O QUE É UM DOGMA?


Enviado por Edmilson

O que é um dogma ? Do grego dokein (parecem, parecem true), o termo refere-se a uma opinião informada, uma doutrina. É preciso uma conotação legal, no Novo Testamento significa decretos. Tomás de Aquino definiu-o como uma fragmentação da única verdade, a fragmentação necessária ao intelecto humano para compreender o mistério de Deus . SIC (1990) o define como uma doutrina que a Igreja propõe permanentemente, uma verdade revelada . É a verdade eterna de Deus que se revela, mas expressa na linguagem temporal dos homens. O dogma traduzido assim representa a capacidade da linguagem humana para expressar a Deus o seu mistério transcendente. No entanto, uma frase dogmática purifica a linguagem para torná-la adequada à esta função transcendente.

O problema é que a linguagem também continua a sua própria vida (daí condicionada à história expressões dogmáticas), e, por conseguinte, a criação da doutrina da interpretação chamada de hermenêutica ao longo dos séculos …

Qual é o condicionamento histórico do dogma?

A Língua evolui, da mesma forma o conhecimento humano. Da mesma forma, o contexto cultural, teológico (heresias …) … O dogma filosófico, portanto, sujeito à historicidade tripla. Além disso, Deus não permite que se encerrem em uma fórmula, assim aperfeiçoar-se-ão . ”Se comprehendis, non est Deus“, disse Agostinho. No entanto, esta afirmação é que Deus ainda pode ser verdade, livre de erros, embora um dogma seja obviamente incompleto. Portanto, o “progresso” do dogma não corresponde a um aumento (quantitativo) de fé: o desenvolvimento do dogma não é “um aumento do conhecimento intelectual.” Não é o resultado de uma dedução lógica: nenhum desenvolvimento de um método hipotético-dedutivo, como um sistema. A fé que professamos é substancialmente aquela dos apóstolos. Mas dogmas são obtidos por abstração do Mistério revelado, dividido (em dogmas) para ser apreensível pela mente humana . O desenvolvimento do dogma é bom para separar efectivamente a utilização de inteligência,  já há algum tempo completa em si mesmo (o depósito revelou), de modo que a fé não aumenta, o teor explícito já está no implícito. O progresso da expressão dogmática é a de um esclarecimento sobre o que já está implícito na revelação original.

Historicamente, o desenvolvimento de um dogma nasce de um determinado problema ou opinião (por exemplo, o relativismo), que, em seguida, exigem uma nova explicação da mensagem do Evangelho. O dogma é uma resposta às situações muito concretas, históricas, sociais e eclesiais, culturais, filosóficas, e às vezes as heresias que ameaçam uma forma ou de outra a integridade do mistério revelado. Ele responde pela quebra de todo o mistério inteligência, extraindo uma resposta específica – uma explicação – adaptada para as questões contextuais. O dogma é como uma resposta a uma ameaça de heresia,  travada contra o mistério revelado. Longe de fechar ou congelá-lo em uma fórmula, por isso mantém-se aberta para a plenitude do mistério revelado. Isto é, a heresia, pelo contrário,  sempre reduz o mistério revelado ao tamanho do nosso entendimento, e, por conseguinte, representa um coágulo, os bloqueios, a distorção, o limite no impasse da nossa compreensão intelectual, e fecha todos horizonte transcendente.

A força motriz por trás deste progresso é o Espírito Santo que nos conduz em toda a verdade (Jo 16:13), como ele fala através do Magistério da Igreja, com o apoio do sensus fidei. A doutrina, portanto, requer a interpretação, a hermenêutica. Que princípios desta hermenêutica deve atender a lealdade tripla:

– vis-à-vis o dogma passado é história, verbum rememorativum
– vis-à-vis o presente: o dogma é vivo, atual, e deve falar com o homem Hoje, verbum demonstrativum
– vis-à-vis o futuro: o dogma reflete a realidade escatológica, verbum prognosticum

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Sobre Hellen

Católica militante, expatriada, mãe e arquiteta e estudante de Direito. Quando há tempo, engajada na "missão" de defender a fé católica e evangelizar aos irmãos católicos, especialmente aqueles afastados da Santa Fé . I am an expat architect, law student and Catholic mommy who's taken on blogging. I've doing this for a few years now and I'm totally hooked up. All for the Glory of God!
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3 respostas para O QUE É UM DOGMA?

  1. EDMILSON disse:

    CORRIGINDO
    /
    Este artigo foi escrito com extremo cuidado e por isso demorei muito em sua execução, pois não desejo contradições e nem má interpretações a respeito de assunto tão importante e ao mesmo tempo tão visceral nas discussões a que tenho participado ultimamente.

