinizar o que não é Deus. Há idolatria desde o momento em que o homem honra e reverencia uma criatura em lugar de Deus, quer se trate de deuses ou de demónios (por exemplo, o satanismo), do poder, do prazer, da raça, dos antepassados, do Estado, do dinheiro, etc., «Vós não podereis servir a Deus e ao dinheiro», diz Jesus (Mt 6, 24). Muitos mártires foram mortos por não adorarem «a Besta» (42), recusando-se mesmo a simularem-lhe o culto. A idolatria recusa o senhorio único de Deus; é, pois, incompatível com a comunhão divina (43).

2114. A vida humana unifica-se na adoração do Único. O mandamento de adorar o único Senhor simplifica o homem e salva-o duma dispersão ilimitada. A idolatria é uma perversão do sentido religioso inato no homem. Idólatra é aquele que «refere a sua indestrutível noção de Deus seja ao que for, que não a Deus» (44).

ADIVINHAÇÃO E MAGIA

2115. Deus pode revelar o futuro aos seus profetas ou a outros santos. Mas a atitude certa do cristão consiste em pôr-se com confiança nas mãos da Providência, em tudo quanto se refere ao futuro, e em pôr de parte toda a curiosidade malsã a tal propósito. A imprevidência, no entanto, pode constituir uma falta de responsabilidade.

2116. Todas as formas de adivinhação devem ser rejeitadas: recurso a Satanás ou aos demónios, evocação dos mortos ou outras práticas supostamente «reveladoras» do futuro (45). A consulta dos horóscopos, a astrologia, a quiromancia, a interpretação de presságios e de sortes, os fenómenos de vidência, o recurso aos “médiuns”, tudo isso encerra uma vontade de dominar o tempo, a história e, finalmente, os homens, ao mesmo tempo que é um desejo de conluio com os poderes ocultos. Todas essas práticas estão em contradição com a honra e o respeito, penetrados de temor amoroso, que devemos a Deus e só a Ele.

2117. Todas as práticas de magia ou de feitiçaria, pelas quais se pretende domesticar os poderes ocultos para os pôr ao seu serviço e obter um poder sobrenatural sobre o próximo – ainda que seja para lhe obter a saúde – são gravemente contrárias à virtude de religião. Tais práticas são ainda mais condenáveis quando acompanhadas da intenção de fazer mal a outrem ou quando recorrem à intervenção dos demónios. O uso de amuletos também é repreensível. O espiritismo implica muitas vezes práticas divinatórias ou mágicas; por isso, a Igreja adverte os fiéis para que se acautelem dele. O recurso às medicinas ditas tradicionais não legitima nem a invocação dos poderes malignos, nem a exploração da credulidade alheia.

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O Cristão que não aceita a Comunhão e Intercessão dos Santos não “conhece” a Bíblia


As Escritura nos ensinam que todos os batizados foram revestidos de Cristo e, tornando-se uma só coisa com ele, são membros do seu Corpo, que é a Igreja. Ser cristão é estar incorporado, enxertado no Senhor Jesus ressuscitado:

“Todos vós, que fostes batizados em Cristo, vos revestistes de Cristo… pois todos vós sois um só em Cristo Jesus” (Gl 3,27); “Vós sois o corpo de Cristo e sois seus membros, cada um por sua parte” (1Cor 12,27); “Nós somos muitos, mas formamos um só corpo em Cristo” (Rm 12,27). A união nossa com Cristo é tão forte e real, tão concreta e verdadeira, que Paulo fala que o cristão é batizado (=mergulhado) em Cristo, no Cristo, dentro de Cristo: “Não sabeis que todos os que fomos batizados em Cristo Jesus, é na sua morte que fomos batizados?… Porque se nos tornamos uma só coisa com ele por uma morte semelhante à sua, seremos uma só coisa com ele também por uma ressurreição semelhante à sua” (Rm 6,3-9). A vida dos bem-aventurados no céu – e também já aqui na terra a vida de cada batizado – é vida em Cristo: “A graça de Deus é a vida eterna em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 6,23).

A ele estamos unidos como os ramos à videira, de tal modo que vivemos da sua mesma vida: “Eu sou a verdadeira videira e meu Pai é o agricultor… Permanecei em mim, como eu em vós. Como o ramo não pode dar fruto por si mesmo, se não permanece na videira, assim também vós, se não permanecerdes em mim. Eu sou a videira e vós os ramos. Aquele que permanece em mim e eu nele produz muito fruto; porque sem mim, nada podeis fazer” (Jo 15,1.4-5).

