Padre Pio jamais rejeitou a “Nova Missa”


Padre Pio Pietralcina

Circula entre alguns grupos de católicos a ideia que todo abuso litúrgico cometido durante a celebração da Santa Missa é, necessariamente, uma consequência das “heresias e modernismos” introduzidos pelo Concílio Vaticano II. Essas afirmações, lamentavelmente, partem de católicos praticantes, em sua parte devotos e bem-intencionados. Contudo, essas pessoas, apesar de zelosas e engajadas no combate à profanação da Santa Missa, não raramente desconhecem o conteúdo dos documentos produzidos pelo CV II, uma vez  jamais os leram e deixam-se influenciar pelas opiniões equivocadas de outros.  Há ainda aqueles que apesar de conhecerem alguns dos documentos conciliares, costumam interpretá-los de modo pessoal e particular,  apartados  totalmente da saberia e autoridade do Magistério da Igreja no ensinamento da fé.

Primeiro, é importante lembrar que o Concílio Vaticano II não foi um Concílio dogmático, uma vez que não declarou nenhum dogma novo, mas sim um concílio Pastoral. Ou seja, seu objectivo era a instrução pastoral de assuntos relevantes à prática da fé e não formulação de novas doutrinas e dogmas pertinentes à ela.  A defesa do Concílio Vaticano II não é, portanto, uma tarefa apenas para os “modernistas” católicos, como costumam dizer os “tradicionalistas”, mas para todo católico obediente e fiel ao Magistério da Igreja.  Contudo, a obediência ao CVII não quer dizer desprezo  pela e solenidade da Santa Missa no Rito Tridentino, a chamada missa tridentina, nomeada assim após o Concílio de Trento.  Porém, isso não equivale dizer que a Santa Missa torna-se menos Santa quando é celebrada num ou noutro Rito, pois é um Sacrifício oferecido em nome de um Outro, maior que a nossa preferência pessoal. Não contestamos tampouco que alguns Ritos sejam mais solenes ou esteticamente mais belos que outros, contudo, a Missa não é uma celebração para o homem, mas para Deus.

É  bastante preocupante o rumor espalhado por alguns adeptos do Rito Tridentino de que um santo notoriamente fiel aos ensinamentos da Igreja,  como Padre Pio, tivesse, ao fim de sua vida, rejeitado a Missa Novo Ordus. Na verdade, isso confirma a natureza controversa deste tema e serve também com um alerta, afinal, algumas pessoas estão dispostas a se usarem até mesmo de um argumento falso, como a oposição de Padre Pio à Nova Missa, para sustentarem seu ponto de vista.

Na verdade, devido à época em que viveu, a missa que o Padre Pio oferecia era de acordo com o Missal, tal como existia antes do Concílio Vaticano II, a Missa Tridentina. Quando os novos ritos começaram a aparecer em meados dos anos 1960 (finalizado em 1969 depois de sua morte) Padre Pio continuou a celebrar a Missa no Rito “antigo”. Por esse motivo, tem sido alegado por alguns que isso ocorreu  devido à sua insatisfação com as mudanças litúrgicas. No entanto, isso não era o caso. Já com mais de 80 anos de idade e ficando cego a única maneira prática de Padre Pio oferecer a missa era reza-la como ele tinha feito ha 50 anos. Este mesmo privilégio foi concedido por lei a todos os sacerdotes idosos. Mais tarde, ao Padre Pio também seria dada a permissão para sentar-se durante a totalidade da missa, sendo incapaz de resistir por longos períodos. O verdadeiro caráter da apresentação impecável do Padre Pio para a Igreja e sua aceitação de todos os ensinamentos do Vaticano II e do Papa e da disciplina pode ser visto na carta que escreveu ao Papa Paulo VI, em setembro de 1968.

Sua Santidade,

Uno-me com meus irmãos para apresentar a seus pés o meu respeito afetuoso, toda a devoção à sua pessoa minha agosto em um ato de fé, amor e obediência à dignidade daquele a quem representa nesta terra. A Ordem dos Capuchinhos foi sempre na primeira linha no amor, fidelidade, obediência e devoção à Santa Sé, peço a Deus que ela possa permanecer assim, e continue na sua tradição de seriedade e austeridade religiosa, pobreza evangélica e fiel observância do Regra e Constituição, certamente renovando-se na vitalidade e no espírito interior, de acordo com as guias do Concílio Vaticano II, a fim de estar sempre pronto para atender às necessidades da Igreja Matriz sob o governo de Vossa Santidade.

Eu sei que seu coração está sofrendo muito estes dias, no interesse da Igreja, pela paz do mundo, para as necessidades dos inúmeros povos do mundo, mas acima de tudo, pela falta de obediência de alguns, até mesmo católicos, para o ensino de alta que você, assistido pelo Espírito Santo e em nome de Deus, estão nos dando. Eu lhe ofereço minhas orações e sofrimentos diários como uma contribuição pequena, mas sincera, da parte do menor dos seus filhos, a fim de que Deus possa dar-lhe conforto com a sua graça para seguir o caminho reto e doloroso na defesa da verdade eterna, que nunca altearão com o passar dos anos. Além disso, em nome dos meus filhos espirituais e os grupos de oração, eu o agradeço por suas palavras claras e decisivas que você, especialmente pronunciou na última encíclica “Humanae Vitae”, e eu reafirmo a minha fé, minha obediência incondicional às suas direções iluminadas.

Que Deus conceda a vitória da verdade, paz à sua Igreja, tranqüilidade para o mundo, saúde e prosperidade a Vossa Santidade de modo que, uma vez que estas dúvidas são dissipadas fugazes, o Reino de Deus triunfe em todos os corações, guiado pelo seu trabalho apostólico como Supremo Pastor de todo o Cristianismo.

Prostrado aos seus pés, peço-lhe para me abençoar, na companhia de meus irmãos na religião, meus filhos espirituais, os grupos de oração, meus queridos doentes e também para abençoar todos os nossos bons propósitos que estamos tentando cumprir sob sua proteção em nome de Jesus.

Humildemente,

P. Pio, capuchinho

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Sobre Hellen

Católica militante, expatriada, mãe e arquiteta e estudante de Direito. Quando há tempo, engajada na "missão" de defender a fé católica e evangelizar aos irmãos católicos, especialmente aqueles afastados da Santa Fé . I am an expat architect, law student and Catholic mommy who's taken on blogging. I've doing this for a few years now and I'm totally hooked up. All for the Glory of God!
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24 respostas para Padre Pio jamais rejeitou a “Nova Missa”

  1. Didacus Hff disse:

    Que escândalo. Texto adulterado. Eu domino italiano, Padre Pio na suposta carta não faz referência alguma ao Concílio Vaticano II. No contexto, ele está falando da desobediência de alguns católicos às diretrizes dadas na Carta Encíclica Humanae Vitae do Papa, que fala, entre outras coisas, sobre métodos contraceptivos etc. De fato, essa Encíclica dividiu muitos que começaram a contestar o magistério, querendo adotar justamente posturas progressistas. Padre Pio está agradecendo pelas diretivas dadas nesta Carta. Encíclica é perfeita. Toda essa parte que tu traduziste aqui do Vaticano II é falsa, nem consta no texto original. No texto ele até fala da “defesa da verdade eterna, que jamais muda com o passar do tempo”. Ora, quem está tentando mudar tais verdades não são os católicos tradicionais.