    Irei primeiramente expor o conceito de dogma, depois explicar em que consiste, para emitir uma reflexão bem atual na questão, pois muitos enchem a boca para falar contra, sem saber realmente sobre o que e do que se trata!

    Segundo o Catecismo da Igreja Católica, pág. 35, parágrafos 88, 89 e 90:

    “O Magistério da Igreja empenha plenamente a autoridade que recebeu de Cristo quando define dogmas, isto é, quando, utilizando uma forma que obriga o povo cristão a uma adesão irrevogável de fé, propõe verdades contidas na Revelação divina ou verdades que com estas têm uma conexão necessária.
    Há uma conexão orgânica entre a nossa vida espiritual e os dogmas. Os dogmas são luzes no caminho de nossa fé que o iluminam e tornam seguro. Na verdade, se nossa vida for reta, nossa inteligência e nosso coração estarão abertos para acolher a luz dos dogmas da fé.
    Os laços mútuos e a coerência dos dogmas podem ser encontrados no conjunto da Revelação do Mistério de Cristo. ‘Existe uma ordem ou hierarquia das verdades da doutrina católica, já que o nexo delas com o fundamento da fé cristã é diferente’”.

    Dogma consiste em Verdade revelada por Deus e proposta pela Igreja à nossa crença. Para ser constituído um dogma são necessárias duas condições fundamentais: Primeiro é que a verdade deve ser revelada por Deus, isto é garantida pela autoridade divina. E segundo, que esta verdade deve ser proposta pela Igreja à nossa crença, isto é, quer por proclamação solene quer por ensino comum e universal. Estas verdades serão chamadas de Verdades de Fé Católica.

    Os Dogmas da Igreja Católica são 43 subdivididos em oito categorias diferentes. A Igreja não cria dogmas, apenas confirma a existência dessas Verdades, com a autoridade a ela confiada pelo Cristo, sob a assistência infalível do Espírito Santo que impede a Igreja de errar no exercício do seu magistério solene.

    Considerando a natureza da verdade definida pela Igreja, o Dogma apresenta objeto tríplice, ou seja, apresenta primeiro as verdades inacessíveis à razão, como por exemplo, os mistérios em que a razão não consegue explicar. Segundo, as verdades acessíveis à razão como, por exemplo, a existência de Deus, a vida futura em que a razão humana por si só alcança, porém Deus as revelou ou para que tivéssemos idéias mais nítidas a respeito, ou porque, sem a revelação, poucos teriam chegado a este conhecimento. E por último os fatos históricos, ou seja, a maior parte dos acontecimentos que os profetas anunciaram acerca do Messias, e a qual tiveram sua realização com a vinda de Cristo.

    Há também verdades que não são dogmas porque lhes falta alguma das condições requeridas. Uma delas é a verdade cuja revelação parece bem averiguada, mas que não foram definidas pela Igreja. Outra seriam as verdades não reveladas, ensinadas pela Igreja que as julga úteis à explicação ou defesa das verdades reveladas como, por exemplo, as conclusões teológicas (é proposição que se deduz de duas outras, sendo a primeira verdade revelada e segunda conhecida pela razão) e os fatos dogmáticos (qualquer fato não revelado, unido, porém, tão estreitamente com o dogma que nega-lo seria abalar o fundamento do próprio dogma).

    Muitos podem estar se perguntando quais as fontes do Dogma, isto é, Deus desce do céu e fala conosco? Será isso que acontece? Nos dias de hoje muitos excluem a metafísica, mas quando vão estudar ciências exatas, se forem a fundo mesmo, vão acabar esbarrando na metafísica, assim também é o Dogma.

    A fonte de revelação é dupla, isto é, ela vem pela Escritura Sagrada e pela Tradição. São Artigos de fé definidos pelos concílios de Trento em diante, até o do Vaticano II.

    A Sagrada Escritura é o conjunto de livros que foram escritos por inspiração do Espírito Santo; tem como autor o próprio Deus e chegaram à Igreja com este caráter. A inspiração é o impulso sobrenatural provindo do Espírito Santo e que excitou e levou autores sagrados a escreverem e os assistiu durante a redação, de tal forma que exatamente concebiam e se propunham fielmente referir e exprimiam, com veracidade infalível, tudo quanto Deus lhes ordenava escreverem. O Cânone ou regra é a reunião de livros que a Igreja reconhece como inspirados, isto é, este consiste no Antigo e Novo Testamento.

    Aqui é de extrema importância salientar! Há Vários sentidos da Bíblia!