O cristão é aquele que permanece em Cristo, que vive não mais por si mesmo, mas por Cristo. A seiva, a vida nova da qual vivem os cristãos é o próprio Espírito Santo do Senhor Jesus ressuscitado, recebido no batismo: “Aquele que se une ao Senhor, constitui com ele um só Espírito” (1Cor 6,17); “Pois fomos todos batizados num só Espírito para ser um só corpo… e todos bebemos de um só Espírito” (1Cor 12,13). De tal modo isto é verdadeiro, real, que Paulo exclamava: “Já não sou eu que vivo, mas é Cristo que vive em mim” (Gl 2,20); “Para mim o viver é Cristo…” (Fl 1,23). Cristo está de tal modo presente no cristão e este é de tal modo enxertado em Cristo e nele incorporado, que fazia o Apóstolo afirmar: “A vossa vida está escondida com Cristo em Deus” (Cl 3,2). E falar também do mistério de Deus que é “o Cristo em vós, a esperança da glória” (Cl 1,27). Aparece assim claramente que os batizados – particularmente os que estão na Glória, ou seja, os Santos  – são uma só coisa com Cristo, estão em Cristo, foram «con-formados» com Cristo, são membros de Cristo, que é Cabeça de todos. Não há, para aqueles que estão na Glória, outra vida que não a de Cristo e em Cristo!

Ora, o Espírito de Cristo ressuscitado em nós, fazendo-nos uma só coisa com o Senhor Jesus, suscita em nós os bons sentimentos e as boas obras: tudo de bom que pensamos e fazemos é suscitado pelo Espírito Santo em nós: “É Deus quem opera em vós o querer e o operar” (Fl 2,13). É exatamente porque cremos em Cristo, porque estamos unidos a ele e nele estamos enxertados e incorporados pelo Batismo, que podemos realizar as obras da fé, daquela fé que atua pela caridade (cf. Gl 5,6). Quando rezamos, não somos nós que rezamos: quem ora em nós, quem louva em nós e intercede em nós é o próprio Espírito do Cristo Jesus ressuscitado: “Assim também o Espírito socorre a nossa fraqueza. Pois não sabemos o que pedir como convém; mas o próprio Espírito intercede por nós com gemidos inefáveis e aquele que perscruta os corações sabe qual é o desejo do Espírito; pois é segundo Deus que ele intercede pelos santos” (Rm 8,26-27). É por isso que, já aqui na terra, pedimos aos nossos irmãos que intercedam por nós. Dizemos uns aos outros: «Fulano, reze por mim!» O próprio Novo Testamento recomenda que rezemos uns pelos outros (cf. 2Cor 1,1; Ef 1,16; 6,19; Fl 1,4; Cl 4,12; 1Ts 1,2; 1Ts 5,25; 1Tm 2,1; Tg 5,16). Pedimos a oração de um irmão batizado porque sabemos que ele ora em Cristo, que esse irmão é uma só coisa com Cristo, já que é membro do seu Corpo e vive do Espírito do Senhor ressuscitado, de modo que já não é ele quem ora, mas é Cristo que ora nele como Mediador único entre nós e Deus.

Com nossos irmãos que estão na Glória acontece o mesmo. A morte não nos separa do amor de Cristo nem dos irmãos, não rompe a comunhão entre os que estão com o Senhor, no céu, e nós, peregrinos: “Estou convencido de que nem a morte nem a vida… nem qualquer outra criatura poderá nos separar do amor de Deus manifestado em Cristo Jesus, nosso Senhor” (Rm 8,38-39). No Senhor todos vivem e permanecem unidos no amor. Se a morte interrompesse uma tal comunhão em Cristo isso significaria que ela – a morte – seria mais forte que o amor, que a vida e que a vitória do Senhor Jesus. Mas, não! Cristo é mais forte que a morte e o inferno: “Morte, onde está a tua vitória? Morte, onde está o teu aguilhão?” (1Cor 15,55).

Desse modo, nossos irmãos que estão com Cristo (cf. Fl 1,23) na Glória, são plenamente membros do Corpo do Cristo, vivem do Espírito do Cristo ressuscitado e participam da única mediação de Cristo! É Cristo quem intercede neles, de modo que a intercessão dos Santos, amigos de Cristo, nada mais é que uma admirável manifestação do poder e da fecundidade da única mediação do Senhor Jesus. Ele é o único Mediador, que inclui na sua mediação única todos os que são uma só coisa com ele por serem membros do seu Corpo. A mediação do Senhor Jesus não é mesquinha: é única, mas não é exclusivista: ela inclui todos nós: não é exclusiva, mas inclusiva! Caso contrário, nem nós, que vivemos ainda neste mundo, poderíamos rezar uns pelos outros, já que isso é também uma forma de mediação.