    Acho que tens boa intenção, mas deves corrigir o texto por questão de honestidade. Atenciosamente.

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    • Hellen disse:

      Senhor,

      Por favor, não seja leviano. Não há adulteração alguma no texto!!

      Contudo, antes de responder peço-lhe que LEIA com atenção meu artigo. Não estou aqui a afirmar que o S. Padre Pio tenha feito alguma referência ao Cincilio Vaticano II, estou? Certamente que não!

      O que estou a fazer é um exercício lógico: ou seja, o conteúdo da carta mostra CLARAMENTE que ele estava irrevogável quanto ao seu apoio ao Santo padre ( veja como ele assina a carta).

      Isso indica sua obediência à Igreja e não o contrário, como uns querem afirmar. Ou seja, que Padre Pio houvesse recusado aceitar as determinações do concílio!

      Quanto a dominar o Italiano, também o faço e sei que a tradução acima – que aliás foi feita apartir do meu segundo idioma, Inglês, é honesta e fiel.

      Acredito que o Sr deveria retornar ao blog pra pedir desculpas pelo insulto.

      Eis a versão em Italiano, incluindo a apresentação da carta (omitida no meu texto)

      Questa lettera di Padre Pio fu scritta undici giorni prima della sua morte, avvenuta il 23 settembre 1968. Per valutare il suo contenuto e la sua importanza ed attualità è bene ricordare che due mesi prima, esattamente il 25 luglio 1968, Paolo VI aveva promulgato la celebre enciclica Humanae vitae, che suscitò tanto scalpore anche negli ambienti cattolici…..

      Il 25 luglio 1968, Paolo VI aveva promulgato la celebre enciclica Humanae vitae, che suscitò tanto scalpore anche negli ambienti cattolici e che venne ad accrescere il dolore del Santo Padre, gia molto provato da tanti altri avvenimenti in quei difficili anni postconciliari. Ebbene, Padre Pio, anche a nome di tutti coloro che in qualche modo gli erano legati: figli spirituali, gruppi di preghiera, benefattori delle opere sociali e caritative, ecc., con questa lettera intende alleviare le sofferenze del Papa promettendogli la sua preghiera ed i sacrifici, affinché il Signore mitighi il suo dolore e faccia trionfare la verità da lui proposta e difesa in quel contrastato documento e in tutti gli altri del supremo magistero apostolico. La lettera di Padre Pio fu pubblicata dall’Osservatore Romano del 29 settembre 1968.

      San Giovanni Rotondo, 12 settembre 1968

      Santità,

      approfitto del Vostro incontro con i padri Capitolari per unirmi spiritualmente ai miei confratelli ed umiliare ai Vostri piedi il mio affettuoso ossequio, tutta la mia devozione verso la Vostra Augusta Persona, nell’atto di fede, amore ed obbedienza alla dignità di colui che rappresentate sulla terra. […]
      So che il Vostro cuore soffre molto in questi giorni per le sorti della Chiesa, per la pace del mondo, per le tante necessità dei popoli, ma soprattutto per la mancanza di obbedienza di alcuni, perfino cattolici, all’alto insegnamento che Voi assistito dallo Spirito Santo e nel nome di Dio ci date.
      Vi offro la mia preghiera e sofferenza quotidiana, quale piccolo ma sincero pensiero dell’ultimo dei Vostri figli, affinché il Signore Vi conforti con la sua grazia per continuare il diritto e faticoso cammino, nella difesa dell’eterna verità, che mai si cambia col mutar dei tempi.
      Anche a nome dei miei figli spirituali e dei “Gruppi di preghiera” vi ringrazio per la parola chiara e decisa che avete detto, specie nell’ultima Enciclica Humanae vitae, e riaffermo la mia fede, la mia incondizionata obbedienza alle vostre illuminate direttive.
      Voglia il Signore concedere il trionfo alla verità, la pace alla sua Chiesa, la tranquillità ai popoli della terra, salute e prosperità alla Santità Vostra, affinché dissipate queste nubi passeggere, il regno di Dio trionfi in tutti i cuori, mercé la vostra opera apostolica di supremo Pastore di tutta la cristianità.
      Prostrato ai vostri piedi vi prego di benedirmi, assieme ai confratelli, ai miei figli spirituali, ai “Gruppi di preghiera”, ai miei ammalati, a tutte le iniziative di bene che nel nome di Gesù e con la vostra protezione ci sforziamo di compiere.

      Della Santità Vostra umilissimo figlio
      p. Pio, cappuccino.

      (Padre Pio da Pietrelcina, Epistolario IV, 1984, pp.11-14)

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  2. LEANDRO disse:

    O comunismo não acabou e o caos da igreja necessario a consagração da Russia isso sera feito primeiro foi o tiro de papa joão paulo e depois o mártirio moral sobre papa bento .

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  3. Judite Raiti disse:

    Checando as fontes fornecidas pela autora sobre esta carta do Padre Pio ao Papa Paulo VI, percebi que em nenhum momento da carta é citado algo sobre o Concílio Vaticano II. De duas uma: ou a fonte não publicou a carta na íntegra, ou esta tradução colocada aqui no texto é uma fraude.

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    • Didacus Hff disse:

      Exatamente. Aliás, na introdução, antes da carta, já diz que o CONTEXTO da crise de obediência da carta é sobre a Humanae Vitae. E não fala nada sobre Vaticano II. Ao contrário, verdade eterna que não muda não lembra nada progressistas.

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  4. Erick disse:

    Caríssima Helen, o teor desta carta é muito diferente do estilo do padre pio. E a forma que se dirige ao Santo Padre, é “Santidade”.

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  5. Hugo disse:

    Sr. Herbert, este tema, revelações privadas, é bastante complexo. Em primeiro lugar, como nos ensina o padre Tanquerey em seu Compendium, algumas profecias e revelações podem ter caráter condicional, ou seja, com penitência e muita oração, um mal iminente pode ser contornado com a graça de Deus.

    Além disso, o Fr. Royo Marín nos lembra que:

    [a] atividade intelectual de quem as recebe, seus conhecimentos naturais e mesmo suas preocupações teológicas ou científicas, contribuem poderosamente para formação de certos detalhes do acontecimento, episódio ou discurso revelado, alterando seu verdadeiro sentido ou introduzindo razões humanas misturadas às divinas. (…) Outra armadilha em que facilmente se pode tropeçar é no que se refere à interpretação dessas revelações, ainda que se suponha ter sido recebidas e transmitidas sem nenhuma corrupção ou interpolação humana. Não dá o Senhor suas luzes sobrenaturais a quem, sem toque nem consideração, aplique-as segundo a conveniência de cada um; por isso, permite às vezes que as interpretem mal para castigar alguma presunção ou curiosidade existente. (Royo Marín, Antonio. Teología de la perfección cristiana. Madrid: BAC, 2001, p. 917.)

