Virtude da Temperança – Ninguém torna-se santo sem ela!


Segundo a definição dada pela Enciclopédia Católica, a temperança parece ser uma daquelas virtudes que muitos querem possuir, mas poucos entendem do que realmente ela se trata. Recentemente, estava meditando sobre minha própria jornada espiritual e tomei uma decisão consciente de descobrir quais  são as virtudes que mais me faltam  e como dominá-las. Como se viu,  faltam-me todas elas, em maior ou menor extensão, e devo, portanto,  trabalhar muito duro se quiser encontrar-me entre os “santos”  de Deus, antes de  deixar este mundo … Então, para o definição  e alguns pensamentos sobre a temperança:

A palavra temperança vem do latim temperare e significa  misturar em devidas proporções.

Temperança é aqui considerada como uma das quatro virtudes cardeais. Ela pode ser definida como o hábito justo, que faz um homem governar seu apetite natural pelos prazeres dos sentidos, de acordo com a norma prescrita pela razão. Em um sentido a temperança pode ser considerada como uma característica de todas as virtudes morais; que ordena a moderação e como  central para cada uma delas. É também, de acordo com S. Tomas de Aquino (II-II: 141.2) uma virtude especial.

Assim, temperança é a virtude que refreia a concupiscência ou que controla o desejo pelos prazeres e delícias que atraem mais poderosamente o coração humano. Estes se dividem principalmente em três classes: alguns estão associados com a preservação do indivíduo humano, outros com a perpetuação da raça, e outros ainda com o bem-estar e conforto da vida humana. Sob este aspecto, a temperança tem por virtudes subordinadas, a abstinência, a castidade e  a modéstia.

ABSTINÊNCIA

A abstinência prescreve a restrição a ser empregada na partilha de comida e bebida. Obviamente, a medida desta auto-restrição não é constante e invariável. Ou seja, é diferente para diferentes pessoas, bem como para diferentes fins em vista. A dieta de um anacoreta não serviria para um trabalhador rural. A abstinência é contra os vícios da gula e embriaguez. O oposto dela ocorre quando a comida e a bebida são usadas de tal modo a prejudicar ao invés de beneficiar a saúde do corpo. Daí gula e embriaguez são consideradas intrinsecamente erradas. Isso não significa, entretanto, que eles sejam sempre graves pecados. A gula é raramente tal; a embriaguez pode sê-lo quando é completa, ou seja,  quando se destrói o uso da razão.

CASTIDADE

A castidade como uma parte da temperança regula as satisfações sensoriais relacionadas com a propagação da espécie humana. O vicio contrário à castidade é a luxúria. Como esses prazeres apelam com uma veemência especial à natureza humana,  é a função de castidade impor a norma da razão. Assim, ela vai decidir se eles devem ser completamente evitados em obediência a uma maior vocação ou pelo menos apenas favorecidos com referência aos fins de casamento. A castidade não é fanatismo, muito menos é insensibilidade. É a realização do mandato da temperança em um determinado departamento, onde um tal poder de estabilidade é agudamente necessário.

MODÉSTIA

A virtude da modéstia, sob o alcance da temperança, tem como missão a realização de um atrelamento razoável das paixões humanas menos violentas. Ela traz a  serviço a humildade para colocar em ordem o interior de um homem. Por transfusão de suas estimativas com a verdade, e aumentando seu auto-conhecimento,  ela guarda contra a maldade radical de orgulho. É avessa a pusilanimidade, o produto de uma baixa vista e uma vontade mesquinha. No governo do exterior de um homem, a modéstia visa adequá-lo às exigências da decência e decoro. Desta forma, o seu teor inteiro externa da conduta e modo de vida caem sob sua influência. Tais coisas como seu traje, forma de expressão, tendo habitual, estilo de vida, tem que ser feita para harmonizar com suas injunções. Para ter certeza que  nem sempre pode ser resolvida por regras rígidas. Convenção, muitas vezes, têm muito a dizer sobre o caso, mas por sua vez terá sua propriedade determinada pela modéstia.