Assim, é em Cristo, como seus membros, no seu Espírito, que os Santos intercedem ao Pai. A intercessão dos Santos nada mais é que uma manifestação da única intercessão do Senhor Jesus, que, sendo rico e potente, suscita em nós a capacidade de participar da sua única mediação. Os nossos irmãos na Glória são aquela nuvem de testemunhas de que fala a Epístola aos Hebreus: “Portanto, também nós, com tal nuvem de testemunhas ao nosso redor, rejeitando todo o fardo e o pecado que nos envolve, corramos com perseverança a corrida que nos é proposta, com os olhos fixos nAquele que é o Autor e Realizador da fé, Jesus” (Hb 12,1-2). São eles que, a exemplo dos primeiros santos mártires, participando da mediação única do Senhor Jesus, e nessa única mediação, suplicam em nosso favor, como membros de Cristo: “Vi sob o Altar as vidas dos que tinham sido imolados por causa da Palavra de Deus e do testemunho que dela tinham prestado. E eles clamaram em alta voz: ‘Até quando, ó Senhor Santo e Verdadeiro, tardarás a fazer justiça, vingando nosso sangue contra os habitantes da terra?’” (Ap 6,10).

Certamente, como aquela que mais esteve unida a Cristo Senhor neste mundo e na glória, a Virgem Maria participa de um modo todo especial dessa única mediação de Cristo…

Fica claro que uma coisa é certíssima: a Igreja de Cristo, ao ensinar que os nossos irmãos do céu, os Santos, intercedem por nós, mostra o quanto a única mediação de Cristo é fecunda e eficaz… de tal modo fecunda e eficaz, que nela nos inclui e dela nos faz participantes! Não se trata, portanto, nem de concorrência, nem de competição e nem mesmo de uma mediação paralela à mediação única de Cristo. Também não se trata de uma escadinha de mediadores: os Santos seriam mediadores junto a Cristo e Cristo é o Mediador junto ao Pai. Não! Há um só Mediador! Todos os outros apenas participam da única mediação do Cristo Jesus, nossa Cabeça e nossa santificação. Se participamos desta mediação única é exatamente porque, pelo Batismo, recebemos a plenitude de Cristo: “Nele aprouve a Deus fazer habitar toda a plenitude e reconciliar por ele todos os seres” (Cl 1,19). E da sua plenitude todos nós recebemos graça sobre graça! (Jo 1,16).

Atenção! É errado pensar que os Santos intercedem por nós informando a Deus sobre nossas necessidades – como se Deus não as conhecesse! – ou convencendo Deus a mudar sua opinião. É errado e herético pensar que a Virgem Maria e os Santos intercedem por nós a Deus de modo independente de Cristo ou ao lado de Cristo! A Virgem e os Santos intercedem por nós em Cristo, como membros do seu Corpo e em união com a santíssima vontade do Senhor Jesus, nosso único Intercessor junto do Pai!

Para completar tudo quanto aqui foi dito, é muito útil transcrever trechos da declaração de um grupo de teólogos anglicanos, luteranos, reformados (todos protestantes!), ortodoxos e católicos reunidos em nome de suas igrejas na ilha de Malta, nos dias 8-15 de setembro de 1983:

1. Todos reconhecemos a existência da Comunhão dos Santos como comunhão daqueles que na terra estão unidos a Cristo, como membros vivos do seu Corpo Místico. O fundamento e o ponto central de referência desta comunhão é Cristo, o Filho de Deus feito homem e Cabeça da Igreja (cf. Ef 4,15-16), para nos unir ao Pai e ao Espírito Santo.

2. Esta comunhão, que é comunhão com Cristo e entre todos os que são de Cristo, implica uma solidariedade que se exprime também na oração de uns pelos outros; esta oração depende daquela de Cristo, sempre vivo para interceder por nós (cf. Hb 7,25).

3. O fato mesmo de que, no céu, à direita do Pai, Cristo roga por nós, indica-nos que a morte não rompe a comunhão daqueles que durante a própria vida estiveram unidos em Cristo pelos laços da fraternidade. Existe, pois, uma comunhão entre os que pertencem a Cristo, quer vivam na terra, quer, tendo deixado os seus corpos, estejam com o Senhor (cf. 2Cor 5,8; Mc 12,27).

4. Neste contexto, compreende-se que a intercessão dos Santos por nós existe de maneira semelhante à oração que os fiéis fazem uns pelos outros. A intercessão dos Santos não deve ser entendida como um meio de informar Deus das nossas necessidades. Nenhuma oração pode ter este sentido a respeito de Deus, cujo conhecimento é infinito. Trata-se, sim, de uma abertura à vontade de Deus por parte de si mesmo e dos outros, e da prática do amor fraterno.