    Faço esse ‘prefácio’ para afirmar o seguinte: o terceiro Segredo pode ter ocorrido com o atentado ao Papa João Paulo II; mas também pode não ter ocorrido. Ambas as hipóteses são plausíveis. No entanto, volto a afirmar, o tema é controverso e traz muitas dificuldades. A questão da apostasia, por exemplo, pode ser interpretada a partir dos acontecimentos recentes dentro da Igreja; mas há de se considerar que na Igreja, SEMPRE houve e haverá almas heróicas que se entregaram como vítimas pelos sacerdotes (se puder leia o livro do Fr. Garrigou sobre a mística brasileira Madre Francisca de Jesus; conhecê-la – ele mesmo afirmou – fê-lo compreender que as almas que se entregam em penitência por outras (sobretudo pelos sacerdotes), podem purificar o Corpo Mítico de Nosso Senhor, i.e., a Igreja.

    No que tange aos tradicionalistas, creio que a interpretação que estão dando aos fatos históricos ocorridos no CVII negligenciam o fato de Deus estar agindo em todos esses momentos. Que a Igreja entrou em crise, nenhuma novidade, afinal, toda a sua história está recheada de momentos de crise. A questão principal, ao meu ver, é que todas as crises foram frutos da impenitência dos membros da Igreja. Quando se aprofunda no mal, o mal se torna mais abundante; no entanto, duas coisas devem ser, impreterivelmente, levadas em consideração: 1) Nosso Senhor nos prometeu que as portas do inferno não prevalecerão; 2) sempre, creia-me, sempre teremos almas piedosas e heróicas abraçando os pecados do mundo e mantendo a Igreja de pé, com a Graça de Deus e com as penitências necessárias para que se mantenha a fé.

    Vivemos momentos difíceis, decerto; mas façamos a nossa parte! Rezemos uns pelos outros e aprofundemos na vida interior, hoje tão desprezada por conta de uma santificação do ‘Eu’ que propõe o contrário: a vida exterior, o apego a uma espécie de ‘causa santa’ (salvar a Igreja, por exemplo! Não soa ao senhor uma soberba incalculável? Quem pode salvar a Igreja senão o próprio Cristo?).

    Enfim, tenho para mim que só venceremos a crise fazendo penitência, como todos os santos nos ensinaram.

    Que a Santíssima Virgem estenda o seu manto sobre todos nós.

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  6. Max disse:

    Padre Pio nunca celebrou o Novus Ordo. Ele celebrou a “Missa Tridentina”, na sua configuração extraordinária, versus populum (voltado para o povo).

    Há, no entanto, quem imagine que a diferença entre os ritos de Paulo VI e São Pio V é que a primeira se celebra de frente para o povo e a segunda de costas para o povo. Longe ser esse o motivo essencial que faz da missa nova um ataque à Fé Católica.

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    • Helen disse:

      Caro Max,

      A questão da “Nova Missa” versus a “Missa Tradicional” tratada no texto refere-se, essencialmente, à refutação de que padre Pio tenha recusado-se à obedecer ao Vaticano opondo-se à nova Missa Novus Ordo. Isso é um argumento equivocado, contudo, frequentemente usado pelos tradicionalistas como suporte para sua posição contrária à Missa de Paulo VI.

      Como dito, Padre Pio era obediente à Santa Sé. Jamais desafiou a autoridade do referido papa. Entretanto, devido à sua avançada idade, recebeu autorização especial para seguir celebrando a Santa Missa no Rito Tridentino, mesmo que em configuração extraordinária.

      Sendo assim, que fique claro aos que se opõem ao Novus Ordo: Padre Pio NUNCA rejeitou o referido Rito, mas por privilégio concedido pela Santa Sé, obteve permissão para celebrar a Missa no Rito tradicional.

      Pax Domini,

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  7. A única coisa que eu digo é que para mim tanto faz se o padre Pio era a favor ou contra a Missa Nova… Eu o respeito e admiro demais! Mas a quem devemos obedecer é nosso Papa atual, e ele não é contra, portanto, eu acho que os “grupos tradicionalistas” deveriam parar de viver no passado e obedecer o que nos é dito hoje, através dos Papas mais recentes! Vcs podem não gostar. mas o Concílio Vaticano II existiu, e os documentos estão aí pra quem quiser ler!!! Paz e bem!!!

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    • Helen disse:

      Dyane,

      Estou de pleno acordo!

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      • Anderson disse:

        Passado é passado se existe a missa de Paulo VI
        É por que deus o passou para as mãos dele conforme sua vontade afinal ele foi usado por Deus como todos os outros agora vivermos o presente junto com o papa Francisco na comunhão com Deus na comunhão com os Santos e com os irmãos da fé para a segundo vinda do todo poderoso Jesus Cristo que é o presente!

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  8. O teor da carta é estranho, não acredito que São Pio tenha se dirigido ao Santo Padre por “você”, tradutor modernista???

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    • Helen disse:

      Prezado Sr Tarcísio,

      Muitíssimo grata pela participação.

      1- O pronome você, tal e qual falado em Portugal, é extremamente formal. O problema é que o uso brasileiro é uma deformidade do idioma, portanto, peço que isso não seja motivo para descredibilizar minha tradução, que aliás é livre, ou seja, não oficial, pois não sou tradutora.

      Por outro lado, reconheço que o correto seria usar o pronome vos, desde que eu tivesse usado a carta original em Italiano, porém, como expliquei acima ao sr Herbert, minha tradução foi feita em cima do Inglês, onde vós é you, por isso, usei você, simplesmente para ser fiel à versão usada por mim.

      Para sanar qualquer dúvida, postei o link com excerto da carta original, publicada em 1968 no L’Observatorio Romano.

      Ei-lo aqui: http://www.totustuus.it/modules.php?name=News&file=print&sid=742

      Pax Domini,

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    • Hellen disse:

      Conheça a própria língua!! Você é a forma respeitosa. Tu é o pronome de tratamento familiar, para amigos!

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  9. jacob disse:

    Helen, desculpe, você está equivocada. Estude mais.

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    • Hellen disse:

      Equivocada sobre o quê? Ao dizer que o pronome tu é informal e você é formal?
      Seguramente que não estou!!! Não gosto de ofender a ninguém, mas quem deve estudar mais é o senhor!

      Os não letrados no Brasil dizem: “Eu gosto de você” e acham que estou a falar corretamente. Ninguém se pergunta: por que é errado dizer e ‘eu gosto de tu’. Mas dizer ‘eu gosto de você’ é considerado correto?

      Ora, eu não gosto de TU, eu gosto de TI!!
      PORTANTO, eu gosto de SI e não de VOCÊ!

      Percebeu?

      O pronome Você no português do Brasil é um desvio!

      A carta original do Padre Pio usa o Vós. Eu substitui por você por achar mas conveniente para a maioria dos leitores, uma vez que o uso do ‘vós’ no Brasil é praticamente inexistente.

      Além do mais, e mais importante ainda, a tradução acima foi feita do INGLÊS
      e nela o pronome usado foi YOU ( você ou tu)
      Uma vez que o Vós, que em inglês é THOU, não existe mais, a não ser em textos arcaicos.

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  10. HEBERT REZENDE disse:

    A carta acima é uma correspondência diferente do estilo de São Padre Pio, tenho dois livros com cartas de São Padre Pio e em nada parece com esse estilo de carta. Se o site possui cópia da carta, que o coloque digitalizado no site, pois ou o tradutor é pouco responsável com a técnica de tradução e não respeitou o estilo de reverência de São Padre Pio ou ,o mais provável, que ela é falsa. Espero que publiquem esse comentário e tenham uma resposta para isso, pois acusar os tradicionalistas de equívoco é fácil, como também dizer que a missa nova elaborada com a colaboração de ministros protestantes e igual à missa de sempre, isso é um grande erro.
    In Jesus et Maria.

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    • Helen disse:

      Sr Hebert,

      A versão acima não é uma tradução do Italiano, língua da carta original, mas do Inglês. Talvez isso explique a diferença no estilo literário. Fiz umas correções nos erros de concordância verbal que me haviam passado desapercebidos.

      A versão em Inglês encontra-se aqui, site da EWTN – Uma rede de televisão católica extremamente refutável nos EUA.

      A referida carta foi publicada no L’Osservatore Romano de 29 setembro de 1968.

      Sua versão em Italiano encontra-se aqui

      Também é possível ter acesso à carta em Padre Pio da Pietrelcina, Epistolario IV, 1984, pp.11-14

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      • HEBERT REZENDE disse:

        Srª Helen, boa noite.

        Vejo que é militante e defende ardorosamente a santa fé. Rezo para que o mantenha. Eu li e procurei encontrar no que tenho aqui a possibilidade do que dizes ser verdade, todavia acredito que o contexto de São Padre Pio não permite pensar o contrário do que no artigo abaixo está escrito: http://www.santotomas.com.br/?p=242
        Não somente São Padre Pio como outro santo padre também não celebraria a missa progressista (ainda que celebrada com toda dignidade, se é possível assim o fazer*, do Papa Paulo VI. Eu pensava como a senhora, que o rito poderia ser bi-ritualista em nossas igrejas, ter a missa progressista e a missa de sempre, mas o que vi na prática com os padres que resolveram celebrar o rito tridentino, foi o seguinte:perderam a paróquia, não podem celebrar em público, o documento do Papa reinante Bento XVI está sendo desobedecido, basta ver o descumprimento do ” Motu Proprio” que esclarece os procedimentos acerca da missa tridentina, entre outros absurdos. A situação é triste para esses padres, eles sofrem muito, mas muito mesmo! A missa nova não sofre perseguição de ninguém, não desagrada maçonaria, esquerda, protestante, etc; mas a missa tridentina eles se empenham em combater e massacrar padres e fieis que desejam a missa de sempre no seu universo espiritual. Por tudo isso e muito mais dentro de um universo avesso à santidade hoje preconizada pelo progressismo-protestante, qualquer tentativa de dizer que um padre como São Padre Pio celebraria a missa nova cuja história consta a participação de ministros protestantes, a carta do Cardeal Bugnini para a maçonaria italiana dizendo que fez tudo que foi possível para modificar a missa de acordo com os gostos da maçonaria, os abusos que a liberdade celebrativa da missa do Papa Paulo VI possibilita, ainda que não explicitamente, entre outros atos opostos a fé de sempre da Santa Igreja. A missa tridentina não sofre nada que hoje vemos em termos de abuso litúrgico, não tem o que inventar, é seguir o missal e o Santo Sacrifício está sendo oferecido, lógico que o Pe que o celebra tem que ter essa intenção de celebrar o sacrifício como quer a Santa Igreja, corpo místico de Cristo.Por tudo isso, rogo para a senhora e teu grupo estudarem isso, refletir, analisarem, procurar os padres que sofrem essa perseguição, rezarem por eles pois precisam muito de nossas orações… enfim, viver na área de conforto que é a situação que a missa de Paulo VI criou, já vivi; arrependo-me e trato como pecado de fé, pois é um período oposto a unidade da Igreja em que se deve estudar o catecismo, os mandamentos, as encíclicas anteriores ao CVII e perceber que algo está estranho e que as mensagens de Nossa Senhora Fátima, Lourdes, Bom Sucesso e La Sallete hoje estão abandonadas propositalmente, pois tais mensagens apontam para a apostasia agora operante na igreja modernista. Rezo por Nossa Senhora de La Sallete para que leia essas mensagens e as demais da Virgem Santíssima, medite e avalie se é isso a unidade doutrinária que o CVII prega; verá que há diversos documentos que abraçam até o convívio com o comunismo, protestantismo e relativismos modais em nossa realidade, Nossa Senhora reprova todos os erros.
        Que Nossa Senhora nos guie e São Padre Pio (que nunca celebraria a missa nova) nos doutrine na unidade de doutrina contida na Santa Fé católica.
        Peço encarecidamente que leia e veja o vídeo do saudoso bispo de Anápolis, Dom Pestana acerca de Nossa Senhora de Fátima e o Concílio Vaticano II
        (CVII), é uma aula magistral acerca de nossa realidade católica.
        http://fratresinunum.com/2010/05/24/roma-discurso-de-dom-manoel-pestana-filho-bispo-emerito-de-anapolis-em-conferencia-sobre-fatima/

        In Jesus et Maria

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        • Helen disse:

          Prezado Sr Herbert,

          Grata pela participação e contribuição às discussões.

          Primeiramente, ressalto que o objectivo tanto deste post, como do blog, jamais foi promover discórdia ou alimentar cisma no seio da Santa Igreja ou entre seus filhos. Este blog é fiel ao Santo Papa, o qual, devemos nos lembrar, celebra a Missa Nova Ordus com reverência e solenidade, e por nenhum momento a menospreza ou rejeita. O mesmo pode-se dizer do Santo Padre Pio, como provado no documento citado pelo artigo. Ele, como lemos em sua carta, era fiel ao Papa Paulo VI, e por conseguinte, obediente ao Concílio Vaticano II.

          Informo que é do meu conhecimento as previsões registradas nos aparecimentos da Virgem, tanto em La Sallete como em Lourdes. Não é prudente, entretanto, que sejamos juízes para julgar se elas se refirem a esse nosso tempo, ou não. Portanto, não é apropriado presumir que, porque a Virgem fez essas referências à apostasias e heresias, que ela tenha, de facto, feito referência às decisões do CV II promulgadas pelo Vigário Legítimo de Seu Santo Filho.