    O texto da Escritura, muitas vezes, oferece múltiplas interpretações. Há o sentido literal ou histórico, isto é, o que aparece escrito. Há também o sentido alegórico, místico ou figurativo, ou seja, o sentido que se desprende deter havido pessoas, coisas ou fatos escolhidos por Deus para significarem o porvir como no exemplo de Abraão e Issac. E há o sentido acomodatício, isto é, significação suposta, artificial, mítica no sentido absurdo do termo.

    A Tradição possui duas acepções, isto é, Verdades reveladas por Deus, e estas podem ser transmitidas por nós através da palavra escrita ou oral. E também Verdades ensinadas por Cristo e pelos Apóstolos e transmitidas, de século a século, por outro caminho que não seja as Sagradas Escrituras (nisto nos diferenciamos dos protestantes). A Tradição é anterior à Sagrada Escritura. É mais extensa e uma fonte também distinta da outra.

    Os canais da Tradição podem ser vários. Entre eles estão as profissões de fé, os símbolos, definições de concílios, atos dos Papas (bulas, cartas, encíclicas etc.); nos escritos de algum Padre da Igreja, na prática constante e geral da Igreja, na liturgia, ritos e administração dos sacramentos e nas Atas dos mártires, monumentos da arte cristã, inscrições, pinturas das catacumbas.

    Para se entender bem a doutrina da Igreja deve-se considerar e escrever aqui as duas acepções da palavra Dogma lembradas no vocabulário.

    Se considerarmos o dogma como Artigo de fé, ele pode sofrer alterações em sua fórmula no sentido de melhorar sua exposição nos termos, mas será sempre imutável no seu sentido, na sua substância.

    Se considerarmos o dogma como Conjunto de Verdades de fé, não se poderia fazer nenhum acréscimo por nova revelação, pois na Bíblia está escrito uma declaração de Cristo: “tudo o que ouvi de meu Pai, eu vo-lo dei a conhecer” (Jo 15,15), e “Depois virá o Espírito da Verdade, ensinar-vos-á toda a verdade” (Jo 16,13), ou seja, os Apóstolos receberam TODA a revelação COMPLETA. Houve sim revelações particulares que não se tornaram dogmas, mas que não ferem em nada a doutrina católica.

    Ainda aqui podemos complementar que mesmo imutável, considerando o dogma como Conjunto de Verdades de fé, o conhecimento que podemos ter dele pode progredir! Cristo confiou à sua Igreja a missão de ensinar os fiéis de todos os tempos às Verdades reveladas e defendê-las dos erros, e para isso é necessário o desenvolvimento do pensamento: para que se explique e se exponha a doutrina revelada. Dogmas novos são, portanto, Verdades recentemente definidas, senão, recentemente propostas pela Igreja à nossa crença, ou seja, no decorrer dos séculos vieram novos dogmas (por exemplo, da Imaculada Conceição) e a Igreja tirou da dupla fonte, isto é, Escritura Sagrada e Tradição, onde já se encontravam quer explicitamente, quer implicitamente.

    Agora para que se compreenda um pouco o que vou chamar “a prática do dogma”, terei de explicar um pouco outros conceitos dentro da prática católica.

    O que é um símbolo de fé? Alguém alguma vez já pensou sobre isso? Sabe o que realmente carrega no peito quando dependura um símbolo como pingente em um colar?

    Um símbolo de fé é um formulário breve que encerra as principais Verdades de fé que a Igreja apresenta aos fiéis como meio de professarem o que acreditam, isto é, suas crenças. Para quem ensina o símbolo os lembra e garante sua conservação e inalteração da mesma regra. Para os que aprendem é um meio de não esquecer os principais dogmas, e para os fiéis é um meio de reconhecimento entre si.

    E os mistérios perante a razão? Os dogmas vão contra a razão? Os símbolos vão contra a razão?

    Primeiramente temos três tipos de mistérios: Os de ordem Natural, que por mais que a ciência avance ainda não temos resposta como, por exemplo, como se realiza a união entre o corpo e a alma. Os mistérios de ordem Teológica, a qual nossa inteligência entende, quando revelados, que não teriam alcançado e nem conhecido com nossas próprias forças como, por exemplo, a queda original, a necessidade da Redenção e, por último, os mistérios Teológicos Propriamente Ditos, isto é, mistérios que transcendem a inteligência humana, tornando-a incapaz de descobrir, entender a natureza e a razão intrínseca até mesmo depois desta verdade ter sido REVELADA, como o mistério da Santíssima Trindade, o da Encarnação e a Transubstanciação.

