Refutando uma falácia “Espírita”


“Sabia que a “reencarnação” era aceita pela Igreja Católica até o ano de 553? Mas essa tese foi recusada no segundo Concílio de Constantinopla, não pela Igreja ou pelo Papa, mas pelo Imperador Justiniano, por influência de sua esposa, ex-prostituta, que não achava conveniente a lei do carma.”

Afirmam os “espíritas”…

Fato ou ficção?

Como muitos sabem, a doutrina da Igreja baseia-se na Tradição dos Apóstolos e na Bíblia. A Tradição que herdamos dos Apóstolos está registrada, em parte, nos escritos dos padres dos primeiros séculos. Então, vejam a seguir o que dizem a Bíblia e os primeiros padres.

Na Carta aos Hebreus (9,27), está dito: “E como é fato que os homens devem morrer uma só vez, depois do que vem um julgamento…”. Tal ensinamento é confirmado na parábola de Jesus sobre o “Rico e o Lázaro”: após a morte, o rico egoísta vai direto para os tormentos do inferno, enquanto o bom Lázaro é acolhido imediatamente por Abraão, em um bom lugar (Lucas 16,19-31). Em nenhum momento Jesus diz que o rico reencarnaria pra ter uma nova chance.

Lembremos que Jesus prometeu a Dimas, o bom ladrão, que naquele mesmo dia ele estaria no Paraíso. Ou seja, nada de reencarnar pra purgar o mal que fez (saiba mais sobre karma aqui).

Em outra passagem, Jesus ensina que “se alguém não nascer de novo, não poderá ver o Reino de Deus” (Jo 3,3). Nicodemos, então, pergunta se trata de algo como entrar no ventre da mãe e renascer, e a isso Jesus responde: “ninguém pode entrar no Reino de Deus se não nasce da água e do Espírito”. Ou seja, não tinha nada a ver com um renascimento biológico, carnal, pois “Quem nasce da carne é carne”; mas sim de um renascimento espiritual, marcado pelo batismo, que é feito… com água!

Reparem que Jesus diz precisamente a Nicodemos o que é preciso para esse renascimento – a fé: “Quem acredita n’Ele não está condenado; quem não acredita já está condenado, porque não acreditou no Nome do Filho único de Deus”. E, logo depois da conversa com Nicodemos, Jesus foi à Judeia para batizar as pessoas, isto é, para fazê-las renascer pela água e pelo Espírito.

Bem, já vimos que a Bíblia não dá margem a qualquer crença na reencarnação. E quanto aos primeiros Padres da Igreja, aqueles que foram os primeiros a receber e guardar o ensinamento oral doa Apóstolos? Tal doutrina foi tida como herética por Clemente de Alexandria (+215), por Santo Irineu (+202) e Eneias de Gaza (+518).

Além deles, podemos citar Orígenes de Alexandria (+254), que considerava a doutrina da reencarnação uma FÁBULA. “Ué? Mas não foi justamente Orígenes o autor cristão que propôs essa doutrina como verdadeira?”. Não, não mesmo!

Orígenes, na verdade, propôs uma tese esquisita sobre a preexistência das almas (quem quiser saber mais, leia esse artigo de Dom Estevão Bettencourt), mas que não tinha nada a ver com reencarnação. Ele jamais foi herege; era um teólogo brilhante, e foi sempre fiel ao Magistério da Igreja. Para Bento XVI, Orígenes foi “o autor mais fecundo dos primeiros três séculos cristãos” (Fonte: site do Vaticano).

A tese equivocada de Orígenes sobre a preexistência das almas, infelizmente, foi tomada como artigo de fé por um grupo de fãs mocorongos – os origenistas. No século III, esses discípulos fanáticos resolveram tomar como dogma aquilo que seu mestre propunha como mera hipótese, e ainda perverteram suas ideias, passando a professar a crença na reencarnação.

O origenismo ganhou força e se espalhou pela Palestina. Foi então que, em 539, o Patriarca de Jerusalém mandou um S.O.S. pro Imperador Justiniano, que então publicou um duro pronunciamento contra os origenistas. O Papa Virgílio e os demais Patriarcas também aprovaram e repercutiram os artigos condenatórios de Justiniano, conforme explica D. Bettencourt: “Como se vê, tal condenação foi promulgada por um sínodo local de Constantinopla reunido em 543, e não pelo Concílio ecumênico de Constantinopla II, o qual só se realizou em 553”.

Como vocês viram, a Bíblia, a patrística, os documentos papais e os demais registros históricos comprovam que a Igreja Católica jamais aceitou a tese da reencarnação. Essa foi abraçada nos séculos III e IV por um grupo restrito de monges, sendo condenada e combatida pelos bispos e Papas, em todos os tempos.

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Sobre Hellen

Católica militante, expatriada, mãe e arquiteta e estudante de Direito. Quando há tempo, engajada na "missão" de defender a fé católica e evangelizar aos irmãos católicos, especialmente aqueles afastados da Santa Fé . I am an expat architect, law student and Catholic mommy who's taken on blogging. I've doing this for a few years now and I'm totally hooked up. All for the Glory of God!
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8 respostas para Refutando uma falácia “Espírita”

  1. Gabriel Santos disse:

    Atrasados!
    Como podem acreditar que estamos por conta de sacrifícios?
    Um “filho” de deus dando a vida pela humanidade? Um lindo conto para atrair e sugestionar ignorantes.
    Um ser que se apresentou com tantos poderes, com tantos milagres, se fosse poderoso como afirmam, então ele estaria fingindo muito bem, não acham?
    Não vos passa na cabeça que foram enganados?
    Oras….acham mesmo que o ser das trevas se apresentaria como ser das trevas? Não…. ele se apresentaria como filho único, cultivando o egoísmo, porém como bonzinho, santo, o cordeiro de deus que tira o pecado do mundo.
    Acordem enquanto é tempo. Pois ninguém jamais foi salvo por Cristo nenhum.
    Salvos? Quem está salvo?
    Se estivessem sendo salvos, já não existiriam mais ninguém na terra.
    Todos estariam salvos. Mas ao contrário, cada vez aumenta a população, mostrando à todos que ninguém está sendo salvo.
    O mal é tão grande nesses seres perversos que se dizem bons e santos, mas não conseguem proteger e nem amparar ninguém, por isso morrem antes do tempo, porque a natureza desses seres é do mau, portanto só sabem fazer maldades, por isso não conseguem proteger ninguém é muito menos salvar alguém.
    E ficam esses idiotas propagando mentiras como se fosse verdade e falecendo nessas mentiras todas, porque a mentira é a base da falência e por isso falecem

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    • Hellen disse:

      Aquele que não crê é tolo porque se estiverem errados, será tarde demais para mudar de idéia. Os que crêem, por outro lado, não perdem nada e, se estiverem certos, tudo ganham!!

      Deus o abençõe com o dom da conversão!

      Pax DOmoni,

      H.

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  2. Jones disse:

    Sou espírita e nunca ouvi nada parecido. Se, porventura, algum sujeito que se diz espírita disse isso, fatalmente é um pobre ignorante. Não existe na literatura (séria) espírita algo do gênero.

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  3. Os mesmos assuntos estão sendo postados, com algumas pinceladas, como fatos novos. Apesar de saber que a meta da Igreja Militante é denegrir outros seguimentos religiosos, torna-se interessante ler e comentá-los, de forma que sejam esclarecidas as distorções sempre ditas com muito acinte.

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    • Helen disse:

      Dora,

      A meta da Igreja Militante é denegrir outros seguimentos religiosos??

      Absolutamente não! Nossa meta é instruir aos católicos sobre o que NÓS acreditamos. Negamos a reencarnação, sim! Por isso a refutamos! O que a sra esperava? Que o blog defendesse o relativismo: Ah, a Igreja ensina que reencarnação não existe, mas temos que respeitar os espíritas, pois talvez eles estejam certos!! Por favor…

      Minha discordância não é denegrimento, pois só é possível denegrir quando se fala algo contra aquilo que se pensa ser uma verdade, tentado fazê-la negra (de-negrir/ tornar negra, ofusca). Ademais, mas meu compromisso é com a defesa da fé, não com o corretismo político! Se acredito que reencarnação é falácia, assim o digo. Não é isso que fazem o tempo todo contra a Igreja Católica?

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  4. Helen,

    É com muita alegria que participo dos debates do “ecclesia militans”.

    E fico muito feliz de contribuir de algum modo para a evangelização e esclarecimento da nossa fé a todos (católicos e não católicos).

    para mim como se costuma dizer é uma grande honra ter algo por mim escrito publicado aqui.

    Você tem a minha permissão para o fazer, peço desculpas, apenas porque fiz o comentário de improviso e portanto, não adicionei mais detalhes explorando outras passagens (principalmente do evangelho). mas você tem a minha permissão para publicar, corrigir e acrescentar ao texto informações que você considerar pertinente.

    E mesmo que eu não comente (as vezes por não ter o que comentar) eu estou acompanhando sempre as postagens e sempre admirado do alto nível dos textos.

    Pax Domini sit semper vobiscum!

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  5. Muito Bem, Helen!

    A tradição da nossa Igreja bebe da escatologia judaica e não das religiões de mistérios como o orfismo e o mitraísmo.

    A escatologia judaica nunca propôs a reencarnação e inclusive abomina o culto e a invocação do mortos.

    Basta recolher no texto grego do novo testamento as passagens em que a ressureição é mencionada e ficará claro do que se trata, vejamos:

    A expressão mais comum no novo testamento para ressureição é: “anastásis ton nekron” que literalmente significa “levantar-se dentre os mortos” Vejam por exemplo na famosa catequese de São Paulo aos Coríntios (1Cor 15,1-19)
    Nessa passagem da epistola temos uma clara alusão a escatologia biblica do antigo testamento.
    Primeiro quando São Paulo diz que “Cristo ressucitou dentre os mortos” (1 Cor 15,12) esse dentre os mortos é justamente o anastasis ton nekron de que falei acima.

    A escatologia judaica passou uma evolução, primeiro os judeus acreditavam que as pessoas morriam e iam para o Sheol (indiferente de serem boas ou más) aos poucos a ideia de que Deus faria justiça aos justos e fiéis despertou nos judeus a ideia da ressureição tal como é descrito no livro dos Macabeus (um texto do final do Século III a.c).

    É preciso fazer notar que a compreensão da ressureição na época de Jesus não é muito clara, tanto que a seita dos saduceus rejeitam a ressureição e negavam a existência dos anjos.

    Se voltarmos a catequese de São Paulo vamos ver outra referencia a escatologia judaica, observem o que diz o apóstolo dos gentios: “E, se Cristo não ressuscitou, ilusória é a vossa fé; ainda estais em vossos pecados. Por conseguinte, aqueles que adormeceram em Cristo, estão perdidos. (1 Cor 15,17-18)

    Vejam que São Paulo emprega o verbo “adormecer” (egeiro em grego) essa expressão é também é típica da escatologia judaica, porque os judeus acreditavam que ir para o sheol era adormecer, morrer era cair num sono profundo no Sheol, por isso que Ressucitar é “levantar dentre os mortos” por que os mortos estão deitados, dormindo.

    Por fim, o valor da ressureição como ponto fundamental da fé cristã é atestada no versículo 17 quando o apóstolo diz: ” se cristo não ressucitou, ilusória é a vossa fé e ainda estais em vossos pecados.” Sem ressureição a conversão a Cristo não faz o menor sentido, porque se ele não ressucitou a remissão dos pecados na cruz não aconteceu.

    A ressureição de Jesus implica necessariamente no ato generoso de Deus que conhecemos como Graça e que a reencarnação suplanta com a ideia de evolução do espírito através do carma e da possibilidade do sujeito alcançar tal evolução por esforço próprio. Em outras palavras, Sem ressureição a graça fica reduzida a lampejos do amor de Deus e não gratuidade desse amor. Os cristãos devem sempre ter em mente que a ressureição é o pilar da fé sem ela como diz São Paulo: “nossa fé é vã”.

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    • Helen disse:

      Olá Brener e bem-vindo de volta!!
      Nosso blog precisa de leitores como você, que contribui pertinentemente aos temas aqui debatidos. De fato, tão pertinente é o seu comentário, que peço permissão para publicá-lo como um mini-post separado. Isso, por dois motivos: A maiorias dos visitantes não têm o hábito de lerem os aquilo já postados por outros leitores e acabam sempre enviando perguntas já respondidas, argumentos já refutados, etc… O segundo motivo é óbvio: o conteúdo do seu comentário! Vc ensina e refuta com clareza aquilo que nossa fé rejeita e sempre rejeitou desde o princípio. Infelizmente, muitos católicos não conhecem os fundamentos básicos da fé.

      Pax!

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