Outras virtudes são enumeradas por São Tomás como subordinadas à temperança na medida em que implicam a moderação na gestão de alguma paixão. Ela deve ser observada, no entanto, que em seu sentido primário e geralmente entendido, a temperança ocupa-se com o que é difícil para um homem, não na medida em que ele é um ser racional com precisão, mas sim na medida em que ele é um animal. As mais difíceis tarefas para a carne e o sangue são a auto-contenção no uso de alimentos e bebidas e dos prazeres venéreos, que têm a ver com a propagação da raça. É por isso que a abstinência e castidade podem ser consideradas as  principais e ordinárias fases desta virtude. Tudo o que foi dito recebe força adicional ao supormos que o auto-controle comandado pela temperança é medido não só pela regra da razão, mas também pela lei revelada de Deus. Ela é chamada de virtude cardeal, porque a moderação necessária para cada hábito justo tem na prática da temperança uma arena especialmente de provação. As satisfações sobre a quais ela impõe uma checagem são ao mesmo tempo extremamente naturais e necessárias na atual ordem da existência humana. Não é, no entanto, a maior das virtudes morais. Essa classificação é realizada pela prudência; depois vem a justiça, a fortaleza e, finalmente, a temperança.

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Sobre Hellen

Católica militante, expatriada, mãe e arquiteta e estudante de Direito. Quando há tempo, engajada na "missão" de defender a fé católica e evangelizar aos irmãos católicos, especialmente aqueles afastados da Santa Fé . I am an expat architect, law student and Catholic mommy who's taken on blogging. I've doing this for a few years now and I'm totally hooked up. All for the Glory of God!
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4 respostas para Virtude da Temperança – Ninguém torna-se santo sem ela!

  1. Renato disse:

    Vc escreve isto:
    “Como se viu, faltam-me todas elas, em maior ou menor extensão, e devo, portanto, trabalhar muito duro se quiser encontrar-me entre os “santos” de Deus, antes de deixar este mundo …”

    Eu penso o contrario!
    Eu nao preciso de trabalhar mesmo nada porque ja estou salvo.
    Ou seja o meu espirito ja esta salvo,porque Jesus Cristo ja me salvou.

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    • Hellen disse:

      Renato,

      O católico não trabalha para adquir virtudes para que passa ser salvo, mas para se Santificar!!! Para imitar a Cristo temos que ser santos como Ele. A Bíblia mesmo diz: “sede santos com vosso Pai do Céus é Santo”!

      Nos católicos somos assegurados de nossa salvação. O catecismo diz que todo aquele que vive na amizade de Deus será salvo. Mesmo que tenha pecados, basta arrepender-se deles antes da morte.

      Mas a santificação deve ocorrer EM VIDA!!!!

      Paz Domini
      H.

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  2. A temperança (sophrosyné) é um dos elementos da ética antiga incorporadas pela ética cristã e que fazia aproximar a filosofia pagã (greco-romana) do próprio cristianismo. É interessante notar que a castidade, modéstia e outros princípios morais presentes na cultura judaica receberam amparo ético (enquanto disciplina filosófica e portanto caracterizada por um princípio racional) da temperança enquanto moderação dos desejos. Claro, quando pensamos em Tomás de Aquino que resgata a ética aristotélica e nos apresenta o que os antigos filósofos chamavam de ética metriopatheía, isto é, uma ética que nos educa para o controle dos impulsos do desejo através da razão, a temperança junto da prudência (phronesis) demarcam exatamente uma nova relação do homem com a sua afetividade e sexualidade transparecendo o que as escrituras já explicavam.
    Mas não podemos nos esquecer de outro grande pensador cristão que dialoga com a filosofia pagã, falo de Agostinho, que distinguiu para nós a vontade e o desejo, entendo o primeiro como voluntas e o segundo como concupiscência. o desejo sem ser guiado pela razão é desordenado, essa ideia da ordem tão celebrada pelos gregos no cristianismo ganha um significado peculiar traduzido pelo conceito de lei já presente na cultura judaica através da torá e dos profetas.
    A temperança e a ética das virtudes, hoje tão pouco comentada fora dos meios academicos, e quando muito criticada pelo crescente discurso utilitarista hedonista, merece sim ser resgatado pela nossa igreja de modo mais abrangente, quero dizer com isso, que a catequese deveria ser esse momento peculiar em que a direção espiritual se tornaria efetivamente o complemento do que é próprio da santa missa, isto é, receber do sacerdote a condução espiritual através da palavra de Deus e da Santa Eucarístia.

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