5. No interior desta doutrina, compreende-se o lugar que pertence a Maria Mãe de Deus. É precisamente a relação a Cristo que, na Comunhão dos Santos, lhe confere uma função especial de ordem cristológica… Maria ora no seio da Igreja como outrora o fez na expectativa do Pentecostes (cf. At 1,14). Quaisquer que sejam nossas diferenças confessionais (=de religião), não há razão alguma que impeça de unir a nossa oração a Deus no Espírito Santo com a liturgia celeste, e de modo especial com a Mãe de Deus.

Este documento é assinado por teólogos e pastores luteranos, anglicanos, reformados, bem como por teólogos ortodoxos e católicos!
Conclusão: no culto e oração dos Santos nada há que fira a unicidade da mediação, da santidade e da glória de Cristo! É ele, Autor da santidade, que é grande e admirável nos seus Santos!

Os Santos podem interceder por nós, se Cristo é o único Mediador?


Corpo de Cristo – A igreja na terra e os Santos no Céu

Antes de abordar a questão da intercessão dos santos, precisamos fazer uma pergunta que é pertinente a todos os cristãos: Se Cristo é o único Mediador, por que nós intercedemos uns pelos outros? Esta reflexão deve ser feita e ponderadamente avaliada para que o entendimento das doutrinas a serem discutidas abaixo seja facilitado.

Fatos bíblicos a serem considerados:

1. Cristo é o único mediador entre os homens e Deus. (1 Timóteo 2:5)
2. A Igreja é o Corpo de Cristo, no qual Jesus é a Cabeça. (Colossenses 1:18)
3. Jesus é o ‘Eterno Sacerdote’. (Hebreus 7: 24)

A resposta católica:

Os católicos não discordam de qualquer um dos fatos expostos acima, que são verdades bíblicas. No entanto, a Igreja lê a Escritura como um todo, e interpreta-as como um livro inteiro. O entendimento da bíblia não pode se dar de outra forma…

A compreensão católica é que, embora Cristo seja o único mediador; Sua Igreja, enquanto membros do Seu Corpo, também são membros deste “Um mediador” e em “vivendo um amor autêntico, cresceremos sob todos os aspectos em direcção a Cristo, que é a Cabeça. Ele organiza e dá coesão ao corpo inteiro, através de uma rede de articulações, que são os membros, cada um com a sua actividade própria, para que o corpo cresça e se construa a si próprio no amor.” (Efésios 4:15-16)

Jesus é o Sumo e Eterno Sacerdote e a Igreja, como membros do Seu Corpo, compartilha das ações desse sacerdócio. É por isso que São Pedro, em uma clara referência ao sacerdócio do Antigo Testamento – onde os sacerdotes eram intercessores entre Deus e os homens – declarou que aos seguidores de Cristo é conferido um sacerdócio santo (1 Pedro 2:5 e 2:9), pois estamos unidos a Ele como membros do Seu Corpo. O livro de Apocalipse 1:6 diz que somos “um reino de sacerdotes de Deus, seu Pai.” Assim, como Mediador, Jesus não está sozinho. Ele é o Cabeça da Igreja na qual todos os membros podem interceder uns pelos outros através Dele.

Esta é a noção de Totus Christus, uma teologia bíblica do Cristo inteiro que é confirmada pelo relato bíblico da conversão de Paulo em Atos 9:4, onde Jesus pede a Paulo, então Saulo: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”ao invés de “Por que persegues aos meus seguidores?” – Sua Igreja.

Mas e os Santos falecidos?

Vimos que os membros vivos da Igreja podem, efectivamente, orar uns pelos outros, mas como podemos explicar a intercessão dos santos?

A Igreja Católica ensina a respeito da comunhão dos santos, isto é, toda a Igreja é uma só em Cristo. Os membros falecidos do Corpo de Cristo não são separados de Cristo quando eles deixam seus corpos físicos, pois “se Cristo está em vós, embora o corpo esteja morto por causa do pecado, o espírito é vida por causa da justiça” (Rm 8:10 ).  São Paulo afirma que “nem […] a morte nem a vida será capaz de nos separar do amor de Deus em Cristo Jesus, nosso Senhor.” (Rm 8, 38-39). Portanto, as almas dos santos nunca se afastam ou deixam de ser parte do Seu Corpo. Elas fazem, na verdade, parte da Igreja no Céu, a Igreja Triunfante.

Uma vez no céu, os santos podem interceder pelos membros da Igreja na Terra, a Igreja militante. A Bíblia confirma que os santos do céu oram a Deus:

Quando ele abriu o quinto selo, vi debaixo do altar as almas daqueles que tinham sido mortos por causa da palavra de Deus e pelo testemunho que deram. Eles clamavam em alta voz: “Ó Soberano Senhor, santo e verdadeiro, quanto tempo antes de julgar e vingar o nosso sangue nos que habitam sobre a terra?” (Apocalipse 6: 9-10)