          A Obediência é uma virtude a ser imitada, não dos Santos, mas do Mestre de todos eles, Cristo. Assim, em obediência a Santa Igreja, este blog jamais difamará um concílio legitimamente instituído pela Santa Sé. Oro que pra que o sr faça o mesmo.

          Pax Domini,

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          • HEBERT REZENDE disse:

            Prezada Helen,

            Obrigado pela cordialidade e do nível de discussão. A mensagem de Nossa Senhora se aplica agora, nesse momento, apesar de se ter criado a catequese da relativização das mensagens e a opção de se acreditar ou não nas mensagens, como recentemente um padre franciscano falou comigo e mais cinco testemunhas ser esse o posicionamento no Brasil. O CVII se estiver conforme os demais concílios se deve obedecer, mas se houver incoerência e descontinuidade com os demais documentos da Igreja, por ser concílio pastoral e não tratar de dogma de fé, o católico tem obrigação de procurar a verdade contida nos documentos e seguir o magistério de sempre. Muita coisa existente hoje se quer está em documento do CVII, muita coisa surgiu de um costume inovador que atinge a liturgia, a missa e a catequese; o que se deve analisar é o porque de não haver a defesa precisa e fiel contra tudo que é oposto ao que fora definido nos demais concílios. Os documentos anteriores ao CVII gozam de extrema objetividade nas definições, alguns documentos que li são bastante ambíguos e complicados para o fiel mediano acessar o conhecimento ali ensinado, o que fazer? Vá aos documentos simples e definidos dos concílios anteriores, pois o CVII não pode negar o que anteriormente foi definido, pois é pastoral e só isso. Mudança de postura com o mundo, amizade com os agressores da Igreja como os comunistas, ecumenismo falsificado, bem, parece que a mensagem de Nossa Senhora é tratada a parte, apaga-se da memórias, toca-se o barco…
            Não ao relativismo como o Papa tanto proclama.
            Eis artigo abaixo sobre o CVII:
            Concílio Vaticano II não é infalível.

            O Cardeal Joseph Ratzinger, hoje o Papa Bento XVI, gloriosamente reinante, afirmou clarissimamente que o Vaticano II não foi infalível, e que muitos – erradamente – o têm como super dogma:

            “A verdade é que o próprio Concílio não definiu nenhum dogma e conscientemente quis expressar-se em um nível muito mais modesto, meramente como Concílio pastoral; entretanto, muitos o interpretam como se ele fosse o super dogma que tira a importância de todos os demais Concílios.” (Cardeal Joseph Ratzinger, Alocução aos Bispos do Chile, em 13 de Julho de 1988, in Comunhão e Libertação, Cl, año IV, Nº 24, 1988, p. 56).

            E o próprio Papa Paulo VI, num discurso feito em Janeiro de 1966, perguntou qual era a autoridade do Vaticano II, que grau de autoridade ele utilizara, e respondendo a essa questão, disse:

            “Há quem se pergunte que autoridade, que qualificação teológica o Concílio quis atribuir aos seus ensinamentos, pois bem, sabe-se que que ele evitou dar solenes definições dogmáticas envolventes da infalibilidade do Magistério Eclesiástico. A resposta é conhecida, se nos lembrarmos da Declaração Conciliar de 6 de Março de 1964, confirmada a 16 de Novembro dese mesmo ano: dado o caráter pastoral do Concílio, evitou este proclamar em forma extraordinária dogmas dotados da nota de infalibilidade. Todavia conferiu a seus ensinamentos a autoridade do Supremo Magistério ordinário” (Paulo VI, Discurso na audiência de 12 de Janeiro de 1966. Os destaques sáo nossos).

            Nada mais claro: o Vaticano II não proclamou dogmas infalíveis.

            Nossa Senhora não sofra o que os profetas sofreram no passado, pois não eram ouvidos e negligenciados, como também mortos. Abaixo mas um artigo atual sobre Nossa Senhora de Fátima:

            Cardeal Ottaviani :“Eu tive a graça e o dom de ler o texto do terceiro segredo …é preciso muita oração para que a apostasia não seja grande demais”

            O segredo de Fátima

            Em maio de 2000, o Vaticano revelava o terceiro segredo de Fátima. Uma revelação que parecia pôr fim a décadas de polêmicas e indiscrições. Parecia. Porque, na realidade, as coisas não foram bem assim…

            de Davide Malacaria

            A estátua de Nossa Senhora de Fátima

            Estamos no dia 13 de maio de 2000 quando o cardeal Angelo Sodano comunica que o Santo Padre decidiu revelar o terceiro segredo de Fátima. A oportunidade é dada da beatificação, realizada em Portugal, de Francisco e Jacinta Marto, dois dos pastorinhos aos quais, no distante ano de 1917, Nossa Senhora havia aparecido. O anúncio corre o mundo imediatamente: aquele segredo, guardado com tanto zelo pelo Vaticano, havia estado por décadas no centro de indiscrições, polêmicas e intrigas internacionais.
            Na ocasião, o cardeal Sodano toca de leve o conteúdo do segredo, mas, para conhecê-lo em sua integridade, é ainda preciso esperar cerca de um mês, quando é publicado pela Congregação para a Doutrina da Fé. O texto vem acompanhado de uma rápida apresentação assinada pelo então secretário da Congregação, dom Tarcisio Bertone, e por um breve comentário teológico do prefeito do mesmo organismo, o cardeal Joseph Ratzinger. Em seguida, anexos e notas. Sintetizando ao máximo, o segredo consiste na visão desoladora de uma cidade em ruínas pela qual estão espalhados os cadáveres dos mártires, na qual caminha, aflito, “um bispo vestido de branco” (a respeito do qual irmã Lúcia escreve: “Tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”), seguido por bispos e religiosos. O cortejo sobe até o topo de uma colina, na qual se encontra uma cruz, e aos pés dela o Papa é assassinado.
            Desde o anúncio do cardeal Sodano, o Vaticano identificou o “bispo vestido de branco” com o papa João Paulo II, e seu assassinato com o atentado sofrido por obra de Ali Agca, em 1981. Mas, desde o princípio, essa revelação e a interpretação oficial que a acompanha despertaram perplexidade. Entre outras coisas, muitos observaram uma discordância entre o que havia dito o cardeal Sodano um mês antes, em Fátima, quando falara de um papa que “cai por terra como se estivesse morto”, e o texto divulgado, no qual se lê a respeito de um papa inequivocamente “assassinado”.
            Para complicar as coisas, para os lados do Vaticano, somam-se as várias associações de fiéis nascidas em torno de Fátima, formadas de leigos, sacerdotes e estudiosos que conhecem a vida, a morte e, é o caso de dizer, os milagres de tudo o que aconteceu ao redor daquela aparição prodigiosa. E foi desses ambientes, justamente, que se levantaram as críticas mais pungentes.
            Entre 2006 e 2007, essas críticas foram condensadas em dois livros-reportagem: Il quarto segreto di Fatima, de Antonio Socci, e La profezia di Fatima, de Marco Tosatti. A seguir, falaremos sinteticamente do conteúdo dessas obras.

            Nossa Senhora previu Ali Agca?
            Uma das controvérsias mais acesas está relacionada com a identificação do bispo vestido de branco com Karol Wojtyla. Em outras palavras: Nossa Senhora profetizou realmente o atentado a João Paulo II? Em seu livro, Socci observa que a interpretação vaticana do segredo, na realidade, não é tão unívoca. E isso já desde o anúncio do cardeal Sodano, cujas palavras são transcritas no documento dedicado ao segredo de Fátima: o prelado explica que os episódios descritos na visão “parecem já pertencer ao passado”. “A Senhora da mensagem parece ler com singular perspicácia os ‘sinais dos tempos’” [os itálicos não são dos textos, ndr.]. Enfim, segundo Socci, parece que o prelado tem um certo medo de usar expressões afirmativas demais.
            Não é o único. Na nota teológica, o cardeal Ratzinger explica a coincidência entre o papa da mensagem e Wojtyla por meio de uma “elegante” expressão interrogativa: “Não era razoável que o Santo Padre, quando, depois do atentado de 13 de maio de 1981, mandou trazer o texto da terceira parte do ‘segredo’, tivesse lá identificado seu próprio destino?”.
            Indo além dessas anotações, que podem parecer meras sutilezas, é óbvio que, em se tratando de revelações particulares, não estamos diante de conteúdos de fé. O próprio cardeal Ratzinger explica, numa entrevista concedida em 19 de maio de 2000 ao jornal italiano La Repubblica, que não existem “interpretações obrigatórias”. Por outro lado, basta observar o documento oficial vaticano (que pode ser baixado da internet) para que se afaste qualquer dúvida a esse respeito. De fato, um capítulo do comentário teológico se intitula significativamente: “Uma tentativa de interpretação do ‘segredo’ de Fátima”. O itálico é nosso.
            Em todo caso, e prescindindo de outras considerações, os detratores da versão oficial têm uma boa margem para se perguntar: se o segredo fazia referência apenas às perseguições sofridas pelos cristãos no século XX e ao atentado contra o Papa ocorrido em 1981, por que esperar tanto para torná-lo público?

            As capas dos três livros mais recentes sobre o segredo de Fátima
            Segredos públicos e dúvidas secretas
            Se a interpretação do segredo suscitou tantas controvérsias, é bem pouco, se comparado às polêmicas que nasceram em torno do próprio texto. Para sermos mais claros, é melhor partirmos do início, ou seja, de quando irmã Lúcia, na clausura do carmelo de Coimbra, recebe de seu bispo a solicitação de escrever sobre a revelação.
            A religiosa redige diversas memórias do que viu e sentiu naquele distante ano de 1917, na Cova da Iria: a primeira é de 1935, a segunda de 1937, a terceira de agosto de 1941. Nesse terceiro escrito, explica Socci, a irmã “revela as primeiras duas partes do segredo […], e informa que existe também uma ‘terceira parte’, que por ora não revela. Alguns meses depois, escreve a quarta memória (datada de 8 de dezembro de 1941), na qual transcreve exatamente a anterior, mas, quando chega ao fim do segundo segredo […], acrescenta uma nova frase, que não existia no texto de agosto: ‘Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé, etc.’”. Enfim, em janeiro de 1944, anotará o chamado terceiro segredo.
            Os dois primeiros segredos, nos quais eram previstas a Revolução Russa e a Segunda Guerra Mundial, foram tornados públicos na década de 1940, ao passo que o terceiro segredo, dirá Lúcia, deverá ser revelado apenas em 1960. Em 1957, porém, a Santa Sé ordena que o texto seja enviado a Roma e pede silêncio à irmã. Esse silêncio será mantido até 2000, ano da publicação do documento A mensagem de Fátima pela Congregação para a Doutrina da Fé.
            Uma publicação realmente um tanto infeliz. Os críticos da versão oficial têm bons motivos para observar uma anomalia bem visível. Ao publicar o segredo em sua totalidade, o Vaticano não publica a quarta memória, de 8 de dezembro de 1941, última na ordem cronológica, mas a terceira, de agosto de 1941, acrescentando a ela o escrito de janeiro de 1944, onde está anotado o terceiro segredo. A terceira e a quarta memória são semelhantes, como vimos antes, mas, na quarta, encontramos aquela pequena frase: “Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé, etc.”, que na terceira não existe. É claro que essa expressão não é omitida por completo, mas transcrita numa nota marginal, sem nenhuma explicação. Só que essa linha, justamente, está no centro de grandes controvérsias…
            “É possível que as palavras de Nossa Senhora, dadas em pessoa pela Mãe de Deus, possam acabar com um ‘etc.’?” Socci transcreve essa pergunta, certamente não banal, de Paul Kramer, autor de La battaglia finale del diavolo. O que esconderia esse etc.? Os críticos observam como não há nenhum nexo lógico entre essa frase e o segredo revelado em 2000. E que a frase incompleta traz palavras de Nossa Senhora, parte de um discurso direto, ao passo que o segredo consiste numa visão, sem nenhuma palavra da Virgem.
            Padre José dos Santos Valinho, salesiano, é sobrinho de irmã Lúcia e tinha com ela uma relação preferencial. Numa entrevista, concedida pouco antes da revelação do segredo, confidenciou: “Na minha opinião aquela parte do segredo diz respeito à Igreja, a seu interior. Talvez dificuldades doutrinais, crises de unidade, lacerações, revoltas, divisões. A última frase do escrito de minha tia, que precede a parte ainda desconhecida do segredo, diz: ‘Em Portugal se conservará sempre o dogma da fé’. Depois, começa o trecho que não conhecemos. Porém, ela dá a entender que o tema da parte que falta poderia estar ligado à última afirmação que conhecemos. Portanto, em outras partes da Igreja esse dogma poderia vacilar”.
            Ele não foi o único que apresentou uma hipótese como essa.

            Paulo VI e irmã Lúcia, em Fátima, em 13 de maio de 1967

            A grande apostasia
            A respeito do segredo de Fátima, ao longo dos anos, circularam os mais diversos boatos, entre os quais o mais recorrente é aquele que fala de uma multidão de cristãos que perde a fé. Em outras palavras, Nossa Senhora teria previsto uma grande apostasia. Lendas, apenas?
            É o que poderia parecer, à luz da revelação vaticana. O problema, porém, é que essas lendas, com o passar dos anos, foram corroboradas por declarações de pessoas que, por sua função, tinham conhecimento do segredo. Tosatti dedica um capítulo inteiro a “Cinqüenta anos de indiscrições excelentes”. Vamos falar de algumas.
            Dom Alberto do Amaral, bispo emérito de Fátima, numa conferência de 1984, afirma: “O segredo de Fátima não fala nem de bomba atômica nem de artefatos nucleares […]. A perda da fé de um continente é pior que a destruição de uma nação; e é verdade que a fé diminui continuamente na Europa. A perda da fé católica na Igreja é bem mais grave que uma guerra nuclear” (declaração desmentida em 1986, mas depois confirmada em março de 1995).
            O cardeal Alfredo Ottaviani, numa conferência de 1967, diz: “Eu tive a graça e o dom de ler o texto do terceiro segredo. […] Posso lhes dizer apenas isto: que virão tempos muito difíceis para a Igreja e que é preciso muita oração para que a apostasia não seja grande demais”.
            Indiscrições excelentes são documentadas também no livro de Socci. Dom Loris Capovilla, secretário de João XXIII, que certamente também conhecia o segredo, responde uma entrevista por escrito em 1978. Quando lhe perguntam se o segredo se refere expressamente à hierarquia eclesiástica, à Rússia ou a uma “crise religiosa no mundo”, responde negando as duas primeiras hipóteses, mas nada diz da terceira. Ainda mais explícito é o conteúdo de uma carta do cardeal Luigi Ciappi, por muito tempo teólogo da Casa Pontifícia, endereçada ao professor Baumgartner. Na missiva, escrita em 2000 mas tornada pública em março de 2002, o purpurado revela: “No terceiro segredo se prevê, entre outras coisas, que a grande apostasia na Igreja começará do seu ponto mais alto”.
            São todos mentirosos? E, se não for assim, isso significa que foi o Vaticano que publicou uma mentira? As coisas são um pouco mais complexas. Com base numa série de indícios e testemunhos concordantes, muitos dos críticos da versão oficial estão convencidos de que o segredo na realidade seria constituído de duas partes distintas. E que a revelada em 2000, escrita em quatro páginas, seria apenas uma das partes e teria estado sempre guardada nos arquivos do Santo Ofício. A outra parte, ainda secreta, escrita numa única folha, teria ficado sempre no apartamento dos papas.
            Como confirmação dessa hipótese, haveria também um indício de tipo lógico. Tosatti apresenta a tese de Andrew M. Cesanek, outro estudioso que se aventurou a entender o segredo de Fátima. Este, comparando as duas primeiras revelações e a que foi tornada pública em 2000, registra como as duas primeiras são caracterizadas por um esquema do gênero visão-explicação, ao passo que a outra não contém explicações. Tosatti escreve: “Certamente, é curioso que, das três partes, aquela que mais necessita de um ‘guia de leitura’ seja, na realidade, a única que não tem um”.

            As atas de irmã Lúcia
            O Vaticano, obviamente, não podia deixar de interpelar irmã Lúcia, a última dos pastorinhos ainda viva na época (morreu em fevereiro de 2005). Para tanto, o atual secretário de Estado vaticano, cardeal Bertone, foi duas vezes a Coimbra: uma primeira em 27 de abril de 2000 e uma segunda em 17 de novembro de 2001 (na realidade, o prelado revelou ter encontrado a religiosa também em 9 de dezembro de 2003, mas para conversar sobre episódios relativos a Albino Luciani). Possuímos relatos desses dois encontros, algo semelhante a atas, uma das quais, a segunda, assinada pela própria irmã Lúcia. Em ambas, é comprovada a linha do Vaticano: para a religiosa também, o segredo teria sido revelado em sua integridade e a cena do papa assassinado representaria o atentado de 1981. Mas essas “atas”, fruto de horas de conversa, segundo os críticos, seriam excessivamente sintéticas, no limite do tom lacônico, e genéricas demais.
            Para sermos breves, transcrevemos apenas a observação do padre Paul Kramer, contida no livro de Socci, o qual calculou que, da segunda conversa, que durou cerca de duas horas, o cardeal Bertone “conseguiu extrair apenas quarenta e duas palavras importantes (quarenta e duas) que deveriam ser atribuídas entre aspas à religiosa”. Ainda a propósito dessa segunda ata, Socci, partindo da premissa de que a religiosa fala apenas português, se pergunta: “Se é assim, por que não existe um texto em português? E, se existe e – como parece óbvio – irmã Lúcia só assinou esse texto, por que ele não foi publicado? E por que a versão em inglês não tem a assinatura da irmã?”. Tampouco serviu para dissipar as dúvidas o livro publicado pela religiosa pouco antes de morrer, Os apelos da mensagem de Fátima, no qual a autora evita entrar em questões relacionadas ao segredo.
            Mas Tosatti assinala uma frase particularmente significativa desse livro: “Deixo inteiramente à Santa Igreja a liberdade de interpretar o sentido da mensagem, porque lhe pertence e lhe compete: por isso, humildemente e de bom grado me submeto a tudo o que ela disser ou quiser corrigir, modificar ou declarar”.
            De fato, impressiona que a religiosa tenha usado verbos como “modificar” e “corrigir”.

            João Paulo II em Fátima, por ocasião da beatificação de Jacinta e Francisco Marto, em 13 de maio de 2000
            O cardeal Bertone e papa Luciani
            Pouco depois da saída do livro de Tosatti, a editora italiana Rizzoli publicou outra obra sobre Fátima, dessa vez um livro-entrevista com o cardeal Bertone, organizado pelo vaticanista Giuseppe De Carli. No livro, o purpurado volta a frisar a versão oficial, enriquecendo-a de pormenores inéditos, mas evita responder às perguntas levantadas pelos críticos.
            Aqui, nós nos limitamos a evidenciar uma passagem do livro de De Carli que, a um leitor comum, poderia levantar novas perguntas.
            O cardeal Bertone é interrogado sobre a relação entre Fátima e Albino Luciani. A questão é conhecida: o então patriarca de Veneza, pouco antes de ser eleito Papa, foi fazer uma visita a irmã Lúcia. Esta, como alguns imaginaram, lhe teria profetizado o pontificado e a morte dentro de pouco tempo. O cardeal Bertone responde negando que a irmã tenha feito semelhante profecia. E, para confirmar, apresenta um escrito do próprio Luciani, datado de janeiro de 1978, no qual é relatado sinteticamente o conteúdo da conversa.
            Irmã Lúcia, anota o patriarca de Veneza, lhe havia falado da necessidade de haver “cristãos e especialmente seminaristas, noviços e noviças seriamente decididos a serem de Deus sem reservas”, e por aí afora. Em seguida, Luciani, após ter contado que havia perguntado sobre a dança do sol (espetacular milagre de Fátima), se questiona: “[…] alguém pode perguntar: um cardeal tem interesse em revelações particulares?”. Sim, responde, explicando que o “Evangelho contém tudo”, mas aos cristãos é necessário também “perscrutar os sinais dos tempos”. “E, atrás do sinal, é oportuno ter cuidado com as coisas sublinhadas por esse sinal. Quais?”, pergunta-se ainda, com seu estilo simples e linear. E relaciona as quatro coisas que, diz ele, foram indicadas por Nossa Senhora naquele distante ano de 1917, explicando uma por uma: arrepender-se, rezar, recitar o rosário e, por último, ter em mente que o inferno existe.
            Nas linhas que o patriarca dedica à oração, porém, há uma observação que chama a atenção. Luciani anota a dificuldade que essa prática encontra entre seus contemporâneos. E conclui: “Não fui eu, mas Karl Rahner quem escreveu: ‘Vive-se também dentro da Igreja uma dedicação exclusiva do homem às realidades temporais, que não é mais uma opção legítima, mas apostasia e queda total da fé’”. Apostasia?

            Enfim, apesar da revelação de 2000, continua a se projetar uma aura de mistério em torno do segredo de Fátima. E, para muitos, a palavra mistério é cheia de enigmas ameaçadores. Não é o caso do simples fiel, para quem essa palavra parece cheia de conforto e de esperança, quando orienta e acompanha a oração do rosário. Uma oração que em Fátima, precisamente, foi enriquecida pela jaculatória de doce misericórdia que Nossa Senhora quis ensinar às três crianças e, por meio delas, à Igreja inteira. E foi justamente por isso, nós acreditamos, que a aparição de Fátima, com o passar dos anos, se tornou cara ao povo cristão. Para terminar este artigo, faz bem lembrar disso.

            fonte:30 dias

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            • Helen disse:

              Prezado Herbert,

              Mais uma vez agradecemos pela participação.

              Os pontos que o sr. coloca foram discutidos no post, ou seja:

              1- O CV II não foi um concílio dogmático – O texto trata disso quando diz: “Primeiro, é importante lembrar que o Concílio Vaticano II não foi um Concílio dogmático, uma vez que não declarou nenhum dogma novo, mas sim um concílio Pastoral. Ou seja, seu objectivo era a instrução pastoral de assuntos relevantes à prática da fé e não formulação de novas doutrinas e dogmas pertinentes à ela.”

              Claro, se não é dogmático, ele não suplanta nenhum dogma previamente estabelecido pelo Magistério. O VC II não declarou nenhum ensinamento novo, e mesmo que o tivesse feito, necessariamente o “novo dogma” não poderia em hipótese alguma invalidar ou anular um dogma anterior a ele pois isso significaria que a Santa Igreja estava em erro, ensinando algo falso. Isso, como sabemos não é possível e jamais aconteceu nos 2000 anos da Igreja, pois de acordo com a promessa de Cristo, ele estaria com Sua Igreja até o fim dos tempos e que o Paraclito a protegeria de erros. Assim ensina a Sagrada Tradição.

              Sendo assim, não me surpreende que o próprio Papa Bento XVI, então Cardinal, houvesse afirmado que não se trata de um concílio infalível, porque a doutrina da Infalibilidade aplica-se SOMENTE em pronunciamentos DOGMÁTICOS.

              Quer dizer que podemos desobedecer os ensinamentos pastorais estabelecidos pelo concílio? Não! Não ser dogmático significa não ter o selo de infalibilidade doutrinal, mas a sua autoridade para ensinar a Prática Pastoral é genuína e deve ser respeitada. Ponto final.

              2- Obediência ao CV II não significa rejeitar o que veio antes!!! Isso parece-me obvio, mas vejo que muitas pessoas se confundem e acham que se obedecerem a um Concílio não devem o precisam obedecer aos outros. O que é um absurdo! Ora, se como dito acima, o CV II não ensinou NADA novo em termos de doutrina da Fé, como poderíamos não acatar os dogmas e doutrinas que o precederam? Seria como dizer, “Não preciso acreditar na Conceição imaculada, porque o CV II nada declarou a esse respeito”. Não! Tudo o que a Igreja ensinava antes continua sendo Verdade como sempre o foi! O católico que, entretanto diz, ” Não preciso ouvir aos ensinamentos pastorais do CVII porque o Papa Paulo VI não se pronunciou dogmaticamente sobre nada está, com efeito, desmerecendo a autoridade pastoral do Papa, que é o Pastor chefe da Igreja. Ele, na autoridade do Seu ofício pode, por exemplo, determinar modificações na Liturgia da Igreja, nas vestes dos Sacerdotes, orações, etc… Quem não acata isso está sendo desobediente e ao mesmo tempo, pondo o seu julgamento e vontade acima daquele da Igreja.

              3- O Motu Proprio estabelece que a Missa no Rito Extraordinário Romano não esta suplantada. Ela pode ser celebrada sem a necessidade de uma autorização episcopal. Sendo assim, se há perseguição aos sacerdotes adeptos do Rito Tridentino, é imperativo que essa perseguição seja denunciada ao Cimo da Igreja. Porém, saliento que, é o discernimento do Bispo de cada diocese se um determinado sacerdote deve, em casos de pronunciamentos cismáticos, ser punido ou não. O que se nota por ai a fora é que muitos padres adeptos da Missa Tridentina também manifestam desafeto e desdém pelo CV II, e com isso incitam cismas e separação em meio ao seu rebanho. Isso, em hipótese alguma deve ser tolerado, portanto, sejamos cautelosos em nossas conclusões.

              4- Como o sr disse, e o meu texto também, nem todo abuso litúrgico é culpa ou conseqüência do CVII. Há muitos padres enovadores e desobedientes que, mesmo diante de expressa ordenança da Igreja preferem seguir seu próprio discernimento e não ouvem ao Santo Papa. Um exemplo é a ausência da batina, que claramente nunca foi abolida pelo CVII. Outra mudança é a retirada da balaustrada que separava o altar e a congregação. O recebimento da Comunhão nas mãos não é norma, mas exceção! A introdução de música eletrônica, uma abominação instituída, mas NUNCA ensinada pelo CVII. Do contrário, o missal romano dá lugar de destaque ao orgão e ao conto sacro, mas vai explicar isso à alguns padres!

              5- Sobre o comunismo. Para ser breve recomendo que o sr faça uma simples pesquisa sobre o papel crucial prestado pelo Bem-aventurado JP II na queda do comunismo na Russia. Sem a Igreja católica esse mal talvez não tivesse sido vencido até hoje. João Paulo II lutou durante todo o seu pontificado para acabar com esse mal. COmo pode o sr, católico e devoto, acusar a Igreja – sim, porque acusar ao CVII é acusar a Igreja – de disseminar o comunismo? Por favor. ore a Deus e arrependa-se!

              Espero que meus esclarecimentos sejam suficientes. Se faltou algo, farei acréscimo em outra ocasião.

              Pax Domini

              PS. Sobre as mensagens Marianas, devemos ter cautela. Como vimos pelo seu texto, há muitas opiniões, mas ninguém ousaria dizer possuir a interpretação verdadeira e inequívoca. Do contrário, ficamos à mercê do subjetivismo e não de fatos concretos.

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