    E agora? Respondendo os questionamentos acima, os dogmas não repugnam nem a razão de Deus e nem a humana. Quanto a Deus, sabemos que é infinita a ciência do Criador e quem lhe tolherá comunicar-lhe algumas parcelas, tal qual o professor faz com seus alunos. E por parte dos homens concluímos que na esfera intelectual os mistérios deram elementos para estudos fantásticos e sublimes, enriquecendo o espólio do conhecimento do espírito humano, e na ordem moral o dogma facilita o exercício de várias virtudes fundamentais como a fé e a humildade, fazendo-nos lembrar de que não conseguimos saber de tudo e que há algo acima de nós. Além disso, há também a esperança e a caridade que alimentam o nosso coração para Deus.

    Diante tudo isso e toda pesquisa que fiz para escrever este artigo, reforço a tese de que o Dogma em nada limita o agir humano e que este é mais um dos muitos dons que Deus Pai se utiliza para transmitir Seu Amor a seus filhos.

    Ele nos indica um caminho seguro, nos dá uma bússola e ainda há pessoas que dizem que não necessitam dela e que preferem seguir sua própria cabeça… Estas mesmas pessoas não conseguem conceituar a palavra “caminho”, quanto mais seguirem suas próprias cabeças! Eu vejo, inclusive, que nem umas bússolas estas conseguem decifrar, vão necessitar de um guia, mesmo assim estes insistem em tirar suas próprias conclusões… Conseguem imaginar onde um sujeito deste vai chegar?

    Olho o mundo e vejo centenas, milhares de pessoas assim… Tudo porque não conseguem compreender a fundo uma questão… Tudo porque não abrem seus corações e o pior: não abrem o INTELECTO! Tudo porque já petrificaram suas opiniões nas opiniões dos outros, ou melhor, na opinião do inconsciente coletivo, na opinião do inconsciente coletivo da história da opinião popular…

    O que é o Dogma hoje na sociedade? Se você for católico é taxado de dogmático, se emitir uma opinião contra algum aspecto do homossexualismo é taxado de homofóbico, se você for contra a opinião de um professor mesmo argumentando está marcado a tirar um zero! Ir contra os ditames da moda, da moral, da regra geral hoje em dia é ser vítima do dogmatismo social, ou seja, quem é quem hoje em dia? E se disser que não segue nenhum, este em si já é outro “dogma”, aquele do que vai com o que lhe interessar, isto é, o dos sem cérebro… Ou seja, que dogma prefere seguir ou nunca pensou ou percebeu o quão preso caminha na sociedade?

    Pense… Se for dogma mesmo e se for católico… És livre! E para finalizar me utilizarei das palavras de um filósofo, pensador de quem admiro muito. G.K. Chesterton, em seu livro “Ortodoxia”, na página 166, 167 e 262 assim escreveu:

    “Lembre-se de que a Igreja abraçou especificamente idéias perigosas; ela foi uma domadora de leões. A idéia do nascimento por meio do Espírito Santo, da morte de um ser divino, do perdão dos pecados ou do cumprimento das profecias – qualquer um pode ver que são idéias que precisam apenas de um toque para transformar-se em algo blasfemo e feroz. (…) Aqui basta observar que se algum pequeno erro fosse cometido na doutrina, enormes erros e disparates poderiam ser cometidos na felicidade humana. (…)
    Essa é a emocionante aventura da Ortodoxia. As pessoas adquirem o tolo costume de falar como algo pesado, enfadonho e seguro. Nunca houve nada tão perigoso ou tão estimulante como a Ortodoxia. Ela foi a sensatez, e ser sensato é mais dramático que ser louco. Ela foi o equilíbrio de um homem por trás de cavalos em louca disparada, parecendo abaixar-se para este lado, depois para aquele, mas em cada atitude mantendo a graça de uma escultura e a precisão da aritmética. (…)
    Para o homem moderno, os céus estão realmente embaixo da terra. A explicação é simples: ele está de ponta cabeça, o que o constitui um pedestal pouco resistente para apoiar-se. Mas quando houver novamente descoberto os próprios pés, saberá disso. O cristianismo satisfaz de repente e à perfeição o instinto ancestral do homem de estar virado para cima; e o satisfaz plenamente neste sentido: com seu credo a alegria se torna algo gigantesco e a tristeza algo especial e pequeno”.

    No próximo artigo, dando continuidade à série, escreverei sobre o primeiro Artigo do Símbolo cristão católico do Credo, isto é, escreverei sobre a Existência de Deus: “Creio em Deus Pai todo poderoso. Criador do Céu e da terra”.

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  2. The Bat disse:

    Está bem esquisito esse texto. Parece um rascunho. Cheio de erros de português.

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    • Helen disse:

      Vc tem razão.
      Eu não tinha me dado conta de que a versão publicada foi aquela não editada, pois trata-se claramente de uma tradução enviada ao blog.
      Obrigada pela observação. As devidas correções serão feitas de pronto.

      